Quituteiras de Gonçalves, em Minas Gerais, mantêm vivas as receitas passadas de geração em geração | Globo Rural

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O município de Gonçalves, em Minas Gerais, está catalogando as comidas típicas da região. São quitutes e quitandas que fazem parte da história de quem nasceu e cresceu na área.

O projeto de inventários dos pratos tradicionais de Gonçalves é encabeçado pela Secretaria de Cultura. A iniciativa é o primeiro passo para garantir que a tradição dos quitutes não se perca.

A ideia é preservar essas receitas, que são consideradas heranças deixadas pelos antepassados da população, como os povos escravizados, os bandeirantes e os tropeiros que passavam pela região e faziam essas comidas, explica Ivonete da Cruz, coordenadora do projeto.

Nas cozinhas de Minas Gerais, moram muitas palavras, entre elas: quitute, quituteira, fubá, palavras originárias das línguas dos grupos bantos, trazidas pelos escravizados vindos do Congo.

Nos sabores dos quitutes, essas pessoas guardam a memória do modo de ser de gerações que vieram antes delas e que sempre tiveram esse jeito de ser da roça, de ser da moda de viola, de ser das montanhas.

Virado de banana já foi vergonhoso

O virado de banana é uma das receitas que estão sendo inventariadas pelo patrimônio histórico da cidade.

No passado, a receita não era vista como algo nobre, mas sim como um alimento vergonhoso de ser oferecido para convidados, explica Álvaro Costa, secretário de cultura de Gonçalves. Hoje, o prato é símbolo de valorização da cultura.

O virado, de origem simples, se tornou acompanhamento de pratos requintados. O cozinheiro Vitor Pompeu, de uma das pousadas mais antigas e refinadas de Gonçalves, usa a receita como guarnição de uma refeição salgada.

Uma das quituteiras de Gonçalves, dona Rosa, relata que a receita do virado de banana foi ensinada a ela desde criança pela sua mãe. “Quando as crianças começaram a nascer e crescer, na roça não tinha o pão e a manteiga. Então a gente fazia o virado de banana”, diz.

A região de montanhas que formam a Serra da Mantiqueira, em São Paulo e Minas Gerais, era conhecida como o lugar da farinha de milho desde o século 18.

Até hoje, em qualquer quintal, em toda roça da Mantiqueira é fácil encontrar um milharal, com diversas variedades, como o milho crioulo, que nunca interessou à indústria e aos grandes produtores, mas que é preservado há séculos pelos índios guaranis.

As lavouras são em forma circular, assim como os povos originários plantavam o milho. Cada círculo possui uma destinação:

  • o primeiro grande círculo da roda externo é o milho que é oferecido aos espíritos;
  • o segundo serve para alimentar os animais;
  • o terceiro é para os humanos;
  • e o centro da roda, onde as espigas são mais protegidas, são os milhos plantados para as sementes.

Saiba mais na reportagem completa no vídeo acima.

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Fonte:G1