Em seis anos, indústria brasileira perdeu 28 mil empresas e 1,4 milhão de postos de trabalho, aponta IBGE | Economia

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A indústria brasileira vem encolhendo. Levantamento divulgado nesta quarta-feira (21) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que, em seis anos– de dezembro de 2013 a dezembro de 2019 –, o setor perdeu 28,6 mil empresas e mais de 1,4 milhão de postos de trabalho. Com isso, as indústrias que se mantêm ativas reduziram de porte e passaram a remunerar menos os empregados.

Os dados são de 2019 e fazem parte da Pesquisa Industrial Anual. Naquele ano, a indústria brasileira tinha cerca de 306,3 mil empresas, que empregavam aproximadamente 7,6 milhões de trabalhadores.

Na comparação com 2013, quando o setor atingiu recorde histórico do número de indústrias e de mão de obra ocupada (334,9 mil empresas e 9 milhões de empregados), 8,5% das empresas encerraram atividade e 15,6% das vagas foram fechadas.

Indústria brasileira vem encolhendo desde 2013, apontam dados do IBGE — Foto: Economia/G1

A atividade de preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos para viagem e calçados foi a que, proporcionalmente, mais perdeu empresas – queda de 32% no período. Já a maior queda proporcional do número de empregados (-43%) ocorreu na atividade de fabricação de outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores.

No sentido oposto, a atividade de extração de petróleo e gás natural viu crescer em 56,3% o número de empresas, enquanto a de fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis aumentou em 38,1% o número de pessoas ocupadas.

Já na comparação com 2010, aumentou em 9,2 mil o número de indústrias ativas no país – uma alta de 2,9%. Todavia, o setor perdeu 769 mil postos de trabalho na década, o que corresponde a uma queda de 9,2%.

O fechamento de vagas aconteceu no segmento das indústrias de transformação, responsável por 97,5% de todos os empregos do setor industrial.

De acordo com o IBGE, o segmento da indústria de transformação perdeu 786,2 mil vagas na década, enquanto o da indústria extrativa criou cerca de 16,8 mil novas vagas.

A extração de carvão mineral foi a atividade que mais perdeu vagas entre 2010 e 2019, enquanto a de extração de petróleo e gás natural foi a que mais abriu novos postos de trabalho.

“Tivemos um grande avanço na atividade de petróleo e gás natural com a exploração das reservas do pré-sal. Em uma década, o segmento aumentou sua parcela em 3,4 p.p. e registrou 7,2% do valor de transformação de toda a indústria”, enfatizou a gerente da pesquisa, Synthia Santana.

A atividade de fabricação de produtos alimentícios era a que mais empregava em 2019, respondendo por 22,2% de toda a mão de obra das indústrias de transformação. Já entre as indústrias extrativas, a atividade de extração de minerais metálicos liderava as contratações, respondendo por 45,2% do pessoal ocupado.

Ranking das atividades industriais que mais perderam ou criaram postos de trabalho entre 2010 e 2019 — Foto: Economia/G1

A atividade de fabricação de produtos alimentícios era a que mais empregava em 2019, respondendo por 22,2% de toda a mão de obra das indústrias de transformação. Já entre as indústrias extrativas, a atividade de extração de minerais metálicos liderava as contratações, respondendo por 45,2% do pessoal ocupado.

O IBGE destacou que a redução da mão de obra refletiu no porte médio das empresas em termos de pessoal ocupado, passando de 28 pessoas em 2010 para 25 em 2019. Na indústria extrativa, a redução foi de 34 para 30 pessoas.

Entre as atividades industriais, as empresas de maior porte em 2019 eram as de fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis, com cerca de 668 pessoas ocupadas por empresa, seguida pela extração de minerais metálicos, com 374 pessoas, e da fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, com 220 pessoas.

O levantamento do IBGE mostrou que a remuneração média paga pela indústria foi reduzida ao longo da década. Em 2010, a média era de 3,4 salários mínimos. Já em 2019, essa média caiu para 3,2 salários mínimos.

Nas indústrias extrativas, que têm média salarial mais alta, a redução foi ainda maior, passando de 5,9 para 4,6 salários mínimos. Já nas indústrias de transformação, a média caiu de 3,3 para 3,1 salários mínimos.

O IBGE destacou que a extração de petróleo e gás natural tinha, em 2019, o maior nível de remuneração, cuja média era de 23 salários mínimos. As outras maiores médias salariais eram observadas nas atividades de apoio à extração de minerais (9,7 salários mínimos) e de fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (7 salários mínimos).

Indústria automotiva menor

O levantamento do IBGE apontou para uma perda de representatividade da indústria automotiva no setor. Em dez anos, a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias caiu da 4ª para a 2ª posição em termos de faturamento do setor – em 2019, essa atividade respondeu por 9,2% do faturamento da indústria, 3,1 pontos percentuais a menos que em 2010.

“Esse declínio na indústria automobilística decorre de sucessivas crises no setor, com impactos regionais importantes, já que algumas plantas industriais foram transferidas para outras regiões mais atrativas ou foram totalmente fechadas. Mesmo com políticas contracíclicas, como a redução do IPI, algumas montadoras não resistiram”, explicou a gerente da pesquisa.

No sentido oposto, a extração de petróleo e gás natural aumentou a sua participação em 1,6 p.p., alcançando 1,7% do faturamento industrial total. Todavia, a atividade extrativa mais relevante foi a de extração de minerais metálicos, que concentrou 3,6% da indústria nacional como um todo.

Já entre as atividades das indústrias de transformação, o destaque ficou com a fabricação de produtos alimentícios, que respondeu por 20,5% de todo o faturamento do setor. Segundo o IBGE, ela “se consolidou como a atividade com a maior parcela de faturamento na série de dez anos, e a que mais avançou no período, perfazendo um ganho de participação de 3,3 p.p. nesse período”.

Maior concentração de mercado

Concentração da indústria atinge maior patamar desde 2010

De acordo com o IBGE, a concentração de mercado no setor industrial brasileiro atingindo 24,7% em 2019, o maior patamar em dez anos. O índice mede o percentual do valor da transformação industrial gerado pelas oito maiores empresas do setor. Na comparação com 2010, essa concentração aumentou em 2,4 p.p.

A indústria extrativa teve, no mesmo período, uma redução de 1,5 p.p. na concentração, passando de 75,5% para 74,0%. Já a indústria de transformação, embora com menor concentração, aumentou de 19,6% para 23,0%.

No período, a concentração aumentou na fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, de 33,5% para 46,1%, e na fabricação de celulose, papel e produtos de papel, que passou de 46,2% para 56,6%.

Mudanças na participação regional

O levantamento mostrou, ainda, alterações na participação regional dentro da indústria nacional. EM dez anos, a região Sudeste perdeu 3,2 p.p. em participação. As demais regiões, no entanto, aumentaram as suas participações no período – o Centro-Oeste em 1,1 p.p., o Sul em 0,8 p.p., o Nordeste em 0,7 p.p e o Norte em 0,6 p.p.

Apesar da perda, o Sudeste se manteve em 2019 com a maior participação dentro do setor, concentrando 57,7% do valor de transformação industrial. A Região Sul ficou em segundo lugar, com 19,2%, seguida pelo Nordeste (10,0%), Norte (7,5%) e Centro-Oeste (5,6%).



Fonte: G1