CPR, consórcio, fintechs: empresas apontam alternativas para crédito rural fora do financiamento bancário | Agrishow 2022

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Mas, muito além dos tradicionais financiamentos, que responderam por ao menos 40% dos negócios movimentados na feira, o produtor rural conta hoje com outras alternativas de obtenção de crédito.

Entre taxas, prazos e condições, a opção mais vantajosa depende da urgência e da capacidade de desembolso dos produtores rurais, explicam representantes de fabricantes e instituições financeiras entrevistados pelo g1 durante a maior feira de tecnologia agro do país.

A seguir, a reportagem explica algumas delas.

Consórcio: para quem pode se planejar

A ausência de cobrança de juros e a possibilidade de não se descapitalizar a curto prazo são os grandes motes para obtenção de crédito rural por meio do consórcio.

Nele, o interessado adquire uma carta de crédito ao entrar para um grupo de cotistas, paga parcelas mensais e espera pela contemplação por sorteio ou por lance. Por suas características, essa é a melhor opção para quem pode esperar antes de renovar o maquinário.

“O consórcio é um planejamento, uma poupança programada, uma programação de aquisição sem a descapitalização de caixa, diferente de um financiamento que precisa dar uma entrada ou mesmo da forma de pagamento à vista. Ele tem taxas mais atrativas porque não tem taxa de juros, tem apenas uma taxa de administração que varia de acordo com o prazo”, explica Larissa Maluf, regional comercial do Consórcio Mercedes-Benz.

Presente na Agrishow, a montadora disponibiliza, por exemplo, planos para aquisição de veículos que custam a partir dos R$ 160 mil e podem ultrapassar R$ 1 milhão, com prazos de pagamento de 24 a 120 meses e taxas de administração mensais que chegam a 0,14% – o que representa menos de 2% ao ano.

Por um lado, o consorciado contemplado ganha o poder de negociação à vista. Por outro, precisa de paciência, sorte ou um aporte para ter acesso à carta de crédito, explica Larissa. Em alguns casos, ele ainda pode antecipar o pagamento de parcelas para ter maior previsibilidade na contemplação.

“O consórcio não é para quem precisa de produto de imediato porque depende das contemplações para liberar o crédito. É para alguém que quer se programar, para alguém que quer renovar de uma forma muito mais barata.”

Larissa Maluf, regional comercial do Consórcio Mercedes-Benz, presente na Agrishow 2022 — Foto: Rodolfo Tiengo/g1

Cédula de Produtor Rural: agilidade

Para quem tem pressa, uma opção fora dos financiamentos bancários é o crédito obtido por meio da emissão da cédula de produtor rural (CPR).

Por meio dessa operação, via de regra, o produtor devidamente documentado – com comprovação de que dispõe de local para produzir e tem produção ativa – coloca o resultado de sua atividade agrícola, como sacas de milho e soja, como garantia para obter um aporte, que pode ser quitado ao término da safra.

O capital é originário de investimentos negociados na Bolsa de Valores por títulos como a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA). Em instituições financeiras como o Sistema de Crédito Cooperativo (Sicredi), essa modalidade movimentou ao menos R$ 1 bilhão entre 2020 e 2021, afirma Gilson Nogueira, gestor agro do Sicredi.

Além da agilidade, inclusive com a possibilidade de fechar negócio pelo celular, o plano oferece como atrativo a isenção da cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Gilson Nogueira, gestor agro do Sicredi, na Agrishow 2022 — Foto: Rodolfo Tiengo/g1

“É uma modalidade que não é nova, mas que está sendo remodelada e está tendo vantagem em relação a outros produtos de crédito tradicionais. A CPR é uma cédula que ele emite frente a uma produção agrícola. Em função daquilo, a gente consegue um crédito pra ele de forma rápida, mais ágil”, explica.

A CPR não tem um crédito prefixado e é emitida de acordo com a capacidade de pagamento do interessado. As taxas de juros também dependem da instituição financeira e dos movimentos da economia brasileira. No Sicredi, esse indexador chega a 14,99% ao ano.

“Pelo momento atual a gente entende que é uma taxa de mercado, mas a depender da região do Brasil em que se está ele pode ter uma taxa um pouco melhor e pode ter um pouco maior, vai depender do momento. Se a taxa de juros subir de novo a CPR vai subir, se baixar ela vai baixar”, pondera Nogueira.

