Inflação pesou menos para os mais pobres em março, mostra Ipea | Economia

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As famílias de renda média (entre R$ 4,12 e R$ 8,25 mil) e média alta (R$ 8,25 e R$ 16,5 mil) foram as mais afetadas: a variação dos preços para esses dois grupos passou de 0,98% e 0,97% para 1,09% e 1,08%, respectivamente. Já as famílias de renda muito baixa e baixa apresentaram menor incremento inflacionário, com altas de 0,71% e 0,85%, respectivamente, em suas cestas de produtos e serviços.

Inflação por faixa de renda – março/2021 — Foto: Economia G1

No acumulado em 12 meses, porém, o Ipea mostra que essas faixas de renda mais baixa, entre R$ 900 e R$ 2,4 mil, ainda são de longe as mais penalizadas pela alta dos preços. Nessa base de comparação, a inflação aumenta conforme a renda, sendo de 4,67% para os mais ricos e de 7,24% para os mais pobres.

Inflação por faixa de renda – 12 meses até março/2021 — Foto: Economia G1

Nos primeiros três meses deste ano, entretanto, há um início de reversão dessa disparidade, com a inflação acumulada chegando a 2,29% para os mais ricos e 1,60% para os mais pobres. A previsão do Ipea é que, ao longo de 2021, prevaleça o equilíbrio para a inflação sobre diferentes faixas de renda.

Alimentos X combustíveis

“Isso é efeito dos aumentos da gasolina e desaceleração na alta dos alimentos, o que diminui a pressão sobre [a cesta dos] mais pobres e aumenta a pressão sobre os mais ricos”, diz a pesquisadora do Ipea Maria Andreia Lameiras. Ela lembra que isso já havia acontecido em fevereiro, quando também houve reajuste de mensalidade escolar, o que pesa mais sobre famílias abastadas.

Segundo Lameiras, a tendência de convergência das inflações para ricos e pobres para o restante do ano se deve a uma previsão de desaceleração nas altas de preços de alimentos – que têm maior peso no consumo das famílias de renda baixa –, ao aumento de preços administrados represados em 2020 e também à inflação dos serviços. Esta última deve subir com o progresso da vacinação e a consequente normalização do comércio e circulação de pessoas.

Em março, assim como em fevereiro, o segmento que mais contribuiu para a alta inflacionária de todas as faixas de renda em março foi o de transportes, impactado principalmente pelo aumento do preço dos combustíveis (11,2%), mais consumido pelas famílias de maior renda. Para as famílias da faixa mais baixa, pesaram os reajustes de 0,11% dos preços de ônibus urbano e de 1,84% dos trens.

Embora tenham convivido com inflação relativamente maior no primeiro trimestre, as famílias mais ricas contaram com algum alívio inflacionário relacionado a transportes devido à queda de 2,0% do preço das passagens aéreas e a redução de 3,4% nos preços praticados em aplicativos de transporte, dois ramos por elas mais utilizados.

Além dos transportes, o grupo habitação também contribui para a alta de preços sentida pelas famílias mais pobres, sobretudo por conta do aumento do botijão de gás (5,0%), dos artigos de limpeza (1,1%) e da energia elétrica (0,76%).

Para as famílias mais ricas, o segundo grupo com maior pressão inflacionária foi o de alimentos e bebidas, impulsionado pelo reajuste de 0,89% da alimentação fora do domicílio. Em março de 2021, a aceleração da inflação só não foi maior devido ao desempenho dos alimentos em domicílio, que registrou a primeira deflação (-0,17%) desde outubro de 2019.

Quando comparadas com o mesmo período de 2020, diz o Ipea, todas as faixas de renda viram aceleração da inflação. As famílias mais ricas foram as que registraram as maiores altas inflacionárias entre os dois períodos, com o índice saltando de menos 0,20% para 1,0%, ou seja, 1,2 ponto percentual. Entre os mais pobres, essa alta foi de 0,46 ponto, de 0,25% para 0,71%.



Fonte: G1

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