Com eleição mais apertada, Ibovespa cai pelo terceiro dia e dólar chega a R$ 5,08

O Ibovespa encerrou esta quinta-feira (15) em queda de 1,06%, aos 204.324,26 pontos, acumulando a terceira sessão consecutiva de perdas. O dólar comercial, por sua vez, avançou cerca de 1,15%, para R$ 5,09, em um pregão marcado pelo aumento da cautela dos investidores diante do cenário político brasileiro, das perspectivas para a economia e da inflação nos Estados Unidos.

A proximidade do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, ampliou a volatilidade dos ativos nacionais. Os investidores reagiram à divulgação de uma nova pesquisa Quaest, que mostrou empate técnico entre o senador Flávio Bolsonaro (PL), com 46% das intenções de voto, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 44%.

O levantamento trouxe novas incertezas para o mercado financeiro, que vinha registrando uma valorização expressiva desde o primeiro turno das eleições. Parte dos investidores passou a realizar lucros, especialmente em ações de empresas mais sensíveis às expectativas para os juros e à condução da política econômica.

Outro fator de pressão foi a aprovação, em primeiro turno no Senado, da proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A medida estabelece dois dias de descanso semanal e uma redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas, sem diminuição dos salários.

A perspectiva de mudança nas regras trabalhistas levou investidores a reavaliar os possíveis impactos sobre os custos operacionais das empresas, sobretudo em atividades que dependem de grande quantidade de mão de obra, como comércio, serviços e construção civil. A proposta ainda precisa cumprir as demais etapas de tramitação para entrar em vigor.

O ambiente de maior aversão ao risco também se refletiu no câmbio. A moeda americana chegou a atingir R$ 5,098 durante a sessão, enquanto os juros futuros avançaram, acompanhando a percepção de aumento das incertezas econômicas e políticas.

A queda foi disseminada entre diferentes setores da Bolsa. As ações da Direcional registraram recuo de 9,26%, enquanto os papéis da MRV perderam 4,94%. No varejo, Magazine Luiza e C&A tiveram desvalorizações de 4,24% e 4,18%, respectivamente. O desempenho dessas companhias refletiu a preocupação com o cenário de consumo e os possíveis efeitos das mudanças trabalhistas sobre suas margens de rentabilidade.

Entre as empresas de maior peso no índice, Petrobras, Vale e bancos também apresentaram desempenho negativo. Na direção contrária, a Embraer avançou 2,70% e figurou entre os destaques positivos do pregão.

O resultado desta quinta-feira ampliou as perdas do Ibovespa na semana para 2,28%. Apesar da sequência negativa, o índice ainda acumula valorização de 9,64% em outubro e de 26,80% desde o início de 2026, refletindo os ganhos expressivos registrados nas semanas anteriores.

O volume financeiro negociado na B3 chegou a R$ 40,9 bilhões. Durante o pregão, o principal indicador da Bolsa brasileira oscilou entre a mínima de 203.110,43 pontos e a máxima de 206.520,28 pontos.

Economia desacelera

Além dos fatores políticos, a divulgação de indicadores econômicos abaixo das expectativas contribuiu para o desempenho negativo do mercado. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de vendas do comércio varejista avançou apenas 0,1% em agosto, diante de uma expectativa de crescimento de 0,7%.

O resultado reforçou os sinais de perda de dinamismo da economia brasileira, que já haviam aparecido nos indicadores da indústria e dos serviços. A produção industrial recuou 0,6% em agosto, enquanto o volume de serviços caiu 0,1% no mesmo período.

A combinação desses números aumentou as expectativas de desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre. Para os investidores, a perspectiva de atividade econômica mais fraca pode comprometer o crescimento das receitas e dos lucros das companhias listadas na Bolsa.

No cenário internacional, a inflação ao produtor nos Estados Unidos também influenciou os negócios. O índice de preços ao produtor (PPI) subiu 1,3% em setembro, acima da projeção de 0,6%, alimentando preocupações com a persistência das pressões inflacionárias na maior economia do mundo.

O indicador trouxe novas dúvidas sobre a trajetória dos juros americanos e sobre as próximas decisões do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos. Taxas elevadas por mais tempo tendem a aumentar a atratividade dos títulos públicos americanos e podem reduzir o fluxo de recursos para mercados emergentes.

Apesar dessas preocupações, as bolsas de Nova York encerraram a sessão em alta. O Dow Jones avançou 1,08%, o S&P 500 ganhou 0,33% e o Nasdaq registrou valorização de 0,08%.

Com isso, o mercado brasileiro terminou o dia em direção oposta à de Wall Street, refletindo principalmente as incertezas domésticas. A evolução das pesquisas eleitorais, os próximos passos da proposta de redução da jornada de trabalho e os novos indicadores econômicos devem continuar no centro das atenções dos investidores nas próximas sessões.





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