Copom indica mais um aumento de 0,75 ponto da Selic, dizem analistas | Economia

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Este foi o segundo aumento seguido da Selic. Em março, o Copom elevou a taxa de 2% para 2,75% ao ano, aumento além do esperado à época pelo mercado financeiro.

“O BC já contratou mais 0,75 ponto de alta para a próxima reunião (de junho), o que indica que ele vai ter uma curva de alta da Selic mais intensa agora no curto prazo”, afirma João Leal, economista da Rio Bravo Investimentos.

No comunicado, o Copom indicou um processo de normalização parcial da taxa de juros, mas pontuou que “não há compromisso com essa posição e que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação.”

“Ele fez uma espécie de disclaimer. Ele preferiu, de certa forma, se desamarrar um pouco dessa ideia (de processo de normalização parcial)”, afirmou Silvio Campos Neto, economista da consultoria Tendências.

O Copom também deixou claro que a política monetária tem como objetivo a inflação de 2022. Para o próximo ano, a meta de inflação é de 3,5%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual.

A evolução da taxa Selic

Desde 2017, em % ao ano

Fonte: Banco Central

Na projeção do Comitê, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar o próximo ano em 3,4%, portanto, abaixo do centro da meta. No relatório Focus, que colhe a avaliação de uma centena de analistas, a expectativa é de alta de 3,61%.

“No comunicado, chama atenção que o horizonte relevante é o ano de 2022. Ele deixa de falar em 2021 como vinha falando na última reunião”, diz Rodrigo Cruz, sócio e gestor de Renda Fixa e Câmbio da Meraki Capital

Na projeção do Copom, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar o próximo ano em 3,4%, portanto, abaixo do centro da meta. No relatório Focus, que colhe a avaliação de um centena de analistas, a expectativa é de alta de 3,61%.

Mais cedo, nesta quarta, o Ministério da Economia elevou a projeção de inflação para 2021, passando de 3,23% para 4,4%.

Na avaliação de Reinaldo Nogueira, diretor-geral do Ibmec São Paulo e Brasília, o Copom indicou que vai utilizar os juros para encaminhar a inflação para o centro da meta, mas que novas altas — ainda que inferiores a 0,75 — serão necessárias para controlar o índice de preços.

“O que importa mais é essa trajetória. Esse direcionamento [de alta] tem um efeito sobre capitais e sobre os preços de importados, que impacta na inflação”, explicou..



Fonte: G1