Grande SP tem dois mananciais com menos de 40% de capacidade | São Paulo

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O sistema Rio Claro registrou 39,7% de volume operacional neste domingo (12). Com isso, agora, são dois os mananciais, de um total de sete, que abastecem a região metropolitana de São Paulo e operam abaixo dos 40% da capacidade de armazenamento. O Cantareira se encontra nessa situação desde 11 de agosto. Os dados são da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Para ser considerado normal, o nível operacional tem de ser de pelo menos 60%.

Todavia, segundo a Sabesp, a classificação “estado de alerta” para níveis entre 30% e 39,9% só se aplica ao Cantareira por estar previsto nas regras da outorga desse sistema e não abranger os demais mananciais (leia a íntegra da nota no fim deste texto).

Área próxima ao reservatório do Rio Jacareí, no Sistema Cantareira. Represa que é a principal fornecedora de água para a região metropolitana de São Paulo voltou a atingir nível crítico — Foto: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO CONTEÚDO

Nesta segunda-feira (13), o volume operacional do Rio Claro é 39,3% e o Cantareira, 34,4%.

O sistema Rio Claro abastece 1,1 milhão de pessoas do distrito de Sapopemba, na Zona Leste de São Paulo, e de parte das cidades de Santo André, Ribeirão Pires e Mauá, no ABC paulista.

Maior manancial da região metropolitana da capital paulista, o Cantareira abastece diariamente 7,3 milhões de pessoas.

Desde 23 de agosto, 4 dos 7 reservatórios que abastecem a Grande São Paulo operam com menos da metade de sua capacidade de armazenamento, conforme mostrou levantamento feito pela GloboNews com base em dados da Sabesp. São eles: Rio Claro, Cantareira, Guarapiranga e Alto Tietê.

46 dias sem registro de alta

Esta segunda-feira é o 46º dia seguido em que o nível do Cantareira não sobe. A última alta operacional do manancial ocorreu em 29 de julho, quando houve uma oscilação de 0,1% (de 41,6% para 41,7%), de acordo com a Sabesp. Ou seja, àquela altura, o sistema já se aproximava do estado de alerta, situação que se confirmaria menos de duas semanas depois.

De lá para cá, ao longo de 46 dias, o Cantareira registrou 45 quedas e 1 estabilidade. Em alguns desses dias, choveu na região dos reservatórios que compõem o sistema, mas não o suficiente para compensar o volume de água retirado diretamente desse conjunto de represas para abastecer a população da Grande São Paulo.

Para o professor do Instituto de Energia e Ambiente (IEE), da Universidade de São Paulo, Pedro Luiz Côrtes, a situação dos mananciais que abastecem a região metropolitana é preocupante.

“Se a bacia toda está em crise, não há por que nós não estarmos em crise. E todos os indicadores mostram isso. Nós temos uma redução no volume de chuvas ao longo do ano, nós temos reservatórios operando com nível mais baixo, lembrando que em 2013, o mais afetado era o Cantareira. Outros reservatórios estavam numa posição mais confortável, hoje não. Nós temos vários reservatórios indicando estresse hídrico. Indicando baixa quantidade de água armazenada. E nós vamos ter uma primavera e principalmente um verão com chuvas abaixo da média”, explica Côrtes.

A Sabesp informou em nota que “o nível de alerta mencionado está previsto nas regras da outorga do Sistema Cantareira e não abrange os demais sistemas”.

“A Sabesp esclarece que os sistemas Rio Claro e Cantareira pertencem ao Sistema Integrado Metropolitano, que é formado por sete mananciais (os demais: Alto Tietê, Guarapiranga, Cotia, Rio Grande e São Lourenço) e permite transferências de água rotineiras entre regiões de acordo com a necessidade operacional. Hoje (13/9), o Sistema Integrado opera com 41,4% da capacidade, nível similar aos 42,3% de 2018, quando não houve problemas no abastecimento. Importante destacar que a queda no nível das represas é normal nesta época do ano, devido à estiagem, e não há risco de desabastecimento neste momento na RMSP. A projeção da Sabesp aponta níveis satisfatórios para passar pela estiagem, mas a Companhia reforça a necessidade de uso consciente da água por todos.”

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Fonte: G1