Muito além da sopa de letrinhas | Inteligência Financeira

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Sabe quando você está lendo uma reportagem sobre investimentos e precisou pesquisar o significado de uma sigla, tipo Copom, Selic ou CDB? Olha, se respondeu timidamente pra si mesmo que sim e depois ficou com aquela sensação de frustração, relaxe. O mundo dos investimentos tem mesmo essa particularidade de usar inúmeras siglas e lembrar o significado de todas é um desafio. Mas diferentemente de uma sopa de letrinhas, cada uma delas tem sua razão de ser. Quer ver só?

“O Comitê de Política Monetária divulgou, nesta semana, o aumento de 1,5% na taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, elevando-a para 9,25%, o maior índice registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística desde 2017. A medida foi tomada com o objetivo de conter a inflação, uma vez que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo está em 10,67% no acumulado de 12 meses até outubro”.

Conseguiu identificar quantas siglas? Com o uso delas, o texto ficaria assim:

“O Copom divulgou, nesta semana, o aumento de 1,5% na Selic, elevando-a para 9,25%, o maior índice registrado pelo IBGE desde 2017. A medida foi tomada com o objetivo de conter a inflação, uma vez que o IPCA está em 10,67% no acumulado de 12 meses até outubro”.

Percebe a diferença? Enquanto na primeira versão temos 69 palavras, na segunda são 48, uma redução de quase 50%. Agora, imagine-se lendo uma reportagem sobre investimentos em que as siglas são substituídas pelos seus significados. Se usarmos o padrão do nosso exemplo, elas seriam mais ou menos 50% maiores. A compreensão ficaria mais difícil não apenas pelo tamanho do texto, como também pela falta de marcadores que facilitam a identificação rápida da informação.

Maravilha, mas de nada adianta identificar as siglas se não conhecemos seus significados, não é mesmo? É exatamente nesse ponto que a gente quer ajudar: explicando o significado das principais siglas e uma breve explicação sobre elas. A gente sabe que ler uma vez, apenas, não vai resolver a questão, mas aos poucos você pode ir se familiarizando. E pra facilitar um pouco mais, separamos as siglas em 3 grupos: ativos, definições e taxas e índices. Bora dar uma olhada?

ATIVOS FINANCEIROS OU SIMPLESMENTE ATIVOS

São os produtos financeiros que podem ser negociados por você. Os principais são os títulos públicos, títulos privados e ações.

CDB – Certificado de Depósito Bancário

É um título de renda fixa emitido por bancos. Funciona como um empréstimo a um banco com um prazo predeterminado e cuja taxa de remuneração varia de CDB para CDB.

CRA – Certificados de Recebíveis do Agronegócio

Títulos de renda fixa lastreados em recebíveis originados de negócios entre produtores rurais, ou suas cooperativas, e terceiros, abrangendo financiamentos ou empréstimos relacionados ao setor.

CRI – Certificado de Recebíveis Imobiliários

São títulos emitidos por companhia securitizadora, lastreados nos fluxos de recebíveis originados por financiamento imobiliário.

LCA – Letra de Crédito do Agronegócio

Ativo de renda fixa, emitido por instituições financeiras públicas e privadas. Na prática, ao investir em LCA, você estará emprestando dinheiro para o agronegócio.

Título do Tesouro Direto (ok, não é sigla, mas a gente gosta de explicar)

O Tesouro Direto é um programa criado entre o Tesouro Nacional e a B3 (Bolsa de Valores oficial do Brasil). É pelo Tesouro que investidores podem comprar e vender títulos públicos, tornando-se assim, credores do governo federal. Existem três tipos:

Tesouro Prefixado: tem taxa de juros estabelecida na hora em que o investidor faz a aplicação.

Tesouro IPCA+: título que remunera a variação da inflação (o IPCA, que é o Índice Nacional de Preços ao consumidor amplo) mais uma taxa adicional, por exemplo, IPCA+3,12% ao ano. O investidor pode resgatar antes do prazo, mas a rentabilidade pode ser maior ou menor do que a contratada.

