Dólar fecha em alta e bate R$ 5,73, com exterior no radar; Ibovespa cai




A moeda norte-americana avançou 0,46%, cotada a R$ 5,7305. Já o principal índice da bolsa de valores brasileira recuou 0,37%, aos 127.128 pontos. Dólar
Karolina Grabowska/Pexels
O dólar inverteu o sinal negativo visto pela manhã e fechou em alta nesta sexta-feira (21), cotado a R$ 5,73.
Sem grandes destaques na agenda interna, investidores passaram o dia monitorando o noticiário internacional, de olho principalmente nos desdobramentos das contínuas ameaças tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e de um eventual novo acordo do país com a China.
O mercado ainda ficou de olho em novos dados da economia dos EUA — com destaque para a percepção dos empresários sobre a indústria e os serviços e o grau confiança dos consumidores na atividade do país — e na expectativa de novos estímulos econômicos na China.
Por ser a segunda maior economia do mundo, a China é um dos principais parceiros comerciais de diversos países (inclusive o Brasil). Assim, quando há um maior incentivo para que a atividade econômica chinesa cresça, as empresas e países que exportam para lá também se beneficiam.
A China também voltou a falar sobre as tarifas dos EUA impostas às importações vindas do país asiático e sinalizou uma busca por diálogos.
A temporada de balanços corporativos também ficou no radar.
O Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, a B3, fechou em queda.
Veja abaixo o resumo dos mercados.
Em meio a decretos de Trump elevando tarifas, veja principais itens do comércio entre Brasil e EUA e as tarifas cobradas
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
Dólar
Ao final da sessão, o dólar subiu 0,46%, cotado a R$ 5,7305. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,7359. Veja mais cotações.
Com o resultado, acumulou:
alta de 0,61% na semana;
recuo de 1,83% no mês; e
perdas de 7,27% no ano.
No dia anterior, a moeda americana teve baixa de 0,38%%, cotada a R$ 5,7043.

a
Ibovespa
Já o Ibovespa recuou 0,37%, aos 127.128 pontos.
Entre os destaques, as ações do Nu Holdings caíram mais e 15% no pregão desta sexta-feira, após o Nubank divulgar os resultados referentes a 2024. O banco registrou lucro, mas, segundo Einar Rivero, da Elos Ayta, houve uma realização de lucros de investidores que vinham impulsionando os papéis na última semana.
Com o resultado, o Ibovespa acumulou:
queda de 0,85% na semana;
ganho de 0,79% no mês;
alta de 5,69% no ano.
Na véspera, o índice teve alta de 0,23%, aos 127.601 pontos.

O que está mexendo com os mercados?
As preocupações com os impactos das frequentes ameaças tarifárias de Trump continuaram a impactar os mercados nesta sexta-feira.
Em seu anúncio mais recente, o republicano incluiu madeira e produtos florestais aos planos anunciados previamente de impor tarifas sobre carros importados, semicondutores e produtos farmacêuticos.
Além disso, ainda fica no radar a sinalização de Trump de que um novo acordo comercial com a China “é possível”. Nesta sexta, o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, disse que China e os EUA “tiveram uma troca de opiniões profunda sobre questões importantes nas relações econômicas” entre os países e que ambos os lados reconheceram a importância das relações comerciais entre os dois e concordaram em manter a comunicação sobre questões de preocupação mútua.
Na agenda econômica, uma leva de novos dados econômicos norte-americanos ficaram sob os holofotes, com destaque para o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria e do setor de serviços.
Segundo informado pela S&P Global, a atividade empresarial dos EUA quase estagnou em fevereiro, em meio a temores crescentes sobre tarifas de importação e cortes profundos nos gastos do governo federal norte-americano.
“As empresas relatam preocupações generalizadas sobre o impacto das políticas do governo federal, que vão desde cortes de gastos até tarifas e acontecimentos geopolíticos”, disse Chris Williamson, economista-chefe de negócios da S&P Global Market Intelligence à Reuters.
Os PMIs servem como um termômetro de tendências econômicas. Os indicadores são feitos com base em pesquisas mensais com companhias do setor privado, e dão uma dimensão do otimismo dos empresários sobre a economia.
Além disso, o país também reportou uma queda maior do que o esperado nas vendas de moradias usadas em janeiro, após três aumentos mensais consecutivos. Já a confiança dos consumidores dos Estados Unidos caiu mais do que o esperado em fevereiro, segundo dados da Universidade de Michigan.
Já do outro lado do mundo, a indicação de novos estímulos por parte do governo chinês também ficou na mira dos investidores. Na véspera, o banco central chinês prometeu que proporcionaria forte apoio financeiro para o desenvolvimento saudável da economia privada e o crescimento das empresas privadas no país.
*Com informações das agências de notícias Reuters e AFP



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