Twitter e Facebook bloquearam páginas e postagens nesta campanha eleitoral nos EUA; relembre casos | Eleições nos EUA 2020

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As restrições aplicadas nesta quinta-feira (15) pelo Twitter e pelo Facebook a publicações de links para uma reportagem do “New York Post” fazem parte de uma série de ações das duas empresas de redes sociais nestas eleições presidenciais dos Estados Unidos.

O texto em questão tratava de um suposto encontro do então vice-presidente Joe Biden, atual candidato democrata à Casa Branca, com um consultor da empresa ucraniana de energia Burisma. Enquanto o Twitter proibiu usuários de compartilharem links para a reportagem, o Facebook diminuiu o alcance de postagens com o conteúdo do “New York Post”.

Por causa da publicação, o Twitter chegou a bloquear momentaneamente a conta oficial da campanha de reeleição do presidente Donald Trump, que compartilhou o conteúdo sobre Biden e a empresa ucraniana.

Sede do Facebook, na Califórnia — Foto: Thiago Lavado/G1

Ainda esta semana, o Twitter suspendeu contas que supostamente pertenciam a apoiadores afro-americanos de Trump. Em sua justificativa, a rede social alegou a prática de spam e manipulação da plataforma.

Não é a primeira vez neste ano de eleição nos EUA que as empresas agem para bloquear postagens que julgam mentirosas ou com informações que alegam não ter confirmação. Como as medidas atingem sobretudo o republicano Donald Trump, o atual presidente afirmou mais uma vez que as redes tentam silenciá-lo.

Relembre outros casos abaixo:

No começo deste mês, o Facebook anunciou o banimento de todos os perfis ligados ao movimento conspiracionista QAnon de suas plataformas, mesmo que eles não incluam conteúdos violentos. O Youtube seguiu a recomendação das outras redes e passou também a banir esse conteúdo.

QAnon é um movimento conspiracionista norte-americano que apoia sem restrições Trump, que, segundo eles, é herói de uma batalha contra grupos satânicos. O grupo, no entanto, é considerado pelo FBI como uma ameaça potencial de terrorismo interno.

A empresa disse que a mudança é uma atualização da política criada em agosto, quando foram removidas 1,5 mil páginas, grupos e perfis sobre o grupo que discutiam violência.

Ex-conselheiro de Donald Trump, Roger Stone deixa a Corte Distrital em Washington, após ser condenado, na quinta-feira (20) — Foto: Reuters/Mary F. Calvert

Assessor de longa data de Trump e amigo pessoal do presidente, Roger Stone teve 50 páginas pessoais e profissionais ligadas a ele removidas do Facebook.

A plataforma de rede social disse que Stone e seus associados, inclusive um apoiador proeminente do grupo de direita Proud Boys da Flórida, estado-natal de Stone, usaram contas e seguidores falsos para divulgar livros e postagens do aliado de Trump.

Stone foi condenado recentemente por mentir para o comitê de inteligência do Legislativo a respeito de suas tentativas de entrar em contato com o WikiLeaks, que divulgou e-mails de Hillary Clinton, adversária de Trump em 2016.

Informação errada sobre Covid-19

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante comício no Pitt-Greenville Airport, em Greenville, na Carolina do Norte, na quinta-feira (15) — Foto: AP Photo/Evan Vucci

O Twitter bloqueou temporariamente em agosto a conta oficial da campanha de reeleição do candidato Donald Trump por causa de uma postagem com informação errada sobre a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Na mensagem publicada pela conta @TeamTrump, o mandatário afirmava que as crianças são “quase imunes” à Covid-19, o que viola as regras contra a desinformação na rede social, explicou um porta-voz da plataforma.

O Facebook também removeu, no mesmo dia, uma publicação semelhante sobre o coronavírus e as crianças. Foi a primeira vez que a plataforma tomou uma medida do tipo.

“Este vídeo inclui falsas alegações de que um grupo de pessoas é imune à Covid-19, o que é uma violação da política sobre desinformação em relação à Covid”, disse o porta-voz do Facebook, Andy Stone.

Diferentemente do que disseram as publicações, a Covid-19 pode, sim, acometer os mais jovens e evoluir para quadros mais graves da doença — ainda que a letalidade em crianças seja comparativamente mais baixa.

Também em agosto, o Facebook removeu uma rede sediada na Romênia que reunia contas que apoiam a campanha de reeleição de Trump.

Muitas das 35 contas do Facebook e 88 do Instagram fingiam ser norte-americanas, e algumas administravam páginas de apoio a Trump, violando as regras da rede social sobre o que chama de comportamento inautêntico coordenado.

A rede tinha um alcance pequeno, com 1.600 seguidores no Facebook e 7.200 no Instagram, que é controlado pelo Facebook

Pessoa coloca carta em caixa do Serviço Postal dos EUA em Filadélfia, nesta sexta-feira (14) — Foto: Rachel Wisniewski/Reuters

Em maio, o Twitter marcou com uma sugestão para que os leitores checassem os fatos nas postagens de Trump sobre supostas fraudes no envio de cédulas eleitorais pelo correio — modalidade de votação permitida na maior parte dos Estados Unidos e sobre a qual o atual presidente vem lançando dúvidas.

Segundo um porta-voz do Twitter, as marcas nos dois posts desta terça foram incluídas porque os tuítes “contêm informações potencialmente enganosas sobre os processos de votação, e foram rotulados para fornecer um contexto adicional”.

Trump protestou contra a decisão e acusou o Twitter de “sufocar a liberdade de expressão”. No dia seguinte, o presidente ameaçou fechar ou regular as empresas de mídias sociais e assinou decreto que permite que os sites sejam processados por moderar publicações de usuários — medida com consequências mais políticas do que práticas.

Protestos nos EUA e ‘glorificação da violência’

Também em maio, o Twitter sinalizou que uma postagem de Trump sobre os protestos em Minneapolis “glorificava a violência”, mas não removeu o conteúdo.

“Esses bandidos estão desonrando a memória de George Floyd, e eu não deixarei isso acontecer. Acabei de falar com o governador Tim Walz e lhe disse que o Exército está com ele. Qualquer dificuldade e nós assumiremos o controle, mas, quando o saque começar, o tiroteio começará. Obrigado!”, dizia a postagem do presidente.

Acompanhando a postagem, o Twitter marcou a seguinte declaração:

“Este tuíte violou as regras do Twitter por glorificar a violência. No entanto, o Twitter determinou que pode ser do interesse do público que o tuíte permaneça acessível.”

VÍDEOS: Eleições nos EUA 2020



Fonte: G1

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