Inflação na Eurozona não dá trégua e atinge nível recorde | Economia

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A inflação na zona do euro prosseguiu em novembro com sua alta sem trégua e atingiu níveis sem precedentes, estimulada pelos preços da energia, anunciou nesta terça-feira (30) a agência europeia de estatísticas Eurostat em sua primeira estimativa.

De acordo com os números da Eurostat, inflação em ritmo anual da zona do euro atingiu no fim de novembro a marca de 4,9%, nível mais elevado da série histórica na região.

No mês de outubro, a taxa de inflação foi de 4,1%, que no momento era o índice mais elevado registrado desde o mesmo mês em 2008.

Ao considerar os componentes da inflação, a Eurostat informa que a energia teve aumento de 27,4% em novembro, contra 23,7% no mês anterior. Em contrapartida, os serviços registraram alta de 2,7% no período (contra 2,1% em outubro), e o grupo de alimentos, tabaco e álcool subiu 2,2% (1,9% no mês anterior).

Entre as principais economias da Eurozona, a Alemanha registra 6,0%, seguida por Espanha (5,6%), Itália (4,0%) e França (3,4%). O maior índice foi registrado na Lituânia, com 9,3%, seguido por Estônia (8,4%) e Bélgica (7,1%).

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No outro extremo, Malta registrou a menor inflação em ritmo anual (2,3%), enquanto a taxa em Portugal ficou em 2,7%.

A zona do euro é o espaço compartilhado pelos 19 países da União Europeia que adotaram o euro como moeda, e cuja política monetária é conduzida pelo Banco Central Europeu (BCE).

O BCE trabalha com uma meta de inflação próxima mas inferior a 2% para o ano de 2021. O quadro foi revelado no momento em que a pandemia de coronavírus surpreendeu com uma nova variante, ômicron, mas até o momento seu impacto econômico não é claro.

Para Jack Allen Reynolds, economista sênior da consultoria Capital Economics, a tendência da inflação nos meses recentes sugere que o índice “permanecerá acima das metas pelo menos até o fim do próximo ano”.

Ele considera que o impacto da ômicron sobre a economia será variado, mas destacou que “se agravar os desequilíbrios entre a oferta e a demanda mundial, a inflação de bens poderá ser maior por mais tempo”.

O aumento de 4,1% em outubro para 4,9% em novembro foi superior às expectativas dos analistas, que acreditavam em uma inflação de 4,5%. O dado mais grave, aponta Reynolds, é que os números da Eurostat indicam que o núcleo da inflação (que exclui energia, tabaco, alimentos e álcool) subiu 2,6%.

Por este motivo, ele acredita que “levará pelo menos até o último trimestre do próximo ano para que a inflação fique abaixo de 2%”.



Fonte: G1