OCDE eleva previsão para o PIB brasileiro, mas vê inflação de 5,1% em 2026

OCDE eleva previsão para o PIB brasileiro, mas vê inflação de 5,1% em 2026

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) elevou de 1,6% para 2% sua projeção de crescimento para o Brasil em 2026. A revisão consta do relatório divulgado em 23 de setembro, que também reduziu de 2,1% para 1,9% a estimativa de expansão da economia brasileira em 2027.

A melhora na previsão para este ano vem acompanhada de uma perspectiva de inflação mais alta. A OCDE espera que os preços ao consumidor subam 5,1% em 2026, ante os 5% calculados anteriormente. Para 2027, a projeção é de desaceleração para 4,3%.

Segundo a organização, a demanda interna ajudou a sustentar a atividade em economias emergentes como Brasil, Índia e Indonésia. Medidas adotadas pelos governos também amorteceram parte do efeito da energia mais cara sobre famílias e empresas. No caso brasileiro, a OCDE prevê novas reduções dos juros à medida que a inflação perder força.

Ao apresentar o relatório, o economista-chefe da OCDE, Stefano Scarpetta, afirmou que o desempenho mundial no primeiro semestre superou as expectativas, mas apontou limites para os próximos meses. “As tensões persistentes no Oriente Médio, os preços elevados da energia e o aumento da incerteza pesam sobre as perspectivas para 2027”, escreveu em relatório sobre as novas projeções.

A entidade elevou de 2,8% para 2,9% sua previsão de crescimento global em 2026 e reduziu de 3,1% para 3% a estimativa para 2027. Investimentos ligados à inteligência artificial e a adaptação do mercado de petróleo ajudaram a conter a desaceleração causada pelo conflito no Oriente Médio.

“O crescimento global resistiu melhor do que o esperado, mas as reservas que absorveram o choque energético estão se esgotando. O crescimento está mais fraco do que no ano passado e a inflação voltou a subir”, acrescentou o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann.

Uma interrupção prolongada no fornecimento de energia continua entre os principais riscos apontados pela organização. Scarpetta também alertou que o avanço dos investimentos em inteligência artificial pode ampliar os riscos financeiros caso os retornos fiquem abaixo do esperado. Para o economista, “a economia global mostrou resiliência, mas os riscos de piora se intensificaram.”

 

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