Testes para entrega de produtos com drones devem começar em outubro com três bases de decolagem e pouso em Campinas

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Autorização da Anac permite testes além da linha de visada visual, quando o operador não precisa ter contato visual para operar a aeronave. Ifood prevê rota entre shopping e condomínio. Campinas pode ser 1ª do país a ter entregas de refeições por drones
Os testes que podem colocar Campinas (SP) como a primeira cidade brasileira a ter delivery de alimentos por meio de aeronaves devem começar em outubro, segundo o vice-presidente de inovação e inteligência artificial do Ifood, Bruno Henriques. A plataforma de pedidos é parceira das companhia Speedbird Aero, que conseguiu autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) nesta semana para começar as operações. A metrópole deve ter inicialmente três pontos para pousos e decolagens.
As discussões tiveram início no ano passado e, de acordo com a empresa, o prazo pode ser alterado somente se houver imprevistos atrelados à pandemia do novo coronavírus no país. O teste inicial propõe reduzir o tempo para que uma refeição seja entregue por um restaurante do Shopping Iguatemi Campinas até um “centro de distribuição” onde estão entregadores para levar os produtos aos clientes.
“Hoje um motoboy precisa entrar no shopping, estacionar, retirar a refeição e voltar, leva 12 minutos. O primeiro teste significa ter uma pessoa para coletar as refeições e levar até um drone. A comida sai desse ponto, mais próximo da área de alimentação, e vai até os entregadores. Vamos fazer isso de maneira mais rápida, em dois minutos e meio, levando mais de um pedido por voo”, destaca Henriques.
Sem mencionar durante a entrevista o valor total investido, ele explica que o teste posterior será levar entregas da área do shopping até um condomínio residencial na mesma região. Além disso, alega que as empresas já têm também aval do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), mas a instituição diz esperar por solicitação formal sobre o tema – veja abaixo posicionamento.
“É o grande case na minha opinião, fazer voar longas distâncias o que hoje levaria bastante tempo […] Se der certo, o próximo prazo é cruzar a Rodovia D.Pedro. A beleza é que tudo regulado, como se fosse uma ponte Rio-São Paulo, com rota. Nossa expectativa é fazer os casos mais distantes se tornarem realidade.”
A plataforma de pedidos conta inicialmente com três profissionais nas áreas de inovação e logística, enquanto a companhia parceira terá mais quatro responsáveis pelas operações das aeronaves.
Drone usado durante teste do iFood
André Alves e Eduardo Yamanaka / Nectar Audiovisual
Segurança
A autorização concedida pela Anac à Speedbird é a primeira deste tipo emitida pela agência. Em caráter experimental, ela permite testes além da linha de visada visual, quando o operador não precisa ter contato visual para operar o drone.
Procurada pelo G1, a assessoria do Decea informou que aguarda solicitação formal sobre este tipo de operação para que as análises e autorizações possam ser emitidas.
“Essa etapa é imprescindível para garantir a utilização segura do espaço aéreo, tanto pela empresa quanto por quaisquer outros usuários do espaço aéreo, pessoas e propriedades no solo, conforme diretrizes da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI).
O site do departamento destaca que o “uso irresponsável do espaço aéreo” pode infringir leis previstas no Código Penal, Código Civil, Código Brasileiro de Aeronáutica e Lei de Contravenções Penais.
O equipamento e curiosidades
Em 2019, a Speedbird informou ao G1 que aeronave é 100% nacional, conta com 1,4 metro de diâmetro, seis motores, dois aparelhos de GPS, funciona com tecnologia 4G e tem até paraquedas para situações de emergência. Ela é capaz de transportar até 2 kg de produtos por viagem, em velocidade de 32 km/h, e a caixa de transporte possui monitoramento da temperatura.
A companhia destacou ainda que, em “condições ideais”, o drone tem autonomia de voo de 30 minutos, em um raio máximo de 5 km. Além disso, a chuva pode gerar impactos, assim como ventos acima de 50 km/h. “Todos os casos foram resolvidos para efetivamente garantir segurança de quem está na terra”, falou o vice-presidente de inovação e inteligência artificial do Ifood.
O software para navegação e operação da aeronave também foi desenvolvido pela Speedbird e realiza todo o voo de forma automatizada. Por uma questão de legislação, no entanto, é acompanhado por um operador, que pode intervir caso necessário durante os trabalhos.
Drone carrega caixa para entrega de comida
André Alves e Eduardo Yamanaka/Nectar Audiovisual
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Fonte: G1

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