FGV: Recuperação da confiança de serviços é positiva, mas deve ser vista com cautela | Economia

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A recuperação da confiança do setor de serviços em dezembro é positiva, mas deve ser vista com “muita cautela”, dadas as incertezas que ainda pairam sobre a retomada do segmento que responde por cerca de dois terços do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Entre os principais riscos para o setor, o economista Rodolpho Tobler, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), ressalta as incertezas sobre a pandemia no país e o possível fim do auxílio emergencial.

“O ano de 2021 começa com aumento dos casos [de Covid-19] e com o fim do auxílio emergencial. E o governo também tem um problema fiscal”, afirma Tobler.

Para ele, a recuperação do Índice de Confiança dos Serviços (ICS) em dezembro — com alta de 0,8 ponto, para 86,2 — ainda é muito lenta, principalmente se comparada ao avanço recente da confiança na indústria e no comércio.

Apesar do avanço este mês, o ICS segue 10 pontos abaixo do nível do fim do ano passado e muito distante da máxima histórica, de 113,3 pontos em agosto de 2008, embora tenha deixado para trás o piso da série, de 52,1 pontos em abril deste ano.

Tobler destaca a importância do auxílio emergencial nos últimos meses e lembra que, apesar de não ser um valor muito alto, conseguiu ser abrangente, mantendo parte do poder de compra de uma grande fatia da população.

Mas o economista faz uma ressalva em relação à própria natureza do setor de serviços. Último segmento a ser beneficiado com as medidas de flexibilização na pandemia e, mesmo assim, com restrições e limites para a ocupação, os serviços também sofrem com a resistência do próprio cliente em voltar a consumir normalmente.

“Os consumidores estão mais cautelosos por causa do vírus. Alguns segmentos dos serviços não conseguem manter o delivery, como indústria e comércio. E as pessoas deixam de consumir serviços e passam a consumir mais bens”, diz Tobler.

Ele acrescenta que alguns tipos de serviços não vão ter uma “compensação” depois da normalização. “As pessoas não vão viajar duas vezes ou cortar duas vezes o cabelo. Alguns serviços se perdem quando não são prestados.”

O economista diz que a retomada dos serviços em 2021 vai depender do andamento da campanha de imunização quando uma vacina estiver disponível no país. “Enquanto não tivermos um cenário de como vai ser a vacinação, será difícil pensar em como será a recuperação [do setor]”, afirma Tobler.

Ele lembra que a retomada do mercado de trabalho também está “muito lenta”, com uma redução de 9,8 milhões na população ocupada no trimestre terminado em outubro, em relação a igual período do ano passado.

“Ainda estamos muito distante do nível pré-pandemia”, afirma o economista.

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Fonte: G1