Clima impacta produção de grãos no Brasil; veja cada região


As três primeiras semanas de novembro foram marcadas por clima instável e fortes chuvas nas principais regiões produtoras de grãos do Brasil. Entretanto, foram irregulares e mal distribuídas, sendo os maiores volumes nos estados do Sul, que causaram impactos nos cultivos de inverno em maturação e colheita, e ainda nos cultivos de primeira safra em plantio a e início de desenvolvimento.

Nas outras regiões do país, a baixa umidade no solo atrasou a semeadura e restringiu o desenvolvimento dos cultivos de primeira safra, principalmente no sul de Mato Grosso, na maior parte de Goiás e de Mato Grosso do Sul, além de áreas do Noroeste e Triângulo Mineiro, além do sul do Maranhão, sudoeste do Piauí e oeste da Bahia, no Matopiba.

No Centro-norte chuvas irregulares atrasaram o plantio das lavouras de verão.
No Centro-norte chuvas irregulares atrasaram o plantio das lavouras de verão. Foto: Pedro Silvestre (MT)

Clima impacta produção de grãos no Brasil

O estudo é do Boletim de Monitoramento Agrícola, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Grupo de Monitoramento Global da Agricultura (Glam), na quinta-feira (23), que aponta as principais regiões produtoras de grãos do Brasil, considerando cultivos de inverno safra 2023 e verão safra 2023/2024, durante o período de 1º a 21 de novembro de 2023.

Segundo a pesquisa, há uma condição satisfatória no desenvolvimento das lavouras de primeira safra. Os mapas do Índice de Vegetação (IV), dos cultivos de verão, mostram uma predominância de anomalias positivas nas principais regiões produtoras, enquanto os gráficos de evolução apontam a média ponderada do IV da safra atual próxima ou acima da safra anterior e da média histórica.

Excesso de chuva no Sul do Brasil prejudicou maturação de cultivos de inverno.
Excesso de chuva no Sul do Brasil prejudicou maturação de cultivos de inverno. Foto: Divulgação

Cultivos de inverno Safra 2023

Nos principais estados produtores de trigo no país, nas regiões onde parte das lavouras ainda se encontra em campo, o excesso de chuvas diminuiu o vigor vegetativo das lavouras na safra atual com aumento da incidência de doenças fúngicas, houve ainda antecipação do ciclo por conta de altas temperaturas, o que provocou maior percentual de áreas em maturação e colheita comparado a safras anteriores.

Trigo

  • Rio Grande do Sul: A persistência das chuvas influenciou negativamente na evolução da colheita e da qualidade dos grãos.
  • Paraná: O clima favoreceu a colheita que está sendo finalizada. As perdas de qualidade se devem, principalmente, ao excesso de chuvas durante a maturação e a colheita dos grãos.
  • Santa Catarina: A colheita foi interrompida por conta do retorno das chuvas, o que impactou as lavouras que estão em fase de maturação, provocando a germinação de grãos na espiga e a incidência de doenças.

Cultivos de verão Safra 2023/2024

Apesar da irregularidade e má distribuição das chuvas, os mapas do Índice de Vegetação (IV) mostram uma evolução da atual safra próxima ou acima da safra anterior e da média histórica nas principais regiões produtoras de soja no país. A umidade no solo trouxe um desenvolvimento satisfatório dos cultivos na maioria das áreas. As áreas com a semeadura mais atrasada em relação à safra passada pode sofrer mais impactos por falta ou excesso de chuvas no estabelecimento das lavouras.

Milho Primeira Safra

  • Rio Grande do Sul: O plantio está sendo finalizado. As áreas restantes serão semeadas em janeiro de 2024. As lavouras estão, principalmente, em desenvolvimento vegetativo. A alta nebulosidade tem prejudicado o desenvolvimento, assim como tem favorecido o desenvolvimento de doenças.
  • Minas Gerais: O plantio evoluiu, porém, está atrasado em relação a safra passada, por conta da falta de chuvas. As lavouras estão sendo afetadas pela falta de umidade associada às temperaturas elevadas.
  • Goiás: A semeadura iniciou, contudo, atrasada em relação à safra passada por conta das condições climáticas instáveis e da priorização da semeadura da soja.
  • Paraná: A semeadura alcançou 98% da área total prevista. A maioria das lavouras está em desenvolvimento vegetativo e apresentam boas condições.
  • Santa Catarina: A semeadura está suspensa devido as precipitações. O excesso de umidade impactou no potencial produtivo. As baixas temperaturas e a falta de luminosidade também estão afetando o milho em estágios críticos.
  • São Paulo: O plantio alcança 50% da área prevista e as lavouras apresentam boas condições.
  • Bahia: A semeadura esta atrasada e as lavouras estão em fase de germinação e emergência. Registra-se chuvas irregulares.

