Depois de Odebrecht, OAS também adota novo nome e passa a se chamar Metha | Negócios

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Em busca de apagar o histórico de envolvimento com esquemas de corrupção revelados pela Operação Lava Jato, a empreiteira OAS iniciou o ano de 2021 com mudança de nome. A empresa passa a se chamar Metha.

Foi divulgada também uma carta compromisso de adoção de melhores práticas, chamada “Pedido de desculpas e compromissos futuros”. Dentre as promessas, estão “tolerância zero” à fraude e corrupção, cumprimento da legislação dos países em que a empresa atua e “conduta profissional com equidade, transparência, respeito, honestidade e responsabilidade”.

“Nos últimos anos, a OAS prestou todos os esclarecimentos necessários sobre os assuntos relacionados à Operação Lava Jato. Nesse período, a empresa, por meio de uma nova gestão, passou por inúmeras transformações”, diz a carta aberta.

“Esse é um momento em que a OAS assume seus erros perante à sociedade e mostra-se interessada em seguir adiante, de forma ética e íntegra, com o objetivo de continuar os negócios em infraestrutura, além de manter e criar milhares de empregos”, segue o texto.

Acordo de leniência: OAS terá que pagar quase R$ 2 bilhões em 28 anos

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A OAS foi uma das principais empreiteiras envolvidas no escândalo de propinas a políticos e diretores da Petrobras em troca de contratos com a estatal.

Em novembro de 2019, o grupo OAS assinou um acordo de leniência com a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Controladoria Geral da União (CGU), no qual aceitou pagar R$ 1,92 bilhão até 2047. Os valores serão destinados à União, no valor de R$ 1,03 bilhão, e às “entidades lesadas” (empresas estatais).

O acordo de leniência é uma espécie de delação premiada para empresas e prevê que a companhia colabora com investigações em troca da diminuição das penalidades.

  • R$ 720 milhões correspondem à restituição de valores pagos a título de propinas;
  • R$ 800,37 milhões correspondem ao enriquecimento ilícito obtido em razão da influência em contratos fraudulentos;
  • R$ 320,06 milhões correspondem à multa administrativa, prevista na lei anticorrupção;
  • R$ 84,73 milhões correspondem à multa civil, prevista na lei de improbidade administrativa.

Em março de 2020, a Justiça de São Paulo decretou o fim do processo de recuperação judicial da OAS. O grupo havia iniciado o processo em abril de 2015, na esteira dos desdobramentos da Lava Jato.

“Declaro que o plano de recuperação judicial foi cumprido no que tange às obrigações vencidas no prazo de fiscalização em vigor até a presente data”, destacou o juiz Tiago Henriques Papaterra Limongi, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo.

O mesmo movimento foi feito no mês passado pela Odebrecht. No dia 18, a empresa passou a se chamar Novonor. Segundo a empresa, a nova denominação marca a transformação empreendida pela empresa nos últimos cinco anos, com mudanças de “processos internos” e “métodos de atuação”, agora “rigorosamente pautados pela ética, integridade e transparência”.

As alterações fazem parte de acordos que a empresa firmou com autoridades em virtude de seu envolvimento com esquemas de corrupção, em especial, a Operação Lava Jato.

“A empresa implantou um sistema de conformidade no padrão das grandes corporações internacionais, e que foi certificado há dois meses por um monitor independente do Departamento de Justiça dos Estados Unidos”, diz nota da Novonor.

A Odebrecht foi uma das empresas mais correlacionadas e impactadas pela Operação Lava Jato desde 2015. Além do Brasil, há outros 11 países em que a Odebrecht admite ter pago propina para funcionários do governo, políticos e outras autoridades com o objetivo de obter contratos ou benefícios em obras, de acordo com relatório do Departamento de Justiça dos EUA.

“Não estamos apagando o passado. Passado não se apaga. Passado é exatamente o que ele é – passado. Depois de tudo o que promovemos de mudanças e de correção de rumos, estamos agora olhando para o que queremos ser: uma empresa inspirada no futuro. Este é o nosso novo norte”, afirma em nota Maurício Odebrecht, acionista majoritário do grupo.

Em 2020, as entranhas dos escândalos em que a Odebrecht esteve envolvida foram revelados pelo livro “A Organização”, da jornalista Malu Gaspar. Veja abaixo a reportagem do Fantástico.

Livro

Livro ‘A Organização’ traz os bastidores do caso Odebrecht

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Fonte: G1

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