‘Não existe mala despachada de graça’, diz CEO de empresa aérea de baixo custo | Blog Ana Flor

Share on facebook
Share on twitter
Share on telegram
Share on whatsapp

Em entrevista ao blog, o CEO da empresa aérea JetSMART, Estuardo Ortiz, disse que “não existe mala despachada de graça” e que qualquer item que seja incluído na passagem aérea, “em especial bagagem”, “vai fazer a tarifa aumentar”.

A JetSMART é uma empresa área de baixo custo (ultra low cost) que atua na América Latina e avalia entrar no mercado brasileiro. A companhia chega a ter tarifas domésticas no Chile a apenas US$ 15.

A volta do do despacho gratuito de bagagens em voos vem sendo discutida no Congresso Nacional. A regra que prevê o restabelecimento da franquia gratuita de bagagens nos voos comerciais que operam no Brasil foi incluída pela Câmara dos Deputados em uma medida provisória sobre o setor aéreo.

Câmara aprova volta do despacho gratuito de bagagem com até 23 kg em voos

Na terça-feira (17), o Senado aprovou o trecho incluído pela Câmara. Para começar a valer, a regra ainda depende da sanção do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Estuardo Ortiz afirma que obrigar o despacho de bagagem incluso na tarifa aérea vai aumentar o preço das passagens. Segundo ele, 35% a 50% dos passageiros não levam bagagem despachada, e todos irão pagar a mais se a mudança em análise no Congresso entrar em vigor.

Veja a entrevista completa

Pergunta: A volta da obrigatoriedade da bagagem despachada sem custo para o consumidor pode afastar empresas low cost do Brasil?

Estuardo Ortiz: A tarifa mais baixa existente é aquela que inclui apenas o transporte de um ponto a outro. Qualquer outro item que você inclua, em especial bagagem, vai fazer a tarifa aumentar. No mundo todo as passagens mais baratas não incluem bagagem. De 35% a 50% dos passageiros não levam bagagem despachada, então se o despacho passa a ser gratuito e obrigatório, todos os passageiros que não despacham passam a pagar por algo que eles não precisam.

Para uma empresa ultra low cost, é crucial para o modelo de negócio que o consumidor possa decidir se quer pagar ou não pelo despacho. É a única forma deste modelo de negócio permitir passagens a custo muito baixo. Se a regulação no Brasil incluir despacho gratuito obrigatório, não apenas vai impedir a entrada de empresas ultra low cost no Brasil, mas vai aumentar os preços de forma permanente para os brasileiros e obrigar as empresas aéreas que estão no Brasil a aumentar tarifas. Isto pode ter um impacto muito negativo para todos os viajantes no Brasil.

Os preços de passagens aéreas respondem a concorrência. Quanto maior a competição, mais baixa a tarifa. Medidas como a em estudo no Congresso só reduzem a concorrência e aumentam os preços a serem pagos pelos brasileiros.

Pergunta: Por que as bagagens aumentam o preço das passagens?

Estuardo Ortiz: Bagagem é um item caro de se se transportar e portanto é justo que o passageiro tenha o direito de pagar ou não por ela. Por exemplo: uma família de cinco pessoas pode escolher levar apenas duas malas. Por que cobrar por 5 então? Lembrando que quando é obrigatório o despacho sem custos, todos pagam.

Se uma pessoa viaja um dia a trabalho, porque pagar pelo custo do direito de despachar bagagem? Não existe mala despachada de graça. Bagagens têm um custo substancial, porque precisam passar pelo checkin, levadas para a aeronave, seu peso faz o avião consumir mais combustível, que é o item mais caro de uma empresa aérea.

As malas ainda precisam ser tiradas do avião e levadas para a área de retirada pelos passageiros. Se o despacho é incluído em todas as tarifas, então os preços precisam subir. Ao invés de ser algo positivo para os consumidores, vai ter um impacto negativo para todos os passageiros brasileiros. O mundo todo está indo na direção das tarifas desagregadas, que permitem aos consumidores decidirem por eles próprios o que querem agregar à passagem e pagar.

VÍDEOS: veja notícias de economia

Fonte: G1