4º lugar em medicina na Federal de Sergipe realizou o sonho da mãe, que fez ‘bico’ de marceneira para equilibrar contas na pandemia | Educação

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A estudante Samara Santos de Carvalho, de 19 anos, conta que passou recentemente por um “teste” para o seu coração. Desde o ano passado ela tenta uma vaga em medicina na Universidade Federal de Sergipe (UFS) pelo Sistema de Seleção Unificado (Sisu), do governo federal. Divulgado o resultado da seleção deste ano, Samara não só conseguiu uma vaga para o curso que sonhava como se classificou em 4º lugar.

“Foi um teste para o meu coração. Estava esperando passar este ano porque tive nota suficiente, mas mesmo assim foi muita emoção em uma semana só”, afirma. “

Com a aprovação, será a primeira pessoa da família a entrar em uma universidade. Durante a pandemia, José Roberto, pai de Samara, ficou desempregado e só conseguiu trabalho no fim do ano passado, como porteiro.

A mãe, Jussara, trabalhava com telemarketing e fez “bico” em marcenaria para complementar a renda familiar. Apesar das dificuldades, o sonho de cursar uma das graduações mais concorridas do país nunca saiu do foco da estudante.

“Muitas pessoas acharam que eu não conseguiria, porque é um curso difícil, eu sou bolsista, não tinha dinheiro nem para pagar cursinho. Quando não passei da primeira vez, muitos me disseram para tentar outros cursos, com notas menores. Mas eu fui teimosa. Consegui ser aprovada e espero muito que as pessoas não desistam dos seus sonhos”, conta a jovem.

A aprovação da jovem marcou a família. “Meu pai até chorou, tive que agradecer os parabéns de pessoas que nem conhecia, porque ele contou pra todo mundo. Era o sonho da minha mãe, mas na época era mais difícil e ela não conseguiu entrar na faculdade. Projetou em mim”, conta.

A escolha da profissão veio de sua experiência pessoal. Samara sofreu durante a infância com ataques de rinite e passou uns tempos internada. Quando estava no segundo ano do ensino médio, foi atropelada, quebrou uma perna e teve que se submeter a uma cirurgia. De novo, passou uma temporada no hospital.

“Essa vivência me sensibilizou. Eu sempre gostei de aprender sobre o corpo humano e medicina era a opção mais óbvia”, afirma a estudante. Agora, o objetivo é trabalhar com pesquisa e cirurgia.

Ensino médio técnico e bolsa de estudos

Samara Santos de Carvalho (de vermelho), coma família: o pai José Roberto, a irmã Laura, e a mãe Jussara. — Foto: Arquivo Pessoal

Samara cursou o ensino médio no Instituto Federal de Sergipe (IFS) e fez curso técnico na área de alimentos, a mais próxima que encontrou em saúde.

As aulas eram em tempo integral, uma das apostas do Plano Nacional de Educação (PNE) para mudar a qualidade do ensino no país. A meta é ter, até 2024, 25% dos estudantes de escolas públicas nesta modalidade. Em 2020, o percentual estava em 14,4%.

Com mais tempo na escola, os estudantes participam de mais atividades que estimulam o conhecimento. Samara, por exemplo, chegou a participar de um Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Cientifica (Pibic), quando escreveu um artigo de microbiologia.

Em 2019, fez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para concorrer a uma vaga na UFS pelo Sisu e não passou de primeira. Em 2020, sem poder pagar um cursinho, conseguiu uma bolsa de estudos pelo Projeto Gauss no Colégio Master, onde fez cursinho preparatório para o vestibular com materiais do SAS Educação.

A pandemia assustou a jovem estudante, que teve medo de enfrentar dificuldades com a conexão, que caía constantemente em casa. “O que mais me ajudou foi assistir às aulas e fazer várias questões e simulados. No curso técnico era muita matéria, não tive tanto apoio quanto no cursinho”, conta.

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Fonte: Fonte: G1

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