Sete em 10 indústrias têm dificuldades para comprar insumos, diz pesquisa da CNI | Economia

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As dificuldades de abastecimento de insumos e de matérias-primas afetaram, em média, 68% das empresas das indústrias extrativa e de construção, de acordo com pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O levantamento, realizado com 1.870 empresas do setor entre 1 a 17 de outubro, foi divulgado nesta quinta-feira (2).

De acordo com a entidade, mais de metade das indústrias consultadas avaliam que esse “desajuste” só terá fim a partir de abril de 2022.

Falta de insumos é o principal problema da indústria brasileira, aponta CNI

Falta de insumos é o principal problema da indústria brasileira, aponta CNI

A falta de insumos é um dos fatores apontados por economistas para a alta da inflação neste ano. Em doze meses até outubro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA-15, uma prévia da inflação oficial do país, somou 10,34%.

Esse patamar está bem acima da meta central de inflação deste ano, que é de 3,75%. Pelo sistema vigente no país, será considerada cumprida se ficar entre 2,25% e 5,25%. O mercado financeiro estimou, na semana passada, que o IPCA somará 10,15% em 2021 fechado.

Segundo o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, há uma expansão da demanda global de uma série de produtos, com os países saindo da crise da pandemia da Covid-19. “Esses fatores seguem provocando estresse nas linhas produtivas e a escassez de diversos insumos”, explicou.

A pesquisa da CNI mostra que, em 18 dos 25 setores da indústria de transformação consultados, mais de dois terços das empresas avaliaram que, mesmo em negociações com o valor acima do habitual, está mais difícil obter os insumos no mercado doméstico.

“Esse problema aflige 90% do setor de calçados; 88% das indústrias de couro, 85% dos fabricantes de móveis; 79% da indústria química; 78% do vestuário e 78% das madeireiras, além de 77% das indústrias de equipamentos de informática e produtos eletrônicos e 76% do setor de bebidas, por exemplo”, informou a entidade.

Entre os setores que dependem de insumos importados, acrescentou a CNI, 18 deles também relataram dificuldade na aquisição de mercadorias. “Os setores mais afetados foram: farmacêuticos (88%), máquinas e materiais elétricos (86%), vestuário (85%), material plástico (84%), limpeza e perfumaria (82%), têxteis (81%), móveis (80%)”, informou.

Já na construção civil, o percentual de construtores que disse ter dificuldade para obter insumo e matéria-prima somou 75%.

Segundo o levantamento, 88% dos empresários consultados acreditam que a normalização de insumos só ocorrerá em 2022, e 9% das empresas esperam que haja normalização apenas em 2023. Nesse segmento, dos 27% que importam insumos, 80% deles sinalizaram dificuldades de acessar matérias-primas importadas.

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Fonte: G1