Produtores do Sul buscam soluções para reduzir impactos da seca | Globo Rural

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Construção de cisternas, recuperação de nascentes, distribuição de água em caminhões…produtores estão adotando medidas simples e eficientes para minimizar os impactos da seca severa que atinge o Sul do país.

Ao longo dos últimos três anos, a região vem passando por uma forte estiagem, resultado do aquecimento global e do fenômeno La Niña, que provoca uma redução das chuvas em todo o sudeste da América do Sul, explica o pesquisador da Embrapa Gilberto Cunha.

Para driblar essa situação, o criador Roque Gasparetto, por exemplo, construiu, há 10 anos, uma cisterna com capacidade para 800 mil litros de água em sua propriedade, em Santa Catarina. Naquela época, esse tipo de reservatório ainda era novidade no estado.

A cisterna funciona assim: a chuva que cai no telhado dos galpões das granjas de aves e porcos é captada por calhas e segue por canos de PVC até os reservatórios (veja no vídeo acima como são construídas).

Em um primeiro momento, Gasparetto não acreditou no sistema, mas, desde a instalação desta, ele e sua família nunca mais passaram aperto por falta de água.

“Sem a cisterna, não teria condições de tocar, pelo menos, a avicultura. […] Se não tivesse ela [a cisterna], em algumas épocas do ano, teria que parar”, diz o criador.

Cisterna como política pública

A construção de cisternas se tornou uma política pública em Santa Catarina. Um reservatório de 1 milhão de litros, por exemplo, custa cerca de R$ 85 mil. O produtor rural consegue 100% desse valor emprestado de bancos credenciados e tem um ano para começar a pagar.

Depois, o valor é dividido em quatro parcelas anuais. Se pagar tudo em dia, tem 50% de desconto e a dívida de R$ 85 mil cai para R$ 42,5 mil.

Quem elabora os projetos são os técnicos da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de SC (Epagri). No ano passado, o órgão fez 3 mil projetos e investiu mais de R$ 120 milhões em recuperação, proteção, armazenamento e distribuição de águas.

“No nosso entendimento, são esses investimentos que vão dar, a médio e longo prazo, uma segurança maior para que o agricultor continue desenvolvendo suas atividades de maneira mais eficiente nas propriedades”, diz Mário Aléssio, gerente da Epagri.

Recuperação de nascente

Por outro lado, nem toda a propriedade pode ter uma cisterna. É o caso do sítio do criador Cleberson Palaoro. Ele tem 70 vacas em lactação e precisa de, pelo menos, 15 mil litros de água por dia para os animais.

Quando a água começou a faltar, ele decidiu construir um reservatório, porém encontrou uma rocha e teve que adaptar o sistema. Ele passou a armazenar a água em caixas de fibra de vidro.

Cleberson também decidiu recuperar uma nascente abandonada da propriedade. Ele a limpou para encontrar o olho d’água, cobriu com pedras e colocou um dreno. Por gravidade, a mina enche as grandes caixas de fibra.

“O projeto agora aqui é plantar árvores, fazer uma arborização, uma preservação da nascente para manter essa fonte que a gente tem, que é um tesouro escondido”, diz Cleberson.

Esse tesouro rende 18 mil litros de água por dia, mesmo durante a estiagem. “…Sem custo basicamente, porque o custo que você tem é fazer esse modelo […]. Acho que sustentabilidade é o futuro, então, cada vez mais, é uma bandeira a ser levada a sério”, diz o criador.

Em outras localidades, como no município de Quilombo, a prefeitura está distribuindo água para os produtores em caminhões.

“O agricultor entra em contato com a secretaria, deixa o nome, o pedido […] e a gente programa a ordem de carregamento e a distribuição de água para cada propriedade, de acordo com a demanda e a necessidade de cada um”, diz Leonir Dalssaço, secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Quilombo.

Cada caminhão da prefeitura consegue transportar 12 mil litros de água. Para atender os produtores rurais da região, são necessárias, pelo menos, 30 viagens por dia.

Do final de 2019 para cá, o município de Quilombo já entregou 37 milhões de litros de água para cerca de 310 produtores rurais da cidade.

Saiba mais na reportagem completa no vídeo acima.

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Fonte:G1