Goldman Sachs: aperto monetário global deve beneficiar ações europeias


Como na vida, a bolsa de valores é semelhante a uma ‘gangorra’, pois o que é negativo hoje pode ser muito positivo amanhã. O movimento secular se aplica à bolsa brasileira, que entrou em ‘queda livre’, após acumular alta de 7% no primeiro semestre de 2021 (1S21) – patamar recorde de 131.190 mil pontos – mas que acabou fechando ano no vermelho (-11.9%).

‘Sopa de fatores’ – A derrocada dos negócios locais foi determinada por uma ‘sopa de fatores’, a começar pelo avanço da inflação (IPCA acima de 10%, antes do final de 2021), riscos fiscais e políticos crescentes (agrado orçamentário com fins eleitoreiros), além da previsão de um PIB não superior a 0,5% este ano.

Cenário complexo – Diante de tantos desafios, admitem especialistas, o cenário para este ano deverá ser bem complexo para a renda variável, com o Ibovespa mantendo o ‘descolamento’ das bolsas internacionais, frente à marcha firme da Selic, como ‘remédio genérico’ para o avanço da inflação e incertezas fiscais ‘alimentadas’ pelo governo.

Margem para valorização – Mas é justamente a depreciação das ações em bolsa, provocada pela crise, que abre margem para a posterior valorização desses papéis, como normalmente acontece, aqui ou em qualquer outro mercado.

Incertezas precificadas – Ao considerar ‘imprevisível’ qualquer prognóstico para o pleito que se aproxima, o CIO da Franklin Templeton no Brasil, Frederico Sampaio, avalia que, uma vez precificadas as incertezas, está aberto o caminho para que surja algo positivo na bolsa, que proporcione ganhos significativos aos investidores. Como exemplos, ele cita investimentos atrelados aos juros e papéis de empresas de varejo digital e da área de saúde, depreciadas pela queda da bolsa.

Migração massiva – Com o avanço da Selic, houve migração massiva de investidores para a renda fixa, em detrimento da renda variável. Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), até novembro último, os fundos de renda fixa captaram R$ R$ 275,2 bilhões de janeiro, ao passo que os fundos de ações registraram saída de R$ 426,4 milhões, no mesmo período.

Posições no exterior – A sugestão do head da Franklin no Brasil, Marcus Gonçalves, é no sentido de que os investidores busquem mais informações a respeito das bolsas internacionais, tendo em vista adquirir posições em carteira no exterior. “Acreditamos que muitas empresas de tecnologia dos Estados Unidos ainda têm bastante espaço para níveis de valorização ainda maiores. Além disso, o movimento de aumento dos juros pelo Fed não deve preocupar tanto porque vai ser gradativo”, destaca.

Demanda crescente – Ao mesmo tempo, Gonçalves prevê demanda crescente por investimentos alternativos, a exemplo de fundos vinculados à energia renovável e a ativos de empresas de tecnologia, “com exposição simultânea de longo e curto prazos (long & short)”, sem contar com a expansão da pauta de ESG (ambiental, social e governança).

Oportunidades à vista – O diretor executivo da UBS Ronaldo Patah, por sua vez, embora reconheça as dificuldades atuais, mas vê oportunidades. “O fato de ser um ano difícil, não necessariamente vai ser ruim, pois o ano deve ser marcado por uma oportunidade para quem tem perfil de risco pelo menos moderado no mercado de renda fixa”. Ao mesmo tempo, Patah avalia que ativos da renda variável como ações e fundos multimercados devam ser colocados em ‘banho maria’.

Patrimônio protegido – O executivo conclui destacando que “o que ajudou a proteger o patrimônio dos nossos clientes em 2021 foi a maior participação o percentual em ativos globais, inclusive com o impulso do otimismo por causa da vacinação no segundo semestre”.

Renda fixa atrativa – Embora trabalhe com uma Selic de 11,5% ao ano para o fim deste ano, o head das operações da Western Asset no Brasil, Marc Forster entende que a renda fixa deve ser mais atrativa, a exemplo das NTN-B (Notas do Tesouro Nacional de série B), como boas alternativas de ganhos com juros reais.



Fonte: R7