Tesouro Selic: título que acompanha taxa de juros básica da economia. É o mais estável, e o investidor não corre riscos de perdas se fizer resgate antecipado. Rende mais do que a poupança e CDBs que paguem menos que 100% do CDI.

LTN – Letra do Tesouro Nacional

Título de responsabilidade do Tesouro Nacional, emitido para a cobertura de déficit orçamentário, exclusivamente sob a forma escritural, no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC). É um título de rentabilidade prefixada.

DEFINIÇÕES DO MERCADO FINANCEIRO

Algumas das siglas mais usadas no mercado financeiro e que, por isso mesmo, você deve conhecer.

AAI – Agente autônomo de investimentos

Profissional apto a atuar no mercado financeiro em nome de terceiros. Ele pode trabalhar sozinho ou em conjunto com outros agentes, formando um escritório de AAIs.

BI – Banco de Investimento

Instituições financeiras especializadas em operações estruturadas, emitindo ativos como debêntures, e prestando assessoria financeira, como nos processos de abertura de capital na Bolsa de Valores.

Prazos de resgate de investimentos, considerando apenas dias úteis. As siglas representam a quantidade de dias para o dinheiro cair na conta do investidor.

ESG – Environmental, Social, Corporate Governance

Empresas com as melhores práticas para questões ambientais, sociais e de governança são consideradas empresas ESG.

IPO – Initial public offering

Processo em que uma empresa privada decide abrir o capital e tem as suas ações vendidas pela primeira vez em Bolsa de Valores.

Nasdaq – National Association of Securities Dealers Automated Quotations

Bolsa de Valores localizada em Nova York, nos Estados Unidos. Pelo seu volume de negociações, é considerada uma das maiores do mundo.

Eles são os parâmetros do mercado financeiro. Em outras palavras, os oráculos que todo mundo precisa consultar antes de tomar uma decisão econômica

TAXA SELIC – Taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia

É a taxa básica de juros da economia e é por ela que o Banco Central controla a inflação. A Selic influencia os juros que são cobrados em empréstimos e financiamentos – e ela ainda baliza os investimentos.

CDI – Certificado de Depósito Interbancário

Parâmetro para grande parte dos investimentos de renda fixa e termômetro para quase todas as aplicações no Brasil.

CDS – Credit default swap ou risco-país

O CDS é um contrato derivativo que funciona como um seguro para quem empresta dinheiro. Por levar em sua precificação o risco de inadimplência do tomador do empréstimo, o CDS é muito usado como termômetro para o risco de um país.

DI – Depósito Interbancário

Referência para grande parte dos investimentos de renda fixa. Média do custo de empréstimos realizados entre bancos, via CDI, que acompanha a Selic. Geralmente, o DI equivale à Selic descontada de 0,10 ponto percentual.

ETF – Exchange Traded Fund

Fundo negociado em Bolsa. Ele replica o desempenho de índices como Ibovespa e Nasdaq e também são chamados de fundos de índice.

IGP-M – Índice Geral de Preços do Mercado

Indicador de inflação que baliza, por exemplo, os contratos de aluguel.

IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo

Índice que mede a inflação de um conjunto de produtos e serviços comercializados no varejo, referentes ao consumo pessoal das famílias.

IOF – Imposto sobre Operações Financeiras

Imposto federal que incide sobre determinadas operações financeiras da população

Índice aplicado para a correção monetária em alguns ativos financeiros, poupança e no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço.

E aí, curtiu conhecer um pouco mais sobre o significado dessas siglas? Percebeu como saber a importância delas ajuda na memorização e no aprendizado? Pois é, mas se você quer aprender mais sobre elas e muitas outras, acesse a Inteligência Financeira e tenha uma verdadeira aula sobre economia e, claro, de um jeito que você entende.



Fonte: G1