Crédito bancário acelera em abril, e taxa média de juros avança | Economia

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O volume total do crédito bancário registrou crescimento em abril e as concessões de novos empréstimos também se aceleraram, segundo números divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (28).

Ao mesmo tempo, a taxa média de juros cobrada pelas instituições financeiras subiu no período, em linha com o aumento da taxa básica de juros, a Selic, efetuada pelo Banco Central para conter a inflação (veja detalhes mais abaixo).

Segundo a instituição, o volume total do crédito ofertado pelos bancos subiu 0,5% no mês passado, para R$ 4,126 trilhões, na comparação com R$ 4,104 trilhões em março. Houve estabilidade na carteira de pessoas jurídicas (com saldo de R$ 1,8 trilhão) e expansão de 1% na de pessoas físicas (para R$ 2,3 trilhões).

A taxa de inadimplência média registrada pelos bancos nas operações de crédito registrou pequeno aumento em abril, para 2,2%, na comparação com 2,1% em março. Nas operações com pessoas físicas, a inadimplência ficou estável em 2,9% no mês passado e, no caso das empresas, subiu de 1,2% para 1,3%.

Os números do BC mostram que o crescimento do crédito total foi acompanhado de aceleração das novas concessões – que somaram R$ 393,848 bilhões em abril, contra R$ 375,690 bilhões no mês anterior.

Com isso, houve uma alta de 4,83% em abril, enquanto o crescimento, em março, havia sido de 1,5%. Esse cálculo foi feito após ajuste sazonal (uma espécie de “compensação” para comparar períodos diferentes).

Crédito no Brasil

desempenho mensal, em %

Fonte: Banco Central

Em doze meses até abril, o volume de crédito bancário registrou aumento de 15,1%, o que também representa aceleração no ritmo de crescimento. Em doze meses até março, a alta registrada foi de 14,5% no estoque dos empréstimos bancários.

Para todo este ano, o Banco Central estima uma expansão de 8% no crédito bancário. Em 2020, impulsionado por linhas emergenciais de crédito para o combate aos efeitos da pandemia, o crédito bancário teve alta de 15,5%.

A alta menor prevista pelo BC para o crédito neste ano acontece em um cenário de expressiva redução de linhas de crédito extraordinário para o combate aos efeitos da Covid-19.

No ano passado, o governo aportou R$ 58 bilhões em cotas de fundos garantidores dos empréstimos. Para este ano, estão previstos, até o momento, somente R$ 5 bilhões para o Pronampe (programa de crédito para micro e pequenas empresas). Outras despesas relacionadas com a pandemia também recuaram fortemente em 2021.

Os juros bancários médios com recursos livres (sem contar habitacional, rural e BNDES) de pessoas físicas e empresas, subiram de 28,5% ao ano, em março, para 29% ao ano no mês passado – uma alta de 0,5 ponto percentual. No crédito livre, a instituição financeira tem mais liberdade para fixar a taxa de juro.

A alta dos juros bancários médios aconteceu em um momento de aumento da taxa básica de juros da economia. A taxa Selic começou a subir somente em março deste ano, quando avançou para 2,75% ao ano e, no início de maio, foi elevada para 3,5% ao ano.

  • Nas operações para pessoas físicas, a o juro médio passou de 40,9% ao ano, em março, para para 41% ao ano em abril;
  • Considerando só as empresas, a taxa média de juros bancários passou de 13,9% ao ano em março para 14,7% ao ano em abril;
  • No cheque especial das pessoas físicas, a taxa subiu de 122,3% ao ano em março para 124,5% ao ano em abril. Nessa linha de crédito, o BC adotou um teto para os juros;
  • Nas operações com cartão de crédito rotativo de pessoas físicas, os juros bancários cobrados das pessoas físicas subiram de 334,6% ao ano, em março, para 335,3% ao ano em abril. Com isso, a taxa segue em patamar proibitivo.

O crédito rotativo do cartão de crédito pode ser acionado por quem não pode pagar o valor total da fatura na data do vencimento, mas não quer ficar inadimplente. Essa é uma das linhas de crédito mais caras do mercado e, segundo analistas, deve ser evitada. A recomendação é que os clientes bancários paguem todo o valor da fatura mensalmente.

De acordo com o BC, o chamado spread bancário médio com recursos livres passou de 22,4 pontos percentuais, em março, para 22,5 pontos percentuais em março. O spread é a diferença entre quanto os bancos pagam pelos recursos e quanto cobram dos clientes.

O spread bancário composto pelo lucro dos bancos, pela taxa de inadimplência, por custos administrativos, pelos depósitos compulsórios (que são mantidos no Banco Central) e pelos tributos cobrados pelo governo federal, entre outros.

Nas operações com pessoas físicas, o spread caiu de 34,4 pontos em março para 34 pontos em abril. Com isso, ainda segue em patamar elevado para padrões internacionais.

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Fonte: G1