‘Nosso maior desafio é fazer as mulheres acreditarem que são capazes’, conta criadora de startup social na área de tecnologia | PME

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A peruana Mariel Reyes Milk tomou uma decisão quando já morava no Brasil há alguns anos: pedir demissão e abrir um negócio próprio com impacto social. A escolha foi ajudar mulheres sem recursos financeiros a entrar em um setor ainda liderado por homens, o de tecnologia.

Economista de formação, Mariel trabalhou no Banco Mundial por 10 anos. Quando decidiu empreender no setor social não sabia o que fazer.

A ideia surgiu quando viu a dificuldade do marido, que começava uma startup no Brasil, em achar profissionais programadores no mercado, principalmente programadoras mulheres.

“Isso me incomodou muito. Como nós mulheres, mais de 50% da população, não estávamos criando soluções para o mundo?”, questionou na época.

Foi assim que, em 2015, reuniu oito voluntários para formular um curso e dar aulas na área de tecnologia. Aos poucos, novos parceiros foram surgindo.

Alguns meses depois, nasceu a Reprograma, iniciativa que ensina programação para quem não tem recursos para aprender a programar.

Carla de Bona e Fernanda Faria, que estavam entre as voluntárias, se tornaram cofundadoras do negócio.

Mariel Reyes Milk criou iniciativa que ensina mulheres a programar de forma gratuita — Foto: Arquivo pessoal

“Nossa missão é mudar a realidade e mostrar para startups, empresas e até mesmo para as próprias mulheres que a tecnologia é, sim, lugar para as mulheres”, conta Mariel.

Qualquer mulher que tenha interesse em tecnologia, mas nunca teve oportunidade ou recursos para estudar, pode participar dos programas da Reprograma gratuitamente.

A empresa foca em dois pilares: capacitação técnica, com treinamentos rápidos, e capacitação profissional, para ajudar essas mulheres a conseguir um emprego.

“Só o fato de ser mulher já é um desafio. Precisamos ajudá-las nesse processo”, afirma Mariel.

A Reprograma já formou mais de 700 mulheres em turmas de seu bootcamp, uma espécie de treinamento intensivo. Depois de seis meses, 84% delas conseguem emprego, com média salarial de R$ 4 mil, segundo Mariel.

A empreendedora social conta que 80% das mulheres da turma são negras e 2% trans. O foco é atrair mais mulheres trans.

“Se você quiser atrair mulheres, principalmente as trans e da periferia, você tem que adaptar sua linguagem. É um problema social e cultural”, diz Mariel.

Veja abaixo alguns trechos da entrevista do G1 com Mariel Reyes Milk.

“Temos que mudar a forma como a sociedade percebe as capacidades de mulheres com relação a área de tecnologia”.

Para Mariel, é preciso dar oportunidade para que essas mulheres entendam que elas podem ser boas na área de exatas.

“Nosso maior desafio não é ensinar as mulheres a programar, é fazê-las acreditar que elas são capazes”.

Mariel pediu demissão para abrir um negócio com impacto social — Foto: Arquivo pessoal

“Sempre foi comum ter comerciais, por exemplo, mostrando o menino brincando com computador e a menina com uma boneca”, diz a empresária.

“A construção social levou as meninas a não se interessarem por tecnologia”.

É possível ver o resultado disso em alguns números. Apenas 4,7% das startups, empresas com base em tecnologia, são fundadas por mulheres, segundo pesquisa das empresas Distrito, Endeavor e B2Mammy.

E a mão de obra feminina representa menos de um terço da força de trabalho em TI, de acordo com a Mastertech, escola na área de tecnologia.

“Precisamos trabalhar com empresas, mas também com as famílias, com meninos e meninas, para fazer essa mudança acontecer”.

Mas como fazer isso de forma efetiva?

“É preciso dar as mesmas oportunidades sociais, econômicas, de saúde e educação para homens e mulheres”.

Conselho para quem quer empreender

A palavra chave para Mariel é paciência.

“Nem sempre vai dar certo, você vai errar e aprender muito rápido com os erros. Depois, é analisar o que você aprendeu e como pode melhorar”.

“Quando as pessoas percebem o que realmente você quer fazer e porquê, você ganha ajuda para que lutem junto com você”, diz Mariel.

“Antes, as empresas me perguntavam por que eu tocava esse projeto, hoje me perguntam como podem participar dele”.

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Fonte: G1

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