Ministério da Agricultura registra 2 componentes inéditos e mais 46 genéricos usados na formulação de agrotóxicos | Agronegócios

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O Ministério da Agricultura liberou mais 48 agrotóxicos para utilização industrial, ou seja, produtos que serão usados como matéria-prima na elaboração de pesticidas para os agricultores, segundo publicação do Diário Oficial do dia 19. Dois deles são inéditos e 46 são genéricos.

No total, o governo já autorizou o uso de 358 defensivos químicos este ano: 138 princípios ativos usados na fabricação de pesticidas e 220 produtos prontos, que vão para uso direto do agricultor. Estes últimos são chamados também de produtos formulados.

Os dois agrotóxicos inéditos são os fungicidas ametoctradina e isofetamida.

O primeiro é usado para combater a requeima e a míldio, uma doença que faz a folha das plantas mofarem e pode levar até a sua queda prematura. De acordo com o Ibama, o ametoctradina é considerado um “Produto Perigoso ao Meio Ambiente”. O pesticida não possui classificação toxicológica na Anvisa.

Já o isofetamida é usado para o controle de mofo-branco e mofo-cinzento. Ele é considerado um “Produto Muito Perigoso ao Meio Ambiente” e também não possui classificação na Anvisa.

Os dois pesticidas possuem autorização nos Estados Unidos e na União Europeia. Nos EUA, o ametoctradina é classificado como “Não é provável que seja cancerígena para humanos”.

E o isofetamida, apesar de não demonstrar risco às plantas, apresentou “potencial risco crônico a pássaros”.

Entre os produtos genéricos, 7 se destacam por usarem o componente dicamba, que é um herbicida hormonal que acelera a maturação das lavouras e tem sido muito debatido por ter maior propensão a volatilizar, evaporar, o que, junto a um vento forte, pode levar o químico para plantações vizinhas.

Por este motivo, o defensivo pode causar um envelhecimento precoce das folhas de outras plantações.

Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) expressou preocupação com o uso de uma semente de soja resistente ao herbicida dicamba. Para a entidade, o Ministério da Agricultura deveria implementar uma “regulamentação mais forte do dicamba” antes de liberar a soja transgênica.

Até agora, são 14 princípios ativos inéditos no ano, os outros 298 registros são de genéricos, sendo:

  • 211 pesticidas biológicos vendidos aos agricultores;
  • 145 princípios ativos para a indústria formular agrotóxicos.

Registros de agrotóxicos no Brasil — Foto: Arte / G1

Agrotóxicos inéditos em 2021

Veja os outros agrotóxicos inéditos liberados este ano:

  • Neoseiulus barkeri (uso dos agricultores): primeiro produto no Brasil registrado para controle do ácaro vermelho das palmeiras, uma das principais pragas dos coqueiros. Ele também pode ser recomendado para o controle do ácaro branco.
  • Neochrysocharis formosa (uso dos agricultores): controla a larva minadora (Liriomyza sativae);
  • Neoseiulus idaeus (uso dos agricultores): é recomendado para controle de ácaro rajado (Tetranynchus urticae);
  • Goemon (uso dos agricultores): feito à base do ingrediente ativos novo ciclaniliprole, registrado para controle da lagarta de Helicoverpa armigera nas culturas de algodão, milho e soja;
  • Kenja (uso dos agricultores): feito à base de isofetamida, fungicida para controle do mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum) nas culturas de soja, feijão, batata, tomate e alface.
  • Ciclaniliprole (uso da indústria): inseticida usado para fabricar produtos que combatem lagartas nas lavouras de algodão, milho, soja.
  • Oxatiapiprolim (uso da indústria): fungicida usado para fabricar pesticidas usados em culturas como batata, alho, cebola, tomate, alface;
  • Kamuy (uso dos agricultores): à base de Fenpyrazamina, misturado com um outro ingrediente antigo. O agrotóxico serve para controlar o mofo branco, uma doença fungicida que ataca diversas culturas agrícolas
  • Halauxifen-metil (uso da indústria): herbicida indicado para plantas daninhas de difícil controle;
  • Adengo (uso dos agricultores): permitem o controle de plantas daninhas, tanto de folha estreita quanto de folha larga, na cultura do milho;
  • Rudder (uso dos agricultores): feito à base do Bacillus velezensis, que serve para controlar a fusariose, uma doença causada por um fungo chamado “Fasarium solani”. Esta doença provoca o apodrecimento das raízes das plantas e pode atingir diferentes culturas;
  • Bionema (uso dos agricultores): também é feito à base do Bacillus velezensis, com o mesmo intuito do Rudder;

A permissão para um novo agrotóxico no país passa por 3 órgãos reguladores:

  • Anvisa, que avalia os riscos à saúde;
  • Ibama, que analisa os perigos ambientais;
  • Ministério da Agricultura, que analisa se ele é eficaz para matar pragas e doenças no campo. É a pasta que formaliza o registro, desde que o produto tenha sido aprovado por todos os órgãos.

Tipos de registros de agrotóxicos:

  • Produto técnico: princípio ativo novo; não comercializado, vai na composição de produtos que serão vendidos.
  • Produto técnico equivalente: “cópias” de princípios ativos inéditos, que podem ser feitas quando caem as patentes e vão ser usadas na formulação de produtos comerciais. É comum as empresas registrarem um mesmo princípio ativo várias vezes, para poder fabricar venenos específicos para plantações diferentes, por exemplo;
  • Produto formulado: é o produto final, aquilo que chega para o agricultor;
  • Produto formulado equivalente: produto final “genérico”.

O governo alterou a forma de divulgação do registro de agrotóxicos em 2019. Até então, o ministério anunciava a aprovação dos pesticidas para a indústria e para os agricultores no mesmo ato dentro do “Diário Oficial da União”.

O sistema passou a levar em conta a aprovação dos dois tipos de agrotóxicos: os que vão para indústria e os que vão para os agricultores.

Segundo o Ministério da Agricultura, a publicação separada de produtos formulados (para os agricultores) e técnicos (para as indústrias) tem como objetivo “dar mais transparência sobre a finalidade de cada produto”.

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Fonte: G1