Cummins, gigante de motores diesel, foca investimento em data centers para crescer

A americana Cummins, tradicionalmente associada à fabricação de motores diesel para os setores de transporte, mineração, geração de energia e infraestrutura, está acelerando sua diversificação no Brasil com foco em um dos mercados que mais crescem no mundo: os data centers. A companhia, que faturou cerca de R$ 6 bilhões no País em 2025, aposta na expansão da infraestrutura digital para ampliar sua presença em soluções de energia de missão crítica e fortalecer uma nova frente de crescimento.

O movimento acompanha a rápida evolução do mercado brasileiro de data centers, atualmente o maior da América Latina. O País concentra aproximadamente 60% dos investimentos regionais no setor e vem atraindo projetos impulsionados pela expansão da inteligência artificial, da computação em nuvem, dos serviços digitais e pela chegada de grandes operadores globais de infraestrutura tecnológica.

Apesar do potencial, a expansão enfrenta desafios importantes. A disponibilidade de energia elétrica, a capacidade das redes de transmissão, os prazos para obtenção de licenças e a escassez de profissionais especializados são apontados como alguns dos principais gargalos para o crescimento do setor. Ainda assim, o Brasil reúne condições consideradas estratégicas para se tornar um dos principais polos globais de infraestrutura digital, beneficiado por uma matriz energética majoritariamente renovável, custos competitivos de energia e elevada conectividade internacional.

Com o HVO (Hydrotreated Vegetable Oil) é possível reduzir emissões sem alterações na infraestrutura existente
Com o HVO (Hydrotreated Vegetable Oil) é possível reduzir emissões sem alterações na infraestrutura existente

Nesse cenário, a Cummins busca se posicionar como fornecedora de soluções de energia de backup para operações críticas, um componente considerado indispensável para garantir a continuidade de funcionamento dos data centers. A empresa oferece sistemas capazes de sustentar operações mesmo em casos de interrupções no fornecimento elétrico, condição essencial para ambientes que operam 24 horas por dia e processam grandes volumes de dados.

“O crescimento exponencial da inteligência artificial está mudando a escala de demanda por infraestrutura digital em todo o mundo. Os data centers se tornaram ativos estratégicos para a economia e exigem níveis cada vez maiores de confiabilidade energética. Queremos ser um parceiro tecnológico nesse processo de expansão”, afirmou Adriano Rishi, presidente da Cummins Brasil, em entrevista exclusiva ao BRAZIL ECONOMY.

A companhia desenvolveu um portfólio específico para atender projetos de diferentes portes, desde operações de colocation até grandes instalações hyperscale. Entre os destaques estão as plataformas QSK95 e Centum 78L, voltadas para aplicações de alta potência e elevada densidade energética, além de soluções modulares containerizadas que permitem acelerar a implantação dos empreendimentos.

A estratégia também inclui sistemas avançados de controle e monitoramento, além da integração com microgrids e sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS), tecnologias que vêm ganhando relevância à medida que operadores buscam maior eficiência energética e redução de emissões.

Segundo Rishi, o mercado brasileiro apresenta uma oportunidade adicional que vai além da construção de novos empreendimentos. “Hoje, uma parcela significativa dos dados consumidos no Brasil ainda é processada fora do País. Existe uma tendência de relocalização dessa infraestrutura, impulsionada por questões regulatórias, de latência e segurança. Isso cria uma demanda estrutural que deve sustentar investimentos por muitos anos”, disse.

A Cummins estima que a vertical de data centers poderá contribuir entre 10% e 20% para o crescimento de sua receita nos próximos cinco anos. Para capturar essa oportunidade, a empresa aposta não apenas no fornecimento de equipamentos, mas em uma abordagem integrada que inclui projeto, especificação, instalação, comissionamento e manutenção.

Outro diferencial destacado pela companhia é sua estrutura global de suporte. A fabricante conta com uma rede de distribuidores em mais de 190 países e mantém centros especializados nos Estados Unidos dedicados à integração de sistemas energéticos e ao desenvolvimento de soluções acústicas para ambientes urbanos, um requisito cada vez mais relevante em projetos instalados próximos a centros metropolitanos.

A expansão também está alinhada à agenda de transição energética da empresa. Entre as iniciativas está o uso de combustíveis renováveis, como o HVO (Hydrotreated Vegetable Oil), que permite reduzir emissões sem necessidade de alterações significativas na infraestrutura existente.

“Nosso objetivo é combinar confiabilidade, sustentabilidade e inovação. O mercado de data centers exige disponibilidade próxima de 100%, mas também busca reduzir sua pegada de carbono. Essa combinação está no centro da nossa estratégia para os próximos anos”, afirmou Rishi.

A aposta nos data centers marca uma transformação relevante para a Cummins no Brasil. Conhecida por décadas como uma das maiores fabricantes globais de motores diesel, a empresa busca ampliar sua atuação para segmentos ligados à digitalização da economia, acompanhando mudanças estruturais que vêm redefinindo o perfil de demanda por energia em todo o mundo.

 




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