Chuva registrada no inverno na cidade de SP foi 56% menor do que a média para a estação | São Paulo

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O volume de chuvas na capital paulista foi 56% menor durante o inverno deste ano se comparado à média histórica.

Como anunciado em maio pelo governo federal, o Brasil vive a pior seca dos últimos 91 anos. Na capital paulista, foram 122,8 milímetros de chuva de junho a setembro, quando eram esperados 218,9mm. Setembro foi o mês mais seco. Choveu apenas 29,9mm, mas eram esperados 84,8mm (veja tabela abaixo).

Na Grande São Paulo, no inverno de 2013, pré-crise hídrica, a redução de água armazenada foi de 17%. Já no inverno de 2021, a redução foi de 25%.

. O inverno termina nesta quarta-feira (22).

Nesta terça-feira (21), o volume total de água armazenada na região metropolitana de São Paulo era de 40% ou 777,7 hm3. Na mesma data de 2013, eram 53% de armazenamento, ou 962,07 hm3. A diferença entre 2013 e 2021 é que hoje temos cerca de 20% menos água armazenada do que naquele ano apesar de contarmos com um sistema a mais desde 2018, o São Lourenço.

A comparação com 2013 é importante porque foi o ano que antecedeu a crise de abastecimento de água e o racionamento na região metropolitana de São Paulo. O cenário atual, portanto, pode indicar falta de água no ano que vem.

No inverno de 2013, a redução de água armazenada foi de 17%. Já no inverno de 2021, a redução foi de 25%. Ou seja, o consumo aumentou 8 pontos percentuais e atualmente ainda há menos água disponível.

A análise é do pesquisador Pedro Luiz Côrtes, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo (USP).

“Todos os prognósticos climáticos estão sendo confirmados. Tