Tenho ações da Petrobras. O que eu faço? Veja o que dizem os analistas | Economia

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Após o forte tombo nas ações da Petrobras nesta segunda-feira (22), o que o investidor deve fazer? Mesmo com diversos analistas cortando a recomendação para os papéis, bem como reduzindo preços-alvo, especialistas alertam que é importante ter calma neste momento, uma vez que ainda há uma série de incertezas e questões em aberto sobre o futuro da estatal.

“Não acredito que seja um momento para os acionistas se desfazerem da empresa, se desfazerem das ações na sua carteira. Mas ressalto cautela para aqueles que querem comprar, porque o preço pode continuar caindo nos próximos dias”, afirma Rafael Panonko, analista chefe da Toro Investimentos.

Em relatório a clientes, a corretora Necton também recomendou que os investidores aguardem e não vendem as suas ações neste momento, citando a possibilidade dos papéis da Petrobras recuperarem parte das perdas com o passar do tempo.

“A política de paridade de preços dos combustíveis é o grande pilar de valor da Petrobras. Caso o novo CEO mantenha essa política, assim como preservar o andamento do programa de desinvestimento, o papel deverá recuperar as perdas”, afirmam os analistas, lembrando que as perdas do chamado “Joesley Day”, em 2017, foram recuperadas em em poucos meses.

“Outro paralelo mais próximo em torno da Petrobras foi em 2018 com a saída do então CEO Pedro Parente. Naquela ocasião as ações sofreram forte perdas que depois foram revertidas”, lembram.

Outro ponto importante a ser considerado é o fato da Petrobras ser uma estatal, que detém o monopólio da exploração e refino do petróleo no Brasil, o que é “diferente de outros setores, como energia elétrica e bancos”, destaca Panonko.

Bovespa cai mais de 5%; Petrobras despenca 20%
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Papéis da estatal têm forte queda com troca no comando da petroleira e temores de intervenção do governo na política de preços de combustíveis. Eletrobras e Banco do Brasil também desabam.

Na noite de sexta-feira, Bolsonaro anunciou a indicação do general Joaquim Silva e Luna, atual diretor da Itaipu Binacional, para a presidência da Petrobras, no lugar de Roberto Castello Branco. Para que a troca na presidência da Petrobras seja concretizada, a indicação ainda precisa do aval do Conselho de Administração da Petrobras, que tem reunião prevista para esta terça-feira (23).

Nesta segunda, as ações do Banco do Brasil e da Eletrobras também tinham forte queda na B3. Veja cotações.

É hora então de comprar?

Para a equipe da Necton, é recomendado neste momento uma menor posição em renda variável para o curto prazo, “apesar dos preços se mostrarem potencialmente mais convidativos”.

Na avaliação de Roberto Attuch, fundador e CEO da Ohmresearch, ainda que não estejam claros claros a forma e o timing da troca na presidência da Petrobras, “o governo Bolsonaro pediu o divórcio do mercado” com a decisão.

“As ações da Petrobras, ao contrário de grandes petroleiras internacionais, não se beneficiarão como poderiam da recuperação do petróleo em função da reabertura global das economias em 2021 e 2022”, escreveu Attuch em nota a clientes.

A XP Investimentos cortou a recomendação para os papéis da Petrobras de “neutro” para “venda” no domingo, em relatório sob o título “Não há mais como defender”. O BTG Pactual rebaixou a recomendação para “neutra”, enquanto o Bradesco reduziu para “underperform”.

Já para a equipe a Mirae Asset, a decisão de Bolsonaro “tende a comprometer a venda de ativos da empresa, que vinham tendo uma performance positiva”.

“O desrespeito ao acionista minoritário e as regras do próprio estatuto da Petrobras com a indicação de um novo CEO sem a aprovação do Conselho de Administração devem aumentar o clima de aversão ao risco entre os investidores internacionais em relação ao Brasil e o comprometimento da atual equipe econômica liderado por Paulo Guedes com uma agenda liberal”, avaliou a Necton.

Maiores tombos diários da Petrobras — Foto: Economia G1

Petrobras era avaliada nesta segunda na bolsa por volta das 11h20 em R$ 282,2 bilhões, retrocedendo para o menor patamar desde novembro de 2020, segundo a Economatica, a . No início do governo Bolsonaro, valia na bolsa R$ 316 bilhões. Em maio de 2008, chegou a valer R$ 510 bilhões.

De acordo com a Economatica, a maior queda diária já registrada no valor de mercado da Petrobras foi registrada no dia 9 de março do ano passado, na esteira de um tombo nos preços internacionais do petróleo, quando a estatal perdeu R$ 91,1 bilhões.

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Fonte: G1

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