Dólar sai de mínimas após falas de Powell indicarem iminência de altas de juros nos EUA

Share on facebook
Share on twitter
Share on telegram
Share on whatsapp


Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar à vista fechou quase estável nesta quarta-feira, bem diferente da montanha-russa de preços vista ao longo do dia, especialmente após falas do chefe do banco central norte-americano que chacoalharam os mercados globais por terem sido vistas como mais abertas a altas mais fortes dos juros nos EUA.

O dólar à vista registrou variação positiva de 0,06%, a 5,4387 reais, no fechamento, depois de oscilar entre 5,459 reais pela manhã (alta de 0,43%) e 5,3927 reais (queda de 0,79%).

A mínima do dia foi atingida logo depois das 16h (de Brasília), horário em que o banco central norte-americano (Fed) divulgou seu comunicado de política monetária. O texto não trouxe grandes surpresas em relação ao já conhecido, o que fez investidores lerem o documento como “dovish” –termo em inglês que significa mais flexível com a inflação, o que, em tese, indicaria menor disposição para altas dos juros.

Porém, tudo mudou a partir de 16h30, quando o chair do Fed, Jerome Powell, começou a responder perguntas em coletiva de imprensa. Powell disse haver bastante espaço para altas de juros, destacou a força do mercado de trabalho e por várias vezes citou riscos de a inflação permanecer mais elevada por mais tempo, o que por sua vez exigiria reação mais forte da política monetária.

“O comunicado foi oito, e a entrevista foi 80”, resumiu Leon Abdalla, analista de investimento da Rio Bravo. “Eles (o Fed) estão vendo cada vez mais caminho livre para acelerar esse aperto monetário. Na conferência de imprensa veio o que o mercado esperava no comunicado, e quando ele (Powell) fala o impacto é sempre um pouco maior do que quando está escrito”, disse.

Veja textos sobre a decisão do Fed e a coletiva de Powell:

Após as falas de Powell, ativos das mais variadas classes pioraram o sinal: as bolsas de Nova York chegaram a mostrar firmes quedas antes de alguma recuperação, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA saltaram e o dólar disparou às máximas da sessão contra uma cesta de moedas.

Aqui, o dólar futuro foi da mínima à máxima na sequência da decisão do Fed, saindo de queda de quase 1% a alta de 0,40%.

O Fed deixou “em aberto cenários mais agressivos de altas a depender da evolução do cenário econômico. Portanto, embora a decisão tenha sido aproximadamente em linha com o esperado, a mensagem geral foi significativamente mais ‘hawk’ (dura)”, disse Marcos Mollica, gestor no Opportunity.

Altas de juros nos EUA costumam minar ativos emergentes, caso do real, uma vez que pioram a relação risco-retorno de se deixar de aplicar na dívida norte-americana –considerada a mais segura do mundo– e ficar exposto em mercados mais arriscados, como o de moedas emergentes.

Abdalla, da Rio Bravo, lembrou que mais recentemente o real se beneficiou de um movimento de compra de ativos “descontados” no mundo emergente, com o Brasil entre os destinos do fluxo estrangeiro.

“O real teve uma apreciação forte, mas com certeza grande parte desse movimento já ficou para trás, falando de semanas, talvez um ou dois meses”, disse, citando problemas idiossincráticos e o cenário ainda sensível em torno da política monetária norte-americana.

O dólar perdeu 5,17% entre a máxima recente –5,7128 reais, alcançada no dia 5 de janeiro– e a mínima da quinta-feira passada –5,4172 reais.









Fonte: Mix Vale