Número de agrotóxicos registrados em 2020 é o mais alto da série histórica; 96% são genéricos, diz governo | Agronegócios

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O Brasil aprovou o registro de 493 agrotóxicos em 2020, sendo a maioria produtos genéricos, isto é, que se baseiam em outros existentes. É o maior número documentado pelo Ministério da Agricultura, que divulga esses dados desde 2005.

O volume é 4% superior ao de 2019, quando foram liberados 474 pesticidas — um recorde até então. Os registros vêm ano a ano no país desde 2016.

Segundo divulgou o ministério nesta quinta-feira (14), foram liberados:

  • 18 pesticidas inéditos (3,6% do total), sendo 5 princípios ativos novos e 13 produtos finais (que foram para as lojas) baseados nesses ingredientes;
  • 475 genéricos (96,3%), que são “cópias” de princípios ativos inéditos — que podem ser feitas quando caem as patentes — ou produtos finais baseados em ingredientes já existentes no mercado.

Registro de agrotóxico em 2020. — Foto: Arte/G1

Os últimos registros de 2020

Nesta quinta, o Ministério da Agricultura liberou o registro de 32 agrotóxicos para utilização industrial, ou seja, produtos que serão usados como matéria-prima na elaboração de pesticidas para os agricultores. A divulgação se refere aos últimos registros autorizados em 2020.

Embora os 32 produtos liberados tenham saído no Diário Oficial da União em 2021, o ato é do dia 28 de dezembro de 2020.

De todos os produtos, 29 são genéricos e 3 são inéditos: tolfenpirade, fenpirazamina e o thiencarbazone-metil.

O tolfenpirade, um inseticida e herbicida usado para o controle de pragas que sugam a seiva da planta, já teve seus produtos formulados autorizados para o uso de agricultores. Na última segunda (11), o componente foi autorizado quando o governo liberou 56 agrotóxicos.

Fenpirazamina é um fungicida que pode ser utilizado em culturas de feijão e soja. Completando os novos ativos químicos, o thiencarbazone-metil é um herbicida com utilização em milho, trigo, grama e plantas ornamentais.

Entre as substâncias genéricas liberadas está o fungicida dimetoforme, com 5 registros. O princípio ativo tem registro para diversas culturas, entre elas batata, tomate e uva. Outro produto genérico registrado é o clorpirifós, um inseticida, com 4 registros.

Pela legislação brasileira, tanto produtos biológicos utilizados na agricultura orgânica quanto químicos utilizados na produção convencional são considerados agrotóxicos.

Novo método de divulgação

O governo alterou a forma de divulgação do registro de agrotóxicos em 2019. Até então, o ministério anunciava a aprovação dos pesticidas para a indústria e para os agricultores no mesmo ato dentro do “Diário Oficial da União”.

A sistema passou a levar em conta a aprovação dos dois tipos de agrotóxicos: os que vão para indústria e os que vão para os agricultores.

Como reduzir os resíduos de agrotóxicos antes de comer frutas, legumes e verduras

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O Ministério da Agricultura explicou que a publicação separada de produtos formulados (para os agricultores) e técnicos (para as indústrias) tem como objetivo “dar mais transparência sobre a finalidade de cada produto”.

“Assim, será mais fácil para a sociedade identificar quais produtos efetivamente ficarão à disposição dos agricultores e quais terão a autorização apenas para uso industrial como componentes na fabricação dos defensivos agrícolas”, completou o ministério, na época.

O aval para um novo agrotóxico no país passa por 3 órgãos reguladores:

  • Anvisa, que avalia os riscos à saúde;
  • Ibama, que analisa os perigos ambientais;
  • Ministério da Agricultura, que analisa se ele é eficaz para matar pragas e doenças no campo. É a pasta que formaliza o registro, desde que o produto tenha sido aprovado por todos os órgãos.

Tipos de registros de agrotóxicos:

  • Produto técnico: princípio ativo novo; não comercializado, vai na composição de produtos que serão vendidos.
  • Produto técnico equivalente: “cópias” de princípios ativos inéditos, que podem ser feitas quando caem as patentes e vão ser usadas na formulação de produtos comerciais. É comum as empresas registrarem um mesmo princípio ativo várias vezes, para poder fabricar venenos específicos para plantações diferentes, por exemplo;
  • Produto formulado: é o produto final, aquilo que chega para o agricultor;
  • Produto formulado equivalente: produto final “genérico”.

VÍDEO: últimas notícias sobre agrotóxicos



Fonte: G1

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