Fiesp diz que Josué Gomes segue como presidente da entidade


Manifestação ocorre três dias após a assembleia da federação decidir pela destituição do empresário do cargo. Em nota, entidade afirma que Gomes ‘está no exercício pleno de suas funções’. O empresário Josué Gomes da Silva, atual presidente da Fiesp, no Senado, em imagem de julho de 2019
Geraldo Magela/ Agência Senado
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) emitiu uma nota nesta quinta-feira (19) reconhecendo Josué Gomes como presidente da entidade.
“A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) informa que Josué Gomes da Silva é o presidente da entidade e está no exercício pleno de suas funções, conforme determinam os estatutos vigentes”, diz o comunicado enviado à imprensa.
A manifestação ocorre três dias após a assembleia da Fiesp decidir pela destituição do empresário do cargo de presidente da entidade. O afastamento, votado na segunda-feira (16) por representantes de sindicatos associados e integrantes da diretoria da instituição, teve 47 votos contra Gomes e 1, a favor.
A decisão, no entanto, não é reconhecida pela defesa de Gomes, que alega falta de quórum e de consenso. O processo está agora em etapa de formalização. A ata da reunião será registrada em cartório – o que pode levar alguns dias.
Votação
A assembleia teve clima acalorado. Segundo relatos de participantes, na primeira etapa da reunião, após as 14h30, Josué Gomes defendeu pontos de sua gestão.
Uma primeira votação foi feita para definir se o conselho iria aceitar ou não as alegações de defesa dele. Dos cerca de 90 votantes, 60 foram contrários aos apontamentos do presidente e 24, favoráveis.
Segundo relatos, após nova tentativa dos participantes de colocar sua destituição em votação, Josué decidiu encerrar a primeira sessão, após as 19h.
Na sequência, os representantes que permaneceram em assembleia decidiram abrir uma segunda sessão – previamente marcada para o mesmo dia. Essa, no entanto, não contou com a presença do presidente, que se retirou.
Nesse momento, foi realizada a votação pela destituição, já com menos participantes. Foram 47 votos a favor do afastamento de Josué, um voto contra e duas abstenções.
“O processo valeu. Se a primeira assembleia teve validade, a segunda também teve”, disse uma fonte ao g1, explicando que os registros constam nas atas das reuniões.
Ato em defesa de Gomes
Na noite de quarta-feira (18), integrantes do comitê que organizou o ato pela democracia realizado em 11 de agosto do ano passado publicaram uma nota de solidariedade a Josué Gomes.
No texto, os membros do comitê pró-democracia manifestaram “indignação com a insidiosa tentativa de afastamento de Josué Gomes”, que teria sido “perpetrada por alguns representantes de sindicatos patronais da entidade”.
Durante a votação de afastamento de Gomes, uma parte dos representantes de sindicatos manifestou descontentamento sobre o apoio do então presidente ao ato de 11 de agosto.
“Causa particular repulsa o fato de que pese contra a permanência de Josué Gomes na presidência da instituição o seu apoio ao ‘Manifesto em Defesa da Democracia e da Justiça’, organizado por este Comitê, e lido no dia 11 de agosto de 2022, no Salão Nobre da Faculdade de Direito do Largo São Francisco”, diz trecho da nota.
O grupo afirmou que “a participação de Josué Gomes na defesa da democracia foi essencial para que as eleições de 2022 ocorressem dentro da normalidade, devendo ser motivo de orgulho para a classe empresarial brasileira”.
Assinam o documento:
o diretor da Faculdade de Direito da USP, Celso Campilongo
a vice-diretora da Faculdade de Direito da USP, Ana Elisa Bechara
o economista Arminio Fraga
o sociólogo Caio Magri
o sociólogo Clemente Ganz Lúcio
o líder sindical João Carlos Gonçalves, o Juruna
a socióloga Neca Setubal
o jurista Oscar Vilhena Vieira
o presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Ricardo Patah
11 de agosto de 2022
O ato em defesa da democracia e do sistema eleitoral brasileiro, realizado em 11 de agosto do ano passado, reuniu empresários, juristas, artistas, movimentos sociais e sindicais na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.
O evento levou uma multidão ao Largo de São Francisco, no Centro da capital paulista, e foi encerrado com gritos de “Fora, Bolsonaro”.
Dentro da universidade, os discursos recordaram os mortos na ditadura e foram marcados pela cobrança da manutenção do Estado democrático de Direito e do respeito ao sistema eleitoral brasileiro.
Em sua fala, o diretor da Faculdade de Direito da USP, Celso Campilongo, defendeu o processo eleitoral.
“Aqui nós temos a reunião de sindicalistas, de empresários e de movimentos sociais da sociedade civil. Isso mostra que as eleições já têm um vencedor, este vencedor é o sistema eleitoral brasileiro. Este vencedor é a legalidade do Estado democrático de Direito sempre. Principalmente, o mais importante, o vencedor da eleições é o povo brasileiro”, disse.
Na ocasião, foram lidas duas cartas em defesa da democracia.

Fonte: Portal G1