Ipea passa a ver inflação pouco acima da meta em 2021 | Economia

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O centro da meta para a alta do IPCA em 2021 é de 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Segundo o Ipea, apesar da expectativa de uma inflação menor nos próximos meses, até por conta de um efeito estatístico, o aumento dos preços no começo deste ano ficou acima das expectativas, forçando uma revisão na projeção para 2021.

“Em que pese a expectativa de que, no segundo semestre, verifique-se um recuo significativo nas taxas de variação acumuladas em 12 meses, até por conta da mudança da base de comparação, o desempenho recente pior que o esperado anteriormente motivou a elevação da projeção para o IPCA em 2021“, explicou Ipea em relatório de conjuntura divulgado nesta segunda-feira.

A estimativa do órgão é de que as comodities – responsáveis em parte pela pressão inflacionária nos últimos meses– e o câmbio não devem subir a níveis significativamente acima dos atuais nos meses seguintes. A pressão maior virá dos preços monitorados pelo governo.

“Observa-se que o principal fator responsável pela aceleração projetada para a inflação em 2021 está relacionado à trajetória dos preços monitorados. Por certo, embora esse comportamento altista dos preços monitorados já fosse, de certa forma, esperado, dado o represamento de reajustes no ano passado, a magnitude desse processo vem surpreendendo”, completou o Ipea.

De acordo com o instituto, no primeiro quadrimestre de 2021 os monitorados subiram 4,7%, impactados sobretudo pela alta de 21,2% da gasolina. Com isso, o Ipea revisou a projeção para a inflação de monitorados em 2 pontos percentuais, de 6,4% para 8,4%.

“A inflação brasileira foi fortemente afetada pelos preços dos monitorados como gasolina, gás e remédios. Essa surpresa inflacionária gerada pelos monitorados no início do ano fez com que o grupo de conjuntura do Ipea revisasse a previsão para os monitorados e para o IPCA”, disse à Reuters a pesquisadora do Ipea Maria Andréia Parente Lameiras.

O instituto prevê, ainda, impactos inflacionários de reajustes nas tarifas de transporte público e uma alta mais expressiva da energia elétrica diante do maior uso de energia térmica para preservar os níveis dos reservatórios das hidroelétricas.



Fonte: G1