Comitiva sem máscara é constrangimento diplomático e afronta ao brasileiro comum | Blog Ana Flor

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O episódio protagonizado pelo chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, em que é repreendido por utilizar a máscara em um evento com seu contraparte de Israel, Gabi Ashkenazi, constrange a diplomacia brasileira e, somado às fotos da comitiva – em solo brasileiro sem máscara, em solo israelense com máscara – manda mais uma mensagem ao mundo de que o governo do Brasil segue a passos largos na contramão do combate à Covid-19.

Comitiva oficial do governo Jair Bolsonaro, sem máscara, em embarque para Israel — Foto: Twitter/Reprodução

Comitiva brasileira desembarca em Israel durante viagem oficial — Foto: Ministério das Relações Exteriores/Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro estava na primeira foto, mas não na segunda. Ele não viajou para Israel.

A comparação das duas fotos, tiradas com a diferença de menos de um dia, é uma afronta ao brasileiro que precisa usar máscara para entrar em um supermercado, uma farmácia ou mesmo em um hospital. O brasileiro, gostando ou não, sabe que usar máscara é lei. É lei e é também a mais efetiva forma, junto com o distanciamento social, de proteção individual e do próximo.

A lei do uso de máscaras, que precisou ser baixada por governadores e pelo Congresso, além de reforçada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), deveria ser cumprida principalmente por autoridades do país, mas a principal delas, o presidente da República, dá todos os dias um testemunho contrário, estimulando seus seguidores a resistir ao bom senso.

Jair Bolsonaro, admirador confesso do primeiro ministro israelense, Benjamim Nethanyahu, deveria ter ouvido a mensagem que o líder conservador de Israel deu no mesmo domingo em sua comitiva estava no país: mesmo com a vacinação de vento em popa, usar a máscara e manter afastamento social segue essencial para preservar vidas.

Nethanyahu, que já conseguiu dar a primeira dose da vacina a mais de 50% da população israelense, comemorou em vídeo a reabertura dos restaurantes, mas fez o alerta de que não se pode baixar a guarda.

A diplomacia brasileira tem tradição e é admirada em todo o mundo por sua história e profissionalismo. Saiu chamuscada do episódio.

Já a comitiva brasileira a Israel mais pareceu uma excursão de bolsonaristas – incluindo o filho deputado do presidente, Eduardo (PSL-SP) – para qualquer país que aceitasse a entrada de brasileiros – coisa cada vez mais rara. Israel parecia ter uma agenda com a visita, está na publicação em rede social do ministro da Relações Exteriores, Gabi Ashkenazi: ele agradeceu o apoio do governo brasileiro contra acusações no Tribunal Internacional Criminal.

Na agenda oficial dos brasileiros, estava trazer ao Brasil um spray para usar em pacientes já acometidos pelo coronavírus, medicamento que está longe de ser uma panaceia.

Outra motivação dada para a viagem é aprender sobre a vacinação, conhecimento que o SUS têm de sobra, só faltam as doses do imunizante, esforço negligenciado pelo governo ao longo de 2020.

A real lição que a comitiva traz é a de que usar a máscara, evitar apertos de mão, manter o distanciamento seguem sendo as mais importantes medidas a se tomar para controlar a pandemia. Acima de tudo, o ensinamento de que os exemplos vêm de cima.



Fonte: G1

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