Tábua de passar transformada em escrivaninha e outras inusitadas adaptações à vida no home office | Concursos e Emprego

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A pandemia da Covid-19 fez com que pessoas do mundo inteiro se vissem obrigadas de uma hora para outra a trabalhar de casa. Hoje, algumas ensaiam voltar ao escritório — mas muitos não têm previsão de quando isso deve acontecer.

A necessidade fez com que muita gente usasse a criatividade para adaptar a sala, o quarto e até a cozinha.

“As pessoas estão descobrindo como é importante conseguir separar a vida pessoal do trabalho”, diz o escritor Bruce Daisley, autor de ‘The Joy of Work’ (‘Alegria de Trabalhar’, da editora AlfaCon).

E a tarefa é mais fácil para uns do que pra outros, ele pondera, a depender da estrutura da qual cada um dispõem neste momento em que o home office muitas vezes não é uma escolha.

“Alguns têm de trabalhar da casa dos pais, ou no único cômodo da casa. Muitas pessoas estão tentando se adaptar para lidar da melhor maneira possível com essa situação esquisita que vivemos hoje.”

Perguntamos aos leitores sobre os “ajustes” mais inusitados que fizeram nos últimos meses. Veja alguns deles:

Trabalhando o corpo e a mente

Gestor de startups senta em bicicleta para trabalhar em home office; estrutura é montada dentro de guarda-roupa em cidade da Inglaterra — Foto: KANE FULTON / Arquivo pessoal

Kane Fulton, da cidade britânica de Yorkshire, decidiu combinar o desejo de se manter em forma com seu trabalho como gestor de startups. Tudo isso dentro do seu — grande, é verdade — guarda-roupa. Em vez da cadeira, ele tem uma bicicleta.

Hoje o britânico vai alguns dias da semana ao escritório. Quando isso não acontece, entretanto, ele começa a jornada com uma pedalada virtual de 40 km em sua bike-cadeira usando um aplicativo de exercícios físicos chamado Zwift. Fones com cancelamento de ruídos abafam o som das pedaladas (pelo menos para ele).

“Não é o ambiente mais elegante do mundo, mas compensa o fato de eu não sair para caminhar pela manhã”, diz.

Mesas ‘faça você mesmo’

Há muitas escrivaninhas caseiras por aí — algumas bastante engenhosas.

Parece que nem todo mundo esqueceu tudo o que já se falou sobre os problemas de se passar longos períodos sentado.

Foto mostra garagem improvisada por Alexandru Voica, que trabalha no Facebook; estrutura segue a tendência do ‘Faça você mesmo’ — Foto: ALEXANDRU VOICA / Arquivo pessoal

Alexandru Voica, que trabalha no Facebook, improvisou em sua garagem uma mesa para trabalhar de pé (acima), feita com tábuas que sobraram de um outro projeto DIY (acrônimo de “do it yourself”, a tendência do ‘faça você mesmo’).

Não é tão mambembe quanto parece, ele diz — ela está inclusive presa à parede.

Tábua de passar roupa substitui mesa em home office de Ellis Hillman — Foto: ELLIS HILLMAN / Arquivo pessial

Ellis Hillman optou por algo mais modesto e simplesmente passou a usar uma tábua de passar (imagem acima).

Já Cat Divers ergueu a sua com caixas de papelão (abaixo), que usou também para alocar o monitor que encontrou na rua e resolveu levar para casa.

Caixas de papelão também pode substituir móveis para quem precisa de apoio para computador no home office — Foto: CAT DIVERS / MYPICKLE

Enquanto isso, Martin, um designer de iluminação para TV que mora nos Emirados Árabes, comprou quatro monitores curvos e três gatos (abaixo).

Na casa do designer Martin, quatro monitores curvos e três gatos ficam no ambiente de trabalho — Foto: MARTIN / Arquivo pessoal

Steve Masters, conselheiro do Partido Verde britânico, combinou o trabalho com seu ativismo ambiental e montou seu escritório em uma casa na árvore no fim de maio.

Ele também tem morado na estrutura, construída também como um protesto contra a construção de uma linha de trem que cruzará a floresta de Jones’ Hill Wood, na cidade de Buckinghamshire.

Montar o escritório em uma casa na árvore foi a opção do ativista ambiental Steve Masters — Foto: GETTY IMAGES via BBC

“Tenho o melhor sinal de internet possível daqui de cima”, ele diz.

Masters usa o laptop profissional ligado a seu telefone e carrega os equipamentos com um gerador de energia solar portátil.

Ciência de controle remoto

A física Amruta Gadge instalou computadores em casa para poder controlar os laser do laboratório remotamente — Foto: UNIVERSITY OF SUSSEX / Divulgação

A física Amruta Gadge, pós-doutoranda na Universidade de Sussex (acima) não ia deixar que o pequeno inconveniente de ter de ficar longe de seu laboratório a impedisse de continuar sua pesquisa.

Ela instalou seus computadores em casa para poder controlar os laser do laboratório remotamente e, mesmo de longe, conseguiu criar um Condensado de Bose-Einstein (BEC na sigla em inglês) — também conhecido como o quinto estado da matéria, atingido quando alguns elementos são resfriados a temperaturas extremamente baixas.

Nessa situação, os átomos perdem energia e se amontoam formando uma espécie de “super átomo”.

A universidade crê que esta seja a primeira vez que o processo é feito de forma remota.

Ele tem sido usado para auxiliar a equipe no desenvolvimento de sensores magnéticos, que poderiam ter aplicação em baterias de veículos elétricos, telas sensíveis ao toque e células fotovoltaicas.

“Estávamos decididos a continuar com nossa pesquisa, então estamos experimentando diversas formas de contiuar fazendo os testes, mesmo de longe”, afirma Gadge.

A cientista Jen Bromley ocupou as prateleiras da sala de caldeira de casa com a própria fazenda vertical “indoor”. — Foto: JEN BROMLEY / Arquivo pessoal

A cientista Jen Bromley trabalha em uma startup dedicada a desenvolver “fazendas verticais”, a Vertical Future. No começo da quarentena, ela abriu espaço nas prateleiras da sala de caldeira de casa, até então ocupadas com enfeites de Natal e raquetes de críquete, e criou a própria fazenda vertical “indoor”.

Conectou luzes de LED a temporizadores e os ligou às prateleiras para cultivar flores comestíveis como violetas e amores-perfeitos. Ela não conseguiu, contudo, instalar os irrigadores automatizados e teve de fazer a rega manual por três meses — o que nem sempre foi fácil, dado que local era totalmente improvisado.

“Eu não consigo nem ficar em pé, mas as plantas não se importam com o teto baixo”, disse. “Consegui recolher dados sobre o processo de crescimento e os temos usado nos locais de produção para garantir que sempre tenhamos estoque de flores comestíveis.”

Professsor da Universidade de Virginia espalhou placas de feltro de cor cinza espalhadas pelo escritório — Foto: SIVA VAIDHYANATHAN / Arquivo pessoal

O professor da estudos miniáticos da Universidade de Virginia Siva Vaidhyanathan já tinha seu home office antes da pandemia. Mas percebeu que precisaria incrementar para dar aulas on-line para os alunos e trabalhar em seu podcast, que estava prestes a ser lançado.

“Não consegui isolar acusticamente o cômodo, mas fiz o meu melhor pra que minha voz não parecesse que saía de uma grande caixa de metal”, ele disse, referindo-se às placas de feltro de cor cinza espalhadas pelo escritório.

“Também descobri como conectar meu iPhone ao computador para conseguir imagens com melhor resolução.”


Fonte: G1

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