
Não é só a Copa do Mundo que vai agitar os EUA em junho. Este mês marca uma grande mudança regulatória no mercado local que deve impactar outros países em breve: o modelo de Pattern Day Trader (PDT) sofrerá grandes modificações que permitirão uma maior entrada de investidores.
O PDT foi criado pela FINRA, órgão regulador do mercado financeiro nos EUA, que estipulou um saldo mínimo de US$ 25 mil exigido para investidores realizarem operações frequentes de day trade, aquelas em que a compra e a venda de um ativo acontecem no mesmo dia. Com as mudanças, esse saldo caiu para US$ 2 mil. Até então, contas abaixo do limite antigo podiam executar apenas três operações de day trade em um período móvel de cinco dias úteis.
Embora as corretoras americanas tenham até um ano e meio para se adequar às novas regras, algumas plataformas voltadas ao varejo já adotaram a nova estrutura neste mês. É o caso da Webull, que atende mais de 27 milhões de usuários registrados em todo o mundo.
“O PDT era uma regra que existia há décadas e que bloqueava especificamente o day trade em ações. Opções e futuros nunca tiveram essa restrição. O que mudou agora é que o trader que tinha menos de US$ 25 mil em conta margem está livre”, afirmou o dominicano Ruben Guerrero, CEO da Webull Brasil e Head da Webull Latam. Criado nos EUA, onde atuou no Goldman Sachs, Guerrero se radicou no Brasil e já atua como CEO da plataforma há três anos.
Ele destaca que a plataforma já sente as mudanças. “O efeito foi imediato. A gente viu um salto expressivo no número de pessoas operando e nos volumes negociados em renda variável. E esse movimento transbordou para opções e futuros também, já que o desbloqueio trouxe mais traders ativos para o mercado como um todo”, disse.
A conta margem, citada pelo executivo, é um tipo de conta destinada principalmente a traders com experiência avançada que permite a realização de operações alavancadas, ou seja, com dinheiro “emprestado” pela corretora. No caso da Webull, por exemplo, a alavancagem é de quatro vezes o poder de compra em day trade e de duas vezes de um dia para o outro. Usando um exemplo prático, se um usuário tem US$ 2 mil de patrimônio, sendo US$ 1 mil investido em ativos e US$ 1 mil de saldo na sua conta margem, ele pode realizar operações de day trade de até US$ 8.000. Ou seja, ela aumenta o poder de compra dos usuários, sem que eles precisem liquidar seus ativos.
“Nossa prioridade é garantir que os clientes possam se beneficiar dessas mudanças nas regras do day trade desde o primeiro dia, usufruindo da acessibilidade e das possibilidades que a conta margem oferece, aliadas às ferramentas avançadas, aos dados em tempo real e ao acesso completo aos produtos americanos que a Webull oferece”, enfatizou o CEO.
Outra mudança significativa que vem com essa nova regra é que os lucros realizados serão imediatamente creditados ao poder de compra intradiário do usuário (intraday buying power). Isso permite que os investidores realoquem capital ao longo da mesma sessão de negociação, possibilitando uma resposta muito mais rápida às oportunidades de mercado.
De acordo com Guerrero, o limite de US$ 25 mil era especialmente pesado para os traders brasileiros por causa do valor do dólar no País. “Multiplica por cinco, estamos falando de mais de R$ 125 mil só para ter o direito de fazer day trade em ações americanas. Isso excluía uma parcela enorme de traders que tinham conhecimento e interesse, mas não tinham esse capital parado em uma conta”, comemorou o executivo.
“Todas as barreiras que existiam para o brasileiro acessar o mercado americano foram caindo. Na minha opinião, o PDT era a última, e o trader ativo brasileiro que se beneficia diretamente do fim dela é exatamente o perfil que a Webull atende”, disse.







