Entenda as 3 formas mais comuns em que o dólar impacta a inflação; ouça aqui | Educação Financeira

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Assim, um choque nos preços que parecia temporário perdurou por meses e passou a ser repassado ao consumidor. Isso acontece, basicamente, de três formas.

  • Indiretamente: pelo aumento de custos de produção que são repassados ao consumidor final
  • Diretamente: pelo redirecionamento de vendas para exportação, desabastecendo o mercado interno
  • Também indiretamente: com perda de produtividade da indústria, que torna o processo mais custoso e repassando a despesa para o preço final.

Esse conceito foi explicado em detalhes pelo economista Fábio Romão, da LCA Consultores, ao último episódio do podcast Educação Financeira.

Um exemplo marcante é a formação de preços dos combustíveis. Como mostrou reportagem do g1, a formação do preço dos combustíveis é composta pelo preço exercido pela Petrobras nas refinarias, mais tributos federais (PIS/Pasep, Cofins e Cide) e estadual (ICMS), além do custo de distribuição e revenda. Na gasolina, há ainda o custo do etanol anidro. Para o diesel, há o biodiesel.

Mas o principal “motor” das altas da gasolina e do diesel vem sendo o real desvalorizado. O insumo tem o preço vinculado ao dólar no mercado internacional e o dólar mais caro frente ao real faz essa alta ser “fortificada”.

“A Petrobras, na hora de formar seu preço, olha para cotação internacional do petróleo, mas também para a evolução do câmbio. Uma desvalorização do real se torna o gatilho para um reajuste de preços dos derivados do petróleo”, diz Fábio Romão ao podcast.

Outra situação muito comum é a que elevou os preços de alimentos. Quando os preços de commodities se valoriza no mercado internacional junto com uma queda do real, os produtores veem vantagem em exportar a produção. Reduzindo a oferta de milho e soja, por exemplo, sobe o preço da ração animal, que impacta no preço da carne.

O economista explica ainda que alguns índices que corrigem preços também têm dependência da cotação do dólar e despejam inflação de forma rápida na economia. É o caso do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M).

O indicador caiu 0,64% em setembro, segundo a Fundação Getulio Vargas, mas trata-se da primeira deflação desde fevereiro de 2020. A chamada “inflação do aluguel” passou a acumular alta de 24,86% em 12 meses, muito acima do IPCA.

“Esses preços [indexados ao IGP-M] reagem de maneira rápida e intensa ao dólar”, diz Romão.

Já para explicar a entrada indireta do dólar na inflação, o economista usa o exemplo de uma compra de máquina importada por uma indústria, tirando competitividade.

“Com a dificuldade de importar essa máquina, por exemplo, fica mais difícil produzir o produto com custo menor e isso acaba evidentemente chegando nos preços”, diz.

O setor, inclusive, “encolheu” 0,2% no PIB do segundo trimestre deste ano, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).



Fonte:G1