Inflação da indústria dispara e tem maior alta da série do indicador | Economia

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A inflação da indústria disparou neste início de ano e marcou o segundo recorde consecutivo: após alta de 3,55% em janeiro (dados revisados), o Índice de Preços ao Produtor (IPP) ficou em 5,22% em fevereiro – a maior taxa da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que teve início em 2014.

Com o resultado – a nona alta mensal seguida –, o acumulado dos últimos 12 meses alcançou 28,58%. Só nos primeiros dois meses do ano, a alta é de 8,95%.

O IPP mede a variação dos preços de produtos na “porta da fábrica”. Ou seja, sem impostos e frete, e abrange as grandes categorias econômicas: bens de capital, bens intermediários e bens de consumo (duráveis, semiduráveis e não duráveis).

“Há uma continuidade na combinação de efeitos conjunturais, que traduzida em números, entrega uma inflação acumulada em fevereiro de 8,95%”, afirma em nota o técnico da pesquisa, Felipe Figueiredo Câmara.

IPP – fevereiro/21 — Foto: Economia G1

De acordo com o técnico do IBGE, a alta do dólar frente ao real é um dos fatores importantes para explicar a disparada do Índice de Preços ao Produtor (IPP).

O efeito é sobre toda a cadeia produtiva porque afeta os insumos importados. Ao mesmo tempo, há um cenário de comércio exterior em que os preços das commodities minerais – óleo bruto de petróleo e minério de ferro –, cotados em moeda estrangeira, também estão subindo.

“O preço das commodities aumenta em moeda estrangeira e esse movimento é reforçado pela depreciação cambial, porque o preço desses produtos em reais fica ainda maior. Há também um efeito sobre os insumos. A indústria química é uma das influências mais importantes para o resultado do mês e sua alta de preços está muito associada ao aumento nos custos de matérias-primas importadas. Nas indústrias extrativas, há o efeito direto dos preços internacionais em produtos que têm impacto em toda a cadeia produtiva”, explica Câmara.

Indústrias extrativas, refino de petróleo

De acordo com o levantamento, a alta reflete, principalmente, a elevação de preços das indústrias extrativas (27,91%), de refino de petróleo e produtos de álcool (12,12%), de outros produtos químicos (9,69%) e de metalurgia (8,35%).

São os mesmos setores que exerceram as maiores influências no resultado agregado: indústrias extrativas (1,66 p.p.), refino de petróleo e produtos de álcool (1,04 p.p.), outros produtos químicos (0,79 p.p.) e metalurgia (0,56 p.p.).



Fonte: G1