Fintechs oferecem digitalização para facilitar fluxo de obtenção de crédito rural — Foto: Rodolfo Tiengo/g1

Fintechs: menos burocracia

A Cédula de Produtor Rural é uma das modalidades sugeridas a clientes de fabricantes que fecham parcerias com fintechs, empresas de tecnologia que oferecem soluções para o mercado financeiro.

Aqui, a vantagem prometida é um trâmite menos burocrático, além de uma responsabilidade compartilhada entre o produtor e a instituição financeira como garantidores do crédito a ser obtido.

“As fintechs vêm com uma estrutura um pouco menos exigente na questão de concessão de crédito e vêm sim suplantar esse momento de falta de recursos dos planos governamentais”, afirma Eduardo Fernandes, diretor administrativo financeiro da Baldan.

Como forma de facilitar a decisão de compra dos clientes nas revendedoras, pela primeira vez, a fabricante de implementos agrícolas de Matão (SP) levou para a Agrishow uma parceria com a Agrolend, que tem sob custódia um total de R$ 81 bilhões em quatro fundos de investimentos diferentes como fonte dessas subvenções.

Por meio dela, pequenos e médios produtores têm acesso a linhas de crédito iniciais de até R$ 500 mil por pessoa que podem ser solicitadas por um aplicativo no celular e que são analisadas em 48 horas. O pagamento, somente feito ao término da safra, está sujeito a uma cobrança de juros hoje cotada a 19% ao ano.

Segundo Fernandes, embora tenha uma taxa mais alta do que a oferecida por bancos tradicionais, o plano oferecido pela empresa pode ser interessante para o agricultor que não quer encarar a burocracia do primeiro financiamento e não pode esperar muito tempo para preparar o plantio.

“Existe uma burocracia pelo primeiro financiamento, às vezes demora seis meses e foi uma safra, ou de inverno ou de verão, e ele não consegue os insumos para fazer aquele plantio, então ele fica com seu arrendamento durante seis meses e não consegue plantar nada”, exemplifica.

A desburocratização e a digitalização de processos também são as apostas da Traive Finance, plataforma que conecta, em um único sistema, credores, produtores rurais em busca de recursos e o mercado financeiro.

“A velocidade com que a gente fala sim ou não para o produtor é muito importante pra ele, principalmente um não. Ele ouvir um não rápido também é tão importante quanto ter um crédito aprovado”, afirma Luís Lapo, diretor de riscos da Fintech.

A empresa, uma das premiadas no Prêmio Agrishow de Startups deste ano, ajuda produtores rurais a obter recursos por meio de operações como o Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), além da Cédula de Produtor Rural (CPR), desde que os interessados comprovem boas práticas socioambientais.

Não há uma faixa de valores específica de concessão, mas a empresa já chegou a financiar R$ 22 milhões para um único produtor.

Segundo Lapo, esses produtos são uma boa alternativa, por exemplo, para quem procura complementar os recursos obtidos por outras linhas de financiamento.

“Os produtores rurais acabam tomando crédito com vários bancos e crédito mercantil também, comprando a prazo de vários players. Então a gente entra como um complemento a essas linhas de crédito.”

Mercedes-Benz ofereceu banco próprio a clientes como alternativa para assinar contratos na Agrishow 2022 — Foto: Rodolfo Tiengo/g1

Bancos próprios: solução em um só lugar

Outra alternativa encontrada por parte das empresas para facilitar a tomada de decisão dos clientes é criar bancos próprios. Em muitos casos, as linhas de financiamento são as mesmas das instituições tradicionais, mas trazem a promessa de apresentar taxas competitivas e de encurtar o caminho para a obtenção do crédito, além de reunir todas as soluções do negócio em um mesmo lugar.

É o caso da Mercedes-Benz, que trabalha com as mesmas principalmente com Crédito Direto ao Consumidor (CDC) e o BNDES Finame para a venda de caminhões.

Durante a Agrishow, a montadora ofereceu parcelamentos com taxa de juros de 15,2% ao ano, além de facilidades como carência de três meses, parcelas anuais intermediárias e parcelamento em até 72 meses, como na linha de extrapesados.

“Estamos com um volume considerável de negociações em andamento, iniciadas justamente por clientes visitando a Agrishow interessados em financiar caminhões Mercedes-Benz”, confirma a empresa.

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Fonte:G1