Forte geada provoca perdas nas lavouras de milho do Paraná | Globo Rural

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A colheita da segunda safra de milho começa nesta semana no Paraná, mas a forte geada no estado, que é o 2º maior produtor do Brasil, provocou perdas nas lavouras.

Com os prejuízos, as indústrias devem comprar o grão de outros países e estados do Brasil, o que há muito tempo não acontecia. E os agricultores tentam ainda amenizar os prejuízos com o seguro rural.

No início da temporada, a expectativa era de que o Paraná colhesse 15 milhões de toneladas, volume que pode cair para 6,8 milhões de toneladas. Uma redução de 53% em relação à estimativa inicial.

“Vale destacar que esse é um número preliminar […] e pode ser reajustado quando a gente divulgar o número oficial no final do mês”, diz o economista Salatiel Turra, do Departamento de Economia Rural (Deral).

A geada, em resumo, é uma formação de camada de gelo na superfície da folha e o dano ocorre porque a planta e o grão ficam com um teor muito alto de água, explica Walter Meirelles, agrônomo da Embrapa Milho e Sorgo.

“Há uma formação de cristais de gelo. Então é um congelamento da água e, com isso, a célula ‘explode’ ,se rompe, e ocorre praticamente a morte dessa planta”, diz Meirelles.

Um dos produtores que teve prejuízo é o Cesar da Silva, de Bela Vista do Paraíso (PR). “Isso aqui era para estar tudo verde e agora está seco. Você olha assim parece até que está pronto para colher, mas, infelizmente, não tem grão nenhum pra colher”, diz.

O agricultor deve tirar de 30 a 40 sacas por hectare, o que, na sua avaliação, é um número muito baixo. “O normal é 100 sacas por hectare”, afirma.

O agricultor Reginaldo Jesus Martinoti, de Londrina, passa pela mesma situação que Silva. Ele perdeu praticamente tudo.

“Eu levanto cedo todos os dias, saio para fazer uma caminhada, andando para ver a lavoura. Quando eu acordei, me deparei com a geada em cima do milho, tudo branco de gelo e vendo a lavoura tudo perdida. É triste, muito triste”, conta.

Com menos milho nas lavouras, os preços subiram, mas os agricultores não estão conseguindo aproveitar o momento porque não têm grão para vender, diz Silva.

Diante da redução da oferta, o Paraná, que normalmente vende milho para outros estados e países, terá que trazer o grão de fora, o que não é comum, segundo João Bosco de Souza Azevedo, superintendente comercial de uma das cooperativas da região.

“Tem indústria importando milho que está vindo da Argentina, do Mato Grosso. Se não tiver esse produto, ela tem que correr atrás dele em algum canto”, afirma Azevedo.

Para se proteger de fenômenos naturais, como a geada, os agricultores que fazem financiamento público para arcar com os custos da safra contratam um seguro para amenizar os prejuízos: o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro).

“Vai cobrir um pouco dos custos. Não sei a quantidade certa porque vai depender do perito vir fazer a peritagem para saber a quantidade que vai ressarcir ou não”, diz Martinoti.

Os produtores que não têm financiamento recorrem a seguros particulares, mas, nos dois casos, é preciso respeitar o zoneamento, que é o período certo para fazer o plantio.

“Essas áreas aqui que foram mais atingidas com a geada são de milho que foi plantado mais tarde, então não tinha seguro por causa do zoneamento. Seguro ajuda com os custos, né? Aqui, além de eu não ter lucro, eu vou ter prejuízo”, conta Silva.

O que resta para os agricultores do Paraná é esperar a colheita que inicia nesta semana para ter ideia do tamanho do prejuízo.

“[Vamos] fazer o que a gente sabe fazer, que é produzir e tentar ver se, no ano que vem, a gente consegue plantar um pouco mais cedo. O produtor sempre tem um problema, mas nunca desiste”, afirma Silva.

Saiba mais na reportagem completa no vídeo acima.

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Fonte:G1