Aluno de 18 anos obtém a maior pontuação de matemática do Enem 2020 entre 2,7 milhões de candidatos | Enem 2020

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Aos 18 anos e recém-formado no ensino médio, Gabriel Telles, de São Paulo, acertou todas as questões de matemática do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 e tirou 975 pontos nesta etapa da prova — a maior nota registrada pelos 2,7 milhões de candidatos.

Apesar do desempenho de destaque, ele não pretende se inscrever no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), programa que permitiria usar esta pontuação para entrar em uma universidade pública.

O que ele quer mesmo é continuar cursando engenharia aeroespacial no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP). Sim, em 2021, o jovem também foi selecionado em um dos vestibulares mais concorridos do país (são mais de 160 candidatos para cada vaga).

“Eu tinha bastante expectativa de passar no ITA, mas não sabia se conseguiria direto, sem um ano de cursinho”, diz. “Nos meus estudos, não foquei no Enem, mas acabei gabaritando matemática”, conta.

“Foi uma experiência legal. Fiquei em dúvida em duas perguntas, então saí da prova sabendo que teria acertado pelo menos 43 das 45 questões.”

Qual a fórmula para conseguir resultados tão excepcionais? Segundo Gabriel, o aspecto determinante foi sempre ir além do que era ensinado na escola. Se a turma estivesse estudando equação do segundo grau, por exemplo, o jovem já estava se aprofundando em cálculo — área que, no Brasil, só é ensinada em universidades.

Participações em olimpíadas

No Colégio Objetivo Integrado (SP), onde estudou durante o ensino médio como bolsista, Gabriel fazia aulas de preparo para olimpíadas de exatas. Já era uma forma de se destacar e de ter acesso a explicações de conteúdos mais avançados.

Ele chegou a ganhar 26 medalhas nestas competições: entre elas, um bronze na Olimpíada Internacional de Física 2019, três ouros na Olimpíada Brasileira de Física e uma prata na Olimpíada Brasileira de Química.

Gabriel mostra uma de suas medalhas em olimpíadas de exatas — Foto: Arquivo pessoal

“Eu estudava na escola basicamente o dia inteiro, das 7h da manhã às 8h da noite. Depois, chegava em casa e lia mais um pouco. Sempre quis ir mais a fundo no que era mais difícil”, conta.

Interesse pela engenharia aeroespacial

Gabriel diz que, na infância, já gostava de foguetes. “Meu pai comprava aquelas enciclopédias infantis na banca de jornal, e eu lia um volume por dia. Adorava ir ao planetário do Ibirapuera.”

Agora, no ITA, o hobby virou questão séria: o aluno já está há um mês no curso de engenharia aeroespacial.

Gabriel foi a Israel para participar da Olimpíada Brasileira de Física — Foto: Arquivo pessoal

Ele mora no alojamento da faculdade e acompanha, no seu quarto, as aulas virtuais. Apenas as atividades militares são presenciais. “Já fiz muitas amizades e me adaptei”, conta.

O jovem ainda faz parte de projetos de trabalho voluntário no ITA. Ele integra a equipe do cursinho popular Alberto Santos Dumont, voltado para alunos em situação de vulnerabilidade.

“A ideia é ajudar 700 adolescentes do Vale do Paraíba a entrarem em escolas federais ou em universidades de qualidade. Eu ajudo na organização dos calendários, na formulação de cartilhas e nas explicações de como funcionam o Enem e o Sisu.”

Depois de se formar, o plano de Gabriel é participar do desenvolvimento da indústria aeroespacial brasileira. E, mais uma vez, já pensa em ir além: quer emendar a graduação ao mestrado e doutorado na área.



Fonte: Fonte: G1

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