Novembro termina com chuvas abaixo da média em todos os reservatórios que abastecem a Grande SP | São Paulo

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O mês de novembro teve chuvas abaixo da média em todos os reservatórios que abastecem a região metropolitana de São Paulo. No caso do Sistema Cantareira, o déficit foi de 25%. A falta de chuvas preocupa especialistas, que acreditam que pode faltar água nas casas no ano que vem.

Novembro é tradicionalmente o quarto mês mais chuvoso no Cantareira e o déficit de chuvas foi de 25%. Já no São Lourenço, o déficit chegou a 79% (veja tabela abaixo).

Os números são da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Nesta terça-feira (30), o Cantareira operava com 26% de seu volume. O número está abaixo dos 31,8% do mesmo dia 30 de novembro de 2013, ano pré-crise hídrica.

Já o volume total de água acumulado em todos os reservatórios que abastecem a região metropolitana de São Paulo era de 716,16 hm³ nesta terça-feira e de 833,38hm³ em 2013. Atualmente temos, portanto, 14% menos água armazenada do que em 2013.

A comparação com 2013 é importante porque no ano seguinte houve crise de abastecimento na Grande São Paulo, o que pode apontar que estamos no ano anterior a uma nova crise de abastecimento, de acordo com o especialista em gestão de recursos hídricos e professor de pós-graduação em ciência ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo (USP) Pedro Luiz Côrtes.

“Estamos em uma situação pior do que estávamos em novembro de 2013, na antessala da crise hídrica anterior. Já está configurada a situação de crise no abastecimento. A Sabesp já está adotando a redução da pressão nas casas por um período maior, embora não admita que isso seja em decorrência do cenário atual. Os prognósticos climáticos vêm se confirmando ao longo de toda essa crise e, segundo eles, não há perspectiva de melhora significativa na disponibilidade de água até a metade de 2022. Portanto, a situação de crise no abastecimento deve persistir.”

Além do Cantareira, os outros sistemas que abastecem a Grande São Paulo são: Alto Tietê, Guarapiranga, Cotia, Rio Grande, Rio Claro e São Lourenço. Juntos, eles abastecem 21 milhões de pessoas.

Veja abaixo o déficit de chuvas em cada manancial:

Novembro tem chuvas abaixo da média em todos os reservatórios da Grande SP

Reservatório Percentual de chuvas abaixo da média em novembro de 2021(em pontos percentuais)
Sistema Cantareira -25
Alto Tietê -59
Guarapiranga -26
Cotia -38
Rio Grande -50
Rio Claro -56
São Lourenço -79

Historicamente, novembro é o quarto mês mais chuvoso do Sistema Cantareira, com uma média de 149 mm. Porém, só choveu 111,6 mm em todo o mês, uma diferença de 32,4mm.

O Cantareira é o maior reservatório da região metropolitana de São Paulo e abastece 7,2 milhões de pessoas. Atualmente ele opera em faixa de restrição, ou seja, com volume útil acumulado igual ou maior que 20% e menor que 30%, de acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA).

Para ser considerado normal, o volume do manancial tem de estar com pelo menos 60% de sua capacidade.

Na prática, a mudança de faixa de alerta para o de restrição diminui a quantidade de água que Sabesp pode retirar do reservatório. Depois da fase de alerta, a próxima é chamada de fase especial, quando o sistema tem volume útil menor que 20%.

O baixo nível do Cantareira já mudou a operação da Sabesp, que reconhece a redução da pressão nas casas por um período maior. Com isso, relatos de torneiras secas em casa cada vez mais cedo têm se multiplicado entre os moradores da capital e região metropolitana.

E a tendência é que esse cenário se agrave, já que a tendência é que o verão seja mais seco, de acordo com Côrtes.

“O nível atual do Sistema Cantareira é o mais baixo desde o início de março de 2016, quando estávamos saindo da crise hídrica anterior. Isso mostra a gravidade da situação atual. Além disso, o déficit de chuvas verificado em novembro em todos os sistemas produtores confirma o que os prognósticos climáticos apontavam: as chuvas do início da primavera vão diminuindo à medida em que nos aproximamos do verão. O período primavera-verão terá chuvas abaixo da média e a recomposição do nível dos mananciais ficará prejudicada.”

Em julho de 2014, quando houve a crise hídrica, o Sistema Cantareira chegou a zero. Abaixo dele, havia o volume morto, que não foi projetado, originalmente, para uso.

Trata-se de uma reserva com 480 bilhões de litros de água situada abaixo das comportas das represas do Cantareira. A Sabesp passou a operar bombeando água do volume morto. Até então, essa água nunca tinha sido usada para atender a população. Em outubro de 2014, o volume do Cantareira chegou a 3,6%.

Nível de água do Sistema Cantareira continua baixo mesmo com a chuva

Nível de água do Sistema Cantareira continua baixo mesmo com a chuva

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Fonte:G1