Definição do novo Conselho da Petrobras marca nova fase com maior interferência do governo | Blog Ana Flor

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A definição do novo Conselho de Administração da Petrobras nesta segunda-feira (12) marca uma nova fase da empresa, com menos independência em relação aos últimos dois anos e maior interferência do governo federal.

Integrantes do conselho e especialistas no setor ouvidos pelo blog afirmam que o problema não foi a troca do presidente da empresa, mas a forma intempestiva com que o presidente Bolsonaro anunciou a mudança.

O presidente forçou a saída de Castelo Branco por ele não ceder à pressões, em especial de caminhoneiros, para segurar reajustes nos preços de combustíveis.

Segundo dados da própria estatal, de 2011 a 2015 a empresa teve perdas de mais de US$ 200 bilhões por não repassar para o preço dos combustíveis o aumento do preço do petróleo, cotado pelo mercado internacional.

A assembleia geral, marcada para esta segunda-feira (12), irá renovar oito dos 11 conselheiros. A União é sócia majoritária na Petrobras e indica sete dos 11 conselheiros.

Especialistas afirmam que há uma regressão na governança da Petrobras e outras estatais. O conselho que se desfaz nesta segunda (12) foi escolhido de acordo com princípios de governança e transparência. Ele é composto por nomes selecionados via headhunters, com reconhecida experiência no setor.

Novas indicações para o conselho de administração e para o conselho fiscal passam pelo Comitê de Pessoas da empresa. O Conselho rejeitou pelo menos dois nomes por não se adequarem às regras de compliance ou governança.

A forma como se deu a demissão de Castelo Branco provocou pedidos de desligamento de diretores da empresa e levou à saída de pelo menos quatro outros conselheiros, que rejeitaram recondução.

Alvo de ampla investigação ao longo da operação Lava Jato, as políticas decididas pela Petrobras acarretaram em responsabilização de conselheiros.

Investidores terão olhar para dois pontos específicos a partir de agora na Petrobras: como ficará a política de preço dos combustíveis e o futuro do plano de desinvestimentos da empresa – que já vem sofrendo atrasos e desvalorização de ativos.

Outras empresas com ações em bolsa mas que são controladas pelo governo também sentiram o peso da interferência do presidente. O Banco do Brasil teve troca do comando após Bolsonaro não concordar com um enxugamento nas agências do banco e a Eletrobras, com o recente pedido de demissão do presidente da empresa, Wilson Ferreira, insatisfeito com o atraso no processo de capitalização.

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Fonte: G1

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