Tentativas de fraude sobem 32% no primeiro semestre, com avanço do e-commerce no Brasil | Economia

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O primeiro semestre de 2021 registrou aumento no número de tentativas de fraude em compras digitais. Um levantamento da empresa antifraude Clearsale monitorou mais de 152 milhões de transações digitais nos seis primeiros meses deste ano, das quais 2,6 milhões foram tentativas de roubo por parte de golpistas.

Comparado ao mesmo período de 2020, o aumento das tentativas de fraude foi da ordem de 32,7%. Segundo os organizadores da pesquisa “Mapa da Fraude”, a principal esteira de crescimento é a entrada maciça de novos consumidores no e-commerce durante a pandemia do coronavírus.

O isolamento social impulsionou as vendas online no Brasil e os noviços nessa seara costumam ter menos cuidado com os dados. Além de clientes mais vulneráveis, há o simples fato de que existem mais dados em circulação, de consumidores que não estavam digitalizados.

Ao contrário do que se poderia imaginar, os megavazamentos de dados do início do ano influenciaram menos o crescimento de golpes do que se imagina, diz a empresa.

“Os fraudadores vivem disso. Entendem os processos e mecanismos. Eles não esperam os grandes vazamentos para agir, o que acaba não mudando tanto os números de tentativas de fraude nas semanas seguintes”, diz Omar Jarouche, diretor de marketing da Clearsale.

Os principais mecanismos no período, portanto, continuaram sendo o phishing, técnicas em que tentam convencer a vítima a informar dados pessoais, e outras técnicas de engenharia social, como instalação de malware em celulares e computadores.

SP tem o maior número de golpes de ‘phishing’, de roubo de dados nas redes sociais
SP tem o maior número de golpes de ‘phishing’, de roubo de dados nas redes sociais

SP tem o maior número de golpes de ‘phishing’, de roubo de dados nas redes sociais

O Mapa da Fraude traz ainda uma lista de bens mais visados pelos golpistas, divididos inclusive por regiões.

Mesmo com alguma alteração de posição no ranking de cada local, a maior parte dos itens é a mesma: celulares, pequenos eletrônicos e games são predominantes.

  • Celulares: 5,1% das tentativas de fraude;
  • Eletrônicos: 4,9%;
  • Games: 4,2%.

“Há preferência por itens de tamanho menor, mais fáceis de serem transportados e de fácil revenda. É preciso um mercado secundário que não se preocupa tanto com a origem do item”, diz Jarouche.

A empresa ainda analisou mais 30 milhões de operações em setores como mercado financeiro, telecom e vendas direta. Nessa fatia, foram mais de 1,1 milhão de tentativas de golpes detectados.

São golpes como abertura de conta, emissão de cartões, tomada de empréstimos, desvio de equipamentos, uso de serviços com dados de terceiros e tantos outros.

Criptomoedas são usadas para golpes financeiros no país
Criptomoedas são usadas para golpes financeiros no país

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Na outra ponta, uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostra que 59% dos internautas sofreram algum tipo de fraude financeira nos últimos 12 meses, contra 46% em 2019. Isso corresponde a um contingente de 16,7 milhões de brasileiros.

De acordo com o estudo, 51% das vítimas são mulheres, 49% são homens e 56% pertencem à classe C, enquanto que 44% são da classe A/B. A idade média dos internautas que sofreram fraude nos últimos 12 meses é de 39 anos, sendo que mais da metade das vítimas (53,6%) tem ao menos o ensino médio completo.

Considerando o ranking das fraudes mais comuns, o não recebimento de produto ou serviço, a clonagem de cartão e os golpes através de ligações ou mensagens foram as mais citadas pelos entrevistados.



Fonte: G1