Ibovespa opera em baixa, puxado por Petrobras e bancos e com IPCA e risco fiscal no radar


No dia anterior, principal índice da bolsa de valores caiu 2,22%, a 113.580 pontos. Ibovespa opera em baixa.
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O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores de São Paulo, a B3, abriu em baixa nesta quinta-feira (10), após a divulgação da inflação brasileira em outubro e com os investidores cautelosos com os rumos das contas públicas no Brasil. As ações da Petrobras e dos bancos ajudam a puxar o índice para baixo.
Às 15h37, o Ibovespa tinha queda de 3,36%, caindo a 109.767 pontos. Veja mais cotações.
Por volta do mesmo horário, os papéis da Petrobras caíam 1,40%, enquanto Banco do Brasil e Itaú Unibanco recuavam 2,35% e 1,90%, respectivamente.
No dia anterior, a bolsa fechou em baixa acentuada de 2,22%, a 113.580 pontos. Com o resultado, o índice acumula queda de 2,12% no mês e alta de 8,35% no ano.
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O que está mexendo com os mercados?
No começo da manhã o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), que representa a inflação oficial do país. Em outubro, o indicador teve avanço de 0,59%, após três meses consecutivos de deflação. O mercado já esperava um alta na inflação brasileira, mas o avanço nos preços foi superior às expectativas de especialistas, que projetavam uma alta média de 0,50%.
A maior influência no índice geral veio do grupo Alimentação e bebidas, com crescimento de 0,72% e impacto de 0,16 ponto percentual no índice geral. Na sequência das maiores influências estão os grupos de Saúde e cuidados pessoais (1,16% e 0,15 p.p.) e Transportes (0,58% e 0,12 p.p.). Já o grupo Vestuário teve a alta mais intensa, de 1,22%.
A nova alta dos preços no Brasil ocorre em um momento em que investidores estão cautelosos com os gastos do novo governo a partir de 2023.
“O mercado está preocupado com a dinâmica dos gastos públicos. Tem que ser uma dinâmica sustentável”, afirmou Alessandra Ribeiro, economista e sócia da Tendências Consultoria, em entrevista a Globonews.
Para cumprir com as principais promessas de campanha de Lula – com destaque para a continuidade do Auxílio Brasil (que voltará a ser chamado de Bolsa Família) de R$ 600, um auxílio extra de R$ 150 para crianças pequenas e reajuste do salário mínimo -, o governo de transição planeja criar a PEC da Transição, que liberaria cerca de R$ 175 bilhões no Orçamento de 2023 além do teto de gastos.
Alessandra pontua, também, que ainda não há definição sobre quem estará na equipe econômica de Lula a partir do próximo ano, o que adiciona incertezas e volatilidade ao mercado. Investidores esperam a nomeação de uma pessoa mais alinhada ao centro do que a esquerda para as pastas da economia.
No cenário externo, o destaque do dia também fica por conta da inflação, desta vez nos Estados Unidos. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) de outubro subiu 0,4%, segundo o Departamento do Trabalho do país. O resultado veio um pouco abaixo das expectativas do mercado, de alta de 0,6%.
Uma inflação muito elevada na maior economia do mundo pesa contra a valorização dos ativos brasileiros. Quando os preços disparam, a estratégia dos bancos centrais é elevar as taxas de juros. Nos EUA, os juros já subiram até um patamar entre 3,75% e 4,00% ao ano e o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) sinalizou que novas altas devem ocorrer nos próximos meses.
Juros mais altos impactam positivamente a rentabilidade dos títulos públicos de um país, que passam a entregar retornos maiores e mais atrativos. Como os títulos americanos são considerados os mais seguros do mundo, se a rentabilidade deles sobem há uma tendência global de migração dos investidores para esses investimentos, em detrimento dos ativos de risco.

Fonte: Portal G1