Safra da cana começa mais lenta no Centro-Sul, com produção de etanol hidratado em baixa de 21,5% | Ribeirão Preto e Franca

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A safra 2022/2023 da cana-de-açúcar começou mais lenta do que o esperado na região Centro-Sul do país com uma moagem 35,8% inferior e uma produção 21,5% mais baixa de etanol hidratado – o utilizado como concorrente da gasolina nos postos, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Outro subproduto da cana, o açúcar teve queda de 50% no volume produzido.

As baixas iniciais contrapõem projeções de alta de especialistas para o ciclo e estão associadas ao menor número de usinas que entraram em operação: 180 contra 207 em 2021.

Com o resultado registrado em abril, 341 milhões de litros de etanol hidratado deixaram de ser produzidos, o que não favorece as expectativas de redução nos preços nos postos com o fim da entressafra. No estado de São Paulo, o litro ultrapassa os R$ 6,00 em algumas cidades, segundo a ANP.

Segundo a Unica, no entanto, o volume de produção deve se expandir em maio, quando mais 57 unidades devem iniciar a moagem no Centro-Sul.

No ciclo 2021/2022, o Centro-Sul teve a menor moagem de cana em dez anos, além da mais baixa produção de etanol dos últimos quatro anos em um cenário prejudicado por incêndios e geadas nas lavouras.

Safra da cana-de-açúcar: comparativo

Previsão para 2022/2023 é de alta, mas abaixo do resultado de 2020/2021

Fonte: Datagro/Unica

O acumulado até a segunda quinzena do mês passado registrou 29,11 milhões de toneladas de matéria-prima processada nas usinas que respondem por mais de 90% da produção nacional, diante de 45,3 milhões no mesmo período do ano passado.

A produtividade por área colhida teve um incremento simbólico de 1% – com 81,2 toneladas colhidas por hectare -, segundo estimativas do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), mas a qualidade da matéria-prima caiu 7,31%, com um rendimento de 108,46 kg de açúcares totais recuperáveis (ATRs) por tonelada.

Produção de etanol nas usinas do Centro-Sul

Veja os números referentes a abril de 2022

Fonte: Unica

Etanol e açúcar em baixa

Foco de 64,5% de toda a matéria-prima colhida, a produção total de etanol caiu 26,8%, com 1,49 bilhão de litros. Destes, 1,24 bilhão foram de etanol hidratado – em baixa de 21,5% – e 242,91 milhões foram correspondentes ao etanol anidro – usado na mistura com a gasolina -, o que representa uma queda de 45,7%.

A queda se contrapõe aos números do etanol de milho, que tem ganhado espaço no país e fechou abril com produção em alta de 17,9%. Foram 281 milhões de litros no período – valor não contabilizado no resultado total da Unica.

Com uma participação mais baixa em relação à safra passada – de 35,42% -, a produção de açúcar totalizada em abril foi de 1,06 milhão de toneladas, ou seja, 50,6% menor em comparação com o mesmo mês de 2021.

Planta de uma usina de etanol de milho em Mato Grosso — Foto: Secom-MT

As previsões iniciais, divulgadas em março em Ribeirão Preto (SP) no painel “Abertura de Safra”, promovido pela consultoria agrícola Datagro, indicam uma moagem total de 562 milhões de toneladas para o ciclo 2022/2023.

Isso representa 37 milhões a mais com relação a 2021/2022, que fechou com uma quebra de 13,6% e o menor resultado em 10 anos. A nova projeção, no entanto, pode ser menor se for afetada por fatores climáticos, além de questões como a preocupação com relação à infestação de pragas.

A produção de etanol esperada é de 29,8 bilhões de litros, um aumento de 7,5% proporcionado, em parte, pela elevação na participação do combustível derivado do milho – que de 3,4 bilhões passará a contabilizar 4,6 bilhões de litros.

Já o crescimento da produção de açúcar foi projetado em 2,8%, com um total de 33 milhões de toneladas.

Usina de cana-de-açúcar na região de Ribeirão Preto (SP) — Foto: Reprodução/EPTV

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Fonte: G1