Soja

  • Mato Grosso: O progresso da semeadura está ocorrendo gradualmente com a irregularidade das chuvas, que impacta o desenvolvimento vegetativo, em algumas áreas. Destaca-se a ocorrência de replantios pontuais.
  • Rio Grande do Sul: A semeadura está atrasada em relação à safra passada em razão da ocorrência de chuvas. Verificam-se falhas de germinação nas áreas com grande declividade.
  • Paraná: A semeadura alcançou 84% da área prevista e as lavouras se encontram na maioria, em desenvolvimento vegetativo. Muitas foram afetadas pelo excesso de chuvas, que causou selamento de solo, provocando falhas de germinação e erosão de solo e nutrientes.
  • Goiás: Com as chuvas escassas, o ritmo de plantio está reduzido, sendo suspenso em várias regiões. O desenvolvimento das lavouras é considerado regular.
  • Mato Grosso do Sul: A semeadura alcançou 87% da área prevista. Chuvas estão mais bem distribuídas na região Leste e no Sul do estado. A região central está mais afetada pela irregularidade.
  • Minas Gerais: O plantio está atrasado em relação à safra passada devido a irregularidade das chuvas.
  • Bahia: O plantio está atrasado em relação à ultima safra. As lavouras irrigadas estão em desenvolvimento vegetativo, florescimento e enchimento de grãos, apresentando bom desenvolvimento.
  • São Paulo: A semeadura segue em bom ritmo e as áreas apresentam desenvolvimento favorável.
  • Tocantins: O plantio evoluiu em todo o estado. A inconstância das chuvas tem prejudicado o desenvolvimento das lavouras em algumas áreas.
  • Maranhão: A semeadura está atrasada em relação à safra passada, devido a instabilidade das precipitações.
  • Piauí: A semeadura evolui, contudo, atrasada e em ritmo muito irregular, por falta de umidade adequada.
  • Santa Catarina: O retorno das chuvas causou suspensão da semeadura. Nas áreas semeadas, onde ocorreram chuvas intensas, há perdas de solo e nutrientes, afetando o desenvolvimento inicial e a uniformidade da cultura.
  • Pará: As condições climáticas foram desfavoráveis para o plantio e o desenvolvimento no período, com áreas paralisadas e registro de replantio.

Arroz

  • Rio Grande do Sul: O alto volume de chuva tem prejudicado a evolução da semeadura que está atrasada em relação à safra anterior.
  • Santa Catarina: As lavouras estão em desenvolvimento vegetativo com a incidência de radiação solar abaixo do esperado para a cultura. As chuvas provocaram alagamentos nas regiões mais baixas e o índice de armazenamento de água nos solos está alto.
  • Goiás: A semeadura alcançou 60% da área total. As lavouras estão em estágio de desenvolvimento vegetativo e em boas condições sanitárias.
  • Tocantins: A semeadura tem ocorrido de forma lenta, atingindo 40% das áreas produtoras.
  • Maranhão: A semeadura do arroz irrigado foi finalizada. Devido ao extenso período de plantio no estado, as lavouras, nas diversas regiões, estão em diferentes estágios. A colheita esta em andamento e alcançou 37% dessas áreas.
  • Mato Grosso: A semeadura tem sido realizada de forma pontual com o baixo volume de chuvas, apesar da umidade do solo ter sido suficiente para o crescimento inicial das plantas. As lavouras estão em emergência e em desenvolvimento vegetativo.
  • Pará: Os baixos volumes de precipitação tem favorecido a colheita das lavouras irrigadas.

 



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