Febraban diz que assinou manifesto que pedia ‘harmonia e colaboração’ entre os poderes e que não participou de texto com críticas ao governo | Economia

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Em nota divulgada nesta segunda-feira (30), a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) atribui à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) a articulação do manifesto que pede harmonia entre os poderes e afirma que não participou da elaboração de texto que “contivesse ataques ao governo ou oposição à atual política econômica”.

“O conteúdo do manifesto pedia serenidade, harmonia e colaboração entre os Poderes da República e alertava para os efeitos do clima institucional nas expectativas dos agentes econômicos e no ritmo da atividade”, diz o comunicado da Febraban.

A entidade diz ainda que submeteu o texto original à diretoria, que aprovou a assinatura no material. Segundo a nota, nenhum outro texto foi proposto e a aprovação foi específica para o documento submetido pela Fiesp.

À tarde, o ministro Paulo Guedes (Economia) disse que “alguém na Febraban” havia participado de uma versão de texto com críticas ao governo: “A informação que eu tenho é que havia um manifesto de defesa da democracia, e aí não haveria problema nenhum, e que alguém na Febraban teria mudado isso para, em vez de ser uma defesa da democracia, ser um ataque ao governo. E aí a própria Fiesp teria dito que não iria fazer o manifesto, que está até suspenso por causa disso… não estão chegando a um acordo”.

Como informa o blog do Valdo Cruz, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, avisou a ministros do governo Bolsonaro que suspendeu a divulgação do manifesto, batizado de “A praça é dos Três Poderes”, que estava prevista para esta terça.

Além da Febraban, a carta contava com a assinatura de cerca de 200 entidades de classe – entre elas a Associação Brasileira de Agronegócio (Abag), o Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV), a Fecomercio e a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Valdo Cruz: Skaf diz a ministros de Bolsonaro que divulgação de manifesto está suspensa

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Mas um esboço do documento a que o blog da Julia Duailibi teve acesso diz que os signatários “veem com grande preocupação a escalada de tensões e hostilidades entre as autoridades publicas” e, sem citar nomes, afirma ser “primordial que todos os ocupantes de cargos relevantes da República sigam o que a Constituição impõe”.

Segundo assessores presidenciais, uma das versões do manifesto trazia recados claros na direção do presidente Jair Bolsonaro. A informação chegou ao Palácio do Planalto por meio do presidente da Caixa, Pedro Guimarães, que sugeriu que a Caixa e o Banco do Brasil deixassem a Febraban se o manifesto fosse divulgado com a assinatura da entidade.

Essa versão foi alterada e o documento final buscava distribuir responsabilidades entre todos os poderes. O presidente da Fiesp disse aos assessores de Bolsonaro que o objetivo não era mandar um recado só para o Executivo, mas também para Judiciário e Legislativo.

O manifesto “A Praça é dos Três Poderes”, articulado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e apresentado na última quinta-feira às entidades empresariais com prazo de resposta até 17 horas da sexta-feira, é fruto de elaboração conjunta de representantes de vários setores, inclusive o financeiro, ao longo da semana passada.

Desde sua origem, a FEBRABAN não participou da elaboração de texto que contivesse ataques ao governo ou oposição à atual política econômica. O conteúdo do manifesto pedia serenidade, harmonia e colaboração entre os Poderes da República e alertava para os efeitos do clima institucional nas expectativas dos agentes econômicos e no ritmo da atividade.

A FEBRABAN submeteu o texto a sua própria governança, que aprovou ter sua assinatura no material. Nenhum outro texto foi proposto e a aprovação foi específica para o documento submetido pela FIESP. Sua publicação não é decisão da federação dos bancos. A FEBRABAN não comenta sobre posições atribuídas a seus associados.



Fonte: G1