Ibovespa sobe com ajuda dos bancos e do varejo, apesar da queda da Petrobras

Ibovespa sobe com ajuda dos bancos e do varejo, apesar da queda da Petrobras

O Ibovespa fechou a segunda-feira (21) em alta de 0,74%, aos 186.595,60 pontos, após atingir 187.434,25 pontos na máxima do dia. O avanço ocorreu mesmo com perdas de Vale e Petrobras, duas das ações de maior peso no índice. O dólar comercial caiu 0,70%, para R$ 5,108, enquanto os juros futuros recuaram em todos os vencimentos acompanhados pelo mercado.

A melhora do ambiente externo deu impulso à bolsa brasileira. A queda do petróleo e dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos favoreceu a procura por ativos de risco. Em Nova York, o Nasdaq subiu 2,26%, o S&P 500 avançou 1,52% e o Dow Jones ganhou 0,74%. O Brent para outubro encerrou o dia em baixa de 3,40%, a US$ 100,34 por barril, em meio à expectativa de avanços diplomáticos na crise com o Irã.

Segundo o economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, o recuo do petróleo melhora o humor dos investidores, embora a commodity ainda esteja em patamar elevado. Segundo ele, preços menores ajudam as perspectivas para a inflação e os juros, com reflexos sobre o apetite por risco.

A cautela com o cenário internacional, porém, não desapareceu. Em nota, Ed Yardeni, presidente da Yardeni Research, afirmou que os riscos para o abastecimento de petróleo “não vão desaparecer”. Para o especialista, a persistência de preços altos de energia pode ampliar a pressão sobre a inflação e exigir juros mais elevados.

No Brasil, os investidores também repercutiram a pesquisa BTG/Nexus para a eleição presidencial. O levantamento mostrou empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno. Perri disse que a possibilidade de vitória de Flávio tem alimentado, entre agentes do mercado, expectativas de melhora na trajetória fiscal. Essa avaliação reflete uma aposta dos investidores sobre o resultado eleitoral, ainda indefinido.

Outro dado observado no pregão foi o boletim Focus. A mediana das projeções dos economistas consultados pelo Banco Central para a Selic no fim de 2026 caiu de 13,75% para 13,50% ao ano. A perspectiva de juros menores ajudou ações mais sensíveis ao custo do crédito, entre elas as de empresas de consumo. C&A subiu 6,60%, Lojas Renner avançou 3,76% e Magazine Luiza ganhou 2,22%.

Os bancos privados também contribuíram para a alta do índice. Itaú Unibanco fechou com ganho de 1,77%, Santander subiu 1,53% e Bradesco avançou 0,94%. Banco do Brasil seguiu a direção oposta e caiu 0,91%. Em análise sobre o setor citada pela Reuters, o Bank of America justificou sua preferência pelo Itaú por sua “rentabilidade, balanço sólido e execução de primeira linha” e apontou “pressões sobre a qualidade dos ativos” do Banco do Brasil. A B3, operadora da bolsa, valorizou 3,64%.

Entre as ações que limitaram os ganhos, Petrobras caiu 1,03%, acompanhando a baixa do petróleo. Vale recuou 1,12% em um dia de variação modesta dos contratos futuros de minério de ferro na China. A queda das duas companhias mostra que o avanço do Ibovespa dependeu sobretudo de outros setores da carteira.

A atenção do mercado se volta agora à ata da última reunião do Copom, que poderá esclarecer as condições para novos cortes da Selic. A agenda dos próximos dias inclui ainda dados de arrecadação federal e o discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU.

 


Brazil Economy