Ibovespa fecha em queda e acumula perda na semana com cenário institucional no foco

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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) – O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira, acumulando mais uma semana negativa, marcada por forte volatilidade e na qual renovou mínima em seis meses, com os holofotes voltados para o cenário político-institucional no país.

Declarações do presidente Jair Bolsonaro em manifestações no Dia da Independência, atacando ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ameaçando descumprir ordens judiciais, desencadearam uma forte aversão a risco no mercado.

Na quarta-feira, o Ibovespa afundou quase 4% com os comentários elevando a temperatura em Brasília e alimentando inquietações quanto ao avanço da pauta econômica, em especial assuntos relacionados ao quadro fiscal.

Investidores ainda experimentaram uma sensação de déjà vu com a mobilização de caminhoneiros, que se somou ao rol de adversidades que tem minado as ações locais e incluem uma inflação elevada e uma crise hídrica.

Na véspera, porém, uma nota divulgada por Bolsonaro perto do fechamento do pregão, na qual disse respeita as instituições da República, foi entendida como um sinal de trégua na escalada das tensões e resultou em uma forte reação do Ibovespa.

Apesar do respiro, a percepção no mercado é de que ruídos políticos devem continuar, em particular porque ainda falta mais de um ano para a eleição presidencial, assim como persistem os outros desafios ao país.

Nesta sexta-feira, o Ibovespa ensaiou manter a recuperação, encostando em 117 mil pontos na máxima, mas o ambiente ainda de incertezas domésticas e um quadro mais negativo nas bolsas norte-americanas reprimiram o movimento.

No fechamento, o Ibovespa acusou queda de 0,93%, a 114.285,93 pontos, na mínima do dia, acumulando perda de 2,26% na semana e de 3,78% no mês. No ano, a queda agora é de 3,98%.

Maiores baixas do Ibovespa no dia

Maiores altas do Ibovespa no dia

O índice Small Caps cedeu 0,23%, a 2.726,56 pontos, com recuo de 1,42% na semana e 4,3% no mês, mostrando declínio de 3,4% em 2021.

O volume negociado no pregão nesta sexta-feira somou 31,2 bilhões de reais.

DESTAQUES DO IBOVESPA DO ACUMULADO DO MÊS:

– BANCO PAN PN cai 16,17%, em mês negativo para ações de bancos, marcado também pela entrada dos papéis do Pan na carteira do Ibovespa que irá vigorar até o final do ano.

– CIELO ON perde 14,63%, engatando o quarto mês seguido de baixa, refletindo queda na participação de mercado e sem sinais de trégua na concorrência em meios de pagamentos.

– VIA ON recua 13,19%, entrando no terceiro mês consecutivo de baixa, com o noticiário incluindo investimento em startups, enquanto busca ampliar serviços dinanceiros do BanQi.

– MARFRIG ON sobe 12,15%, em máximas desde 2010, apesar da suspensão das exportações de carne bovina pelo Brasil para a China, com o setor entre as maiores altas do mês

– WEG ON avança 8,72%, buscando retomar fôlego, após correção desde as máximas históricas no começo do ano, de mais de 20% até o final de agosto.

– ASSAÍ ON valoriza-se 8,15%, reagindo após acumular performance negativa no mês passado, tendo de pano de fundo um cenário de inflação ainda elevado no país.

Veja o comportamento dos principais índices setoriais na B3 no acumulado do mês:

– Índice financeiro: -6,37%

– Índice de consumo: -1,93%

– Índice de Energia Elétrica: -0,39%

– Índice de materiais básicos: -3,22%

– Índice do setor industrial: -1,41%

– Índice imobiliário: -5,16%

– Índice de utilidade pública: -1,02%

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Fonte: Mix Vale