David Neeleman, conheça os passos do fundador da JetBlue e da Azul

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David Gary Neeleman é um brasileiro-americano, fundador de importantes companhias aéreas, como a JetBlue Airways e Morris Air (Estados Unidos), WestJet (Canadá) e Azul Linhas Aéreas (Brasil). Em 2020, o empresário tinha um patrimônio avaliado em mais de R$7,9 bilhões.

David Neeleman é um dos nomes mais importantes deste setor aéreo por ser fundador de importantes companhias em três países diferentes, o que é considerado um marco e um sucesso nunca antes visto. Em maio de 2021, ele lançou sua nova companhia, a Breeze Airways.

Sua trajetória começou quando ele tinha apenas 25 anos. Hoje, aos 61 anos, Neeleman já enfrentou muitos desafios, especialmente agora com a pandemia da Covid-19, onde os voos ficaram parados por meses devido ao novo coronavírus. Com a retomada gradual das viagens domésticas , bem como regionais, o mercado volta a aquecer.

Neste artigo vamos contar um pouco mais sobre os passos que David Neeleman deu até se tornar um dos homens mais influentes do mercado aéreo no mundo, então, continue acompanhando e boa leitura!

David Neeleman – quem é?

David Gary Neeleman nasceu no dia 16 de outubro de 1959, na cidade de São Paulo (SP). Descendente de neerlandeses e norte-americanos, com apenas cinco anos mudou-se com sua família para os Estados Unidos, onde seu pai era correspondente de uma agência de notícias chamada United Press International (UPI).

Em solo americano, Neeleman estudou na Universidade de Utah, onde cursou Contabilidade. Membro da Igreja dos Mórmons, retornou ao Brasil, sua terra natal, para trabalhar como missionário mórmon. Os brasileiros-americanos reaprendeu a falar a língua português durante os dois anos que viveu na região Nordeste do País, isso entre os anos de 1970 a 1980.

O turismo abriu as portas para a aviação

Ao retornar para os Estados Unidos, passou a trabalhar com vendas de pacotes turísticos, sendo o Havaí o principal destino. Foi em 1984 que ele decidiu montar seu império no setor aéreo. Com apenas 25 anos, ele fundou sua primeira empresa, isto é, a Morris Air, em Salt Lake City.

Diferente de tudo que já tinha visto, a Morris foi a primeira companhia aérea a implementar passagens eletrônicas e agentes de reservas domésticos. Essa criação lhe rendeu fama. Além disso, era David que cuidava de tudo, desde o embarque dos passageiros até a limpeza das aeronaves. O negócio chamou atenção, e, em 1993, a Southwest Airlines comprou sua ideia por US$120 milhões. Mas, cinco meses depois, Neeleman foi expulso depois de fazer críticas aos executivos.

Em seguida, David Neeleman partiu para sua segunda experiência no mercado aéreo. Em 1996, ele fundou a canadense WestJet, uma opção mais em conta, se comparada com as companhias de alto custo do país. Mas, seu reconhecimento no setor só veio no ano de 1998, quando ele fundou a JetBlue Airways, nos Estados Unidos. O seu maior diferencial, além de aeronaves novas, era que em cada cadeira havia uma televisão.

JetBlue Airways

Fundada em 24 de agosto de 1998, a JetBlue Airways foi o salto que tanto David Neeleman almejava. O crescimento da companhia foi surreal, mesmo diante da crise no setor da aviação, a maior da história norte-americana. Com apenas uma semana de operação, a JetBlue já tinha vendido mais de milhão de passagens.

Se o setor sofria perdas que chegavam a mais de US$20 bilhões (valor superior ao lucro obtido em 50 anos pelo setor), a JetBlue conseguiu lucrar com operações porque cobrava as tarifas mais baixas dos Estados Unidos.

Azul Linhas Aéreas

O ano era 2008. David tinha acabado de voltar oficialmente para o Brasil e além disso, estava com planos de lançar uma nova companhia em solo brasileiro. A ideia era abrir uma empresa competitiva, mas que também tivesse bons preços de passagens aéreas. O anúncio foi feito durante o concurso que foi aberto para escolher o nome da companhia.

Apesar da escolha ter sido “Samba”, o nome oficial passou a ser “Azul”. Tanto a pessoa que sugeriu “samba” como quem sugeriu “azul” ganharam passagens vitalícias para ele e mais um acompanhante, como forma de bonificação por terem indicado essas sugestões.

Os planos de Neeleman era utilizar apenas aeronaves brasileiras, como o Embraer 195. Devido o processo de criação da nova companhia demandar muito tempo para ser concluído, o empresário cogitou a ideia de comprar ou fazer negócio com uma empresa regional brasileira de pequeno porte, para que assim, pudesse agilizar o processo. A necessidade de dar celeridade à documentação era devido ao tempo para iniciar as operações. David queria que tudo estivesse pronto até o final daquele mesmo ano.

Um levantamento feito em 2018, mostrou que a Azul Linhas Aéreas detinha 17,9% do mercado de voos domésticos no País, transportando mais de 20 milhões de pessoas somente em 2017. Naquele ano, ficou em terceiro lugar entre as companhias no Brasil, sendo o primeiro lugar ocupado pela Gol (36,2%) e o segundo pela Latam (32,6%).

Ainda em 2017, a Azul Linhas Aéreas fez uma Oferta Pública Inicial (IPO) na bolsa, o que fez David Neeleman tornar-se um bilionário. Ele vendeu somente 3,53% de suas ações, mas continua como o maior acionista individual (50%) da empresa.

Vigzul

David Neeleman e seu irmão mais novo, Mark Neeleman, fizeram uma sociedade, e, em 2013, lançaram a empresa Vigzul. O empreendimento é voltado para a área de fortalecimento de sistemas, bem como serviços de monitoramento residencial e comercial. Os recursos do investimento foram subsidiados pelo fundo de patrimônio privado Peterson Partners, que possui participação na Azul.

TAP Air Portugal

Em junho de 2015, a TAP Air Portugal abriu para a semiprivatização. David Neeleman e o empresário Humberto Pedrosa, do Grupo Barraqueiro, fizeram uma parceria e assim, conquistaram a privatização da companhia. O consórcio Gateway, formado pela sociedade HPGB, SGPS, S.A. e pela DGN Corporation., assumiu o controle de 45% das ações da companhia de bandeira portuguesa.

A Comissão Europeia aprovou todas as questões legais da operação. Na pauta não foi incluída, por exemplo, a proibição de que companhias aéreas, com sede na União Europeia, tenham mais de 50% de suas ações controladas por sócios não europeus. Isso porque Humberto Pedrosa é português e controla a maioria do capital da TAP Air Portugal.

Neeleman sai da TAP Air Portugal

Em 2020, devido à pandemia causada pelo Covid-19, David Neeleman deixou de integrar o time de capital da TAP Air Portugal. A decisão foi tomada como forma de restaurar a companhia, que necessitava obter ajuda financeira dos fundos europeus destinados aos empreendimentos afetados diretamente pelo novo coronavírus. No final de 2020, o Grupo TAP demitiu mais de 2.800 trabalhadores.

Em uma mensagem enviada aos trabalhadores do Grupo TAP, David Neeleman destacou que sempre quis o melhor para a companhia e que se via obrigado a deixar a empresa devido à crise causada pela pandemia.

“Sempre quis o melhor para a TAP. Foi assim em 2015, quando me candidatei à privatização e acreditei quando mais ninguém acreditava, e é assim hoje, quando concretizo o acordo com o estado Português para deixar de ser acionista da TAP. Infelizmente, a pandemia COVID, o seu impacto na indústria da aviação mundial e as decisões tomadas no contexto concreto da TAP não me permitiram continuar. A TAP precisa muito de estabilidade acionista e por isso acordei sair. Estou, de novo, a fazer o que é melhor para a TAP”, escreveu.

Ainda na mensagem, David se despediu destacando o orgulho que tem em ter feito parte da equipe do Grupo TAP.

Aigle Azur

Em 16 de novembro de 2017, David Neeleman comprou da Weaving Group a participação de 32% na companhia aérea francesa Aigle Azur.

Breeze Airway

Em maio de 2021, David Neeleman deu um novo salto no setor aéreo. Ele inaugurou a Breeze Airway, criada com o intuito de oferecer uma experiência agradável, passagens de baixo custo e alta flexibilidade.

Os primeiros voos Breeze Airway começaram a operar na Carolina do Sul, Flórida, bem como Connecticut, com os demais destinos sendo definidos até julho deste ano. David decidiu atuar nessas rotas uma vez que os lucros gerados são insignificantes para as grandes e principais companhias aéreas, especialmente porque elas estão focadas em suas recuperações pós pandemia.

Enquanto as outras companhias focam seus esforços em outras rotas, Neeleman atendendo este nicho, atendendo um pequeno mercado, mas movimentando-se de maneira ágil e contemplando a demanda, atuando com custos operacionais reduzidos e gerando margens significativas para a empresa.

A frota da Breeze é planejada e composta por 13 jatos Embraer, sendo aviões E190, como acomodação de até 108 passageiros, mas também possui aeronaves E195, com até 118 lugares. Ainda no início do mês de maio, a Breeze assinou um contrato com o Programa Pool, que oferecerá suporte para a frota da companhia. O acordo de longo prazo inclui cobertura total de componentes, bem como peças, além do acesso ao centro de distribuição da Embraer.

Conclusão

David Neeleman investiu no setor aéreo e, portanto, acertou em cheio. O negócio lhe rendeu bilhões, bem como diversas empresas. Mesmo com alguns desafios em seu caminho, ele continua investindo, e, literalmente, alçando voos para novas oportunidades.

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Fonte: R7