Sem consolidação fiscal, alta de juros perde eficiência, indica presidente do BC | Economia

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ADuas coisas tiram o sono do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto: a necessidade de uma vacinação eficiente para permitir a reabertura da economia e o descontrole fiscal.

Em evento realizado nesta terça-feira (30), Campos Neto afirmou que o Brasil “é o país mais endividado do mundo, só perde da Angola e da Líbia”, e que é preciso “um plano de consolidação fiscal”. Ele alertou que, sem isso, a política monetária [alta de juros] praticada pelo BC perde eficiência.

Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa de juros pela primeira vez desde 2015, para 2,75%, diante das persistentes pressões inflacionárias – em fevereiro, o IPCA acumulado em 12 meses avançou para 5,20%, e se aproximou do teto da meta do BC.

Campos Neto disse que vê a inflação ‘mais persistente e intensa’, mas reafirmou que tendência de alta no Brasil é temporária. O posicionamento já havia sido divulgado em comunicados oficiais da instituição.

Ele reconheceu, durante videoconferência, que esse movimento de alta é “mais persistente e intenso e começa a se propagar pela cadeia, influenciando os núcleos, acima dos patamares compatíveis com a meta [de inflação]”.

Segundo Campos Neto, o BC avaliou, ao subir o juro para 2,75% ao ano em março, que um “movimento mais forte e mais próximo” pode gerar uma elevação total menor. O mercado estima que o BC vai continuar subindo a taxa nos próximos meses, atingindo 5% ao ano no fim de 2021 e 6% ao ano no fechamento do ano que vem.

“Estávamos vendo uma disseminação tanto na cadeia de alimentos, quanto de materiais, em parte ainda por um grande movimento que entendemos que é temporário, mas entendíamos que, aliado ao fator de alta na inflação global, e alta de commodities, era importante que se freasse esse movimento o mais rápido possível”, disse.

Sobre a disparada do dólar, um dos vetores da inflação mais alta, o presidente do Banco Central avaliou que esse fenômeno também está relacionado, entre outros fatores, com a falta de confiança dos investidores no processo de ajuste das contas públicas brasileiras.

“Um fiscal pior começa a ter mais desvalorização, mas vem junto com movimento de alta das ‘commodities’ [produtos básicos com cotação internacional, como alimentos e petróleo]. É uma das primeiras vezes que a gente tem commodities subindo [em países exportadores de commodities, como o Brasil] com câmbio não apreciado, e o caso do Brasil é mais extremo porque depreciou [dólar subiu]. Isso significa que tem um peso fiscal que está contrabalançando o peso de ser exportador de commodities”, disse ele.

Campos Neto se mostrou preocupado com o processo de vacinação da população para possibilitar a reabertura da economia com segurança.

“Para todo o nosso cenário se concretizar [de alta de 3,6% no PIB em 2021], precisamos de uma reabertura da economia. Para isso, precisamos de uma vacinação que seja eficiente para que as pessoas voltem às suas vidas normais”, declarou.

Sistema de pagamentos do Whatsapp

O presidente do Banco Central também disse que, em sua visão, a “corrida do ouro”, em termos de inovações financeiras, vai ser juntar conteúdo, mensagens e sistemas de pagamentos.

“Se eu tenho isso, o Whatsapp vai ser aprovado em breve para fazer pagamentos no Brasil. Vejo um casamento entre mídia social e o mundo de finanças, controladores tem de entender como regular, enfrentar e o que significa para competição na sociedade”, declarou.

No mês passado, o WhatsApp informou que conversa com o Banco Central para ser aprovado como um “iniciador de pagamentos” para habilitar o seu sistema de transações financeiras no aplicativo. Esse modelo de instituição é nova, anunciada pelo BC em outubro de 2020.



Fonte: G1

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