Dólar fecha em alta e volta a R$ 5,35 | Economia

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O dólar fechou em alta nesta sexta-feira (21) e encerrou a semana com avanço frente ao real, com investidores repercutindo a força da moeda norte-americana no exterior, mas também acompanhando movimentações políticas locais de olho na eleição de 2022.

A moeda norte-americana subiu 1,44%, cotada a R$ 5,3527. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,3552. Veja mais cotações.

Na semana, o dólar acumulou avanço de 1,56%. No mês, a queda é de 1,44%. No ano, porém, a alta ainda é de 3,19%.

A leitura é que uma economia norte-americana mais fortalecida pode levar a mais inflação e engrossar o coro dos que veem a alta dos preços como elemento que forçará o banco central dos EUA (Fed) a reduzir a oferta de liquidez antes do esperado.

Menor liquidez significa menos dólares no sistema, o que tende a aumentar o preço da moeda. A redução da oferta de dinheiro barato costuma cobrar seu preço de mercados emergentes, que pela fraca poupança interna precisam importar dólares para fechar suas contas.

A crença de que o Fed poderá diminuir seu apoio ganhou adeptos depois de na quarta-feira o BC norte-americano relatar em ata referências a discussões futuras acerca de um corte nas compras mensais de títulos.

“Agora, há sinais de que o Fed se prepara para sinalizar algum ajuste em sua política monetária”, disse Dan Kawa, CIO da TAG Investimentos. “Não resta dúvida de que estamos caminhando para um novo estágio do ciclo econômico, onde o crescimento ainda mostra sinais de recuperação, mas a inflação começa a amedrontar”, completou.

Nesta sexta, duas autoridades do BC norte-americano expressaram desejo de que se comece a debater corte de liquidez. Os apelos vieram no mesmo dia no qual dados mostraram que a atividade fabril nos EUA cresceu em maio no ritmo mais forte desde 2009, conforme dados preliminares.

O desempenho mais forte da economia norte-americana – visto ao longo da última década – é tradicionalmente um catalisador para um dólar fortalecido.

Na cena local, o mercado acompanhou ainda nesta sessão o noticiário sobre movimentações no campo político na direção de 2022. Chamou atenção o encontro entre os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso para um almoço nesta semana, enquanto tucanos históricos e petistas ensaiam uma aproximação cuidadosa de olho em um segundo turno da eleição do ano que vem no qual presidente Jair Bolsonaro possa ser derrotado.

Sob pressão de vários lados – inclusive de uma CPI da pandemia no Senado -, Bolsonaro voltou a subir o tom nos últimos dias, enquanto vê sua aprovação popular rondar os menores patamares desde o início de seu governo.

Riscos de ordem política são citados por bancos de investimento como um dos principais fatores a conter o otimismo sobre a taxa de câmbio, uma vez que mexem diretamente nas perspectivas para a agenda de reformas – vista como crucial pelo mercado -, com consequente impacto nas contas públicas.

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Variação do dólar em 2021 — Foto: Economia G1



Fonte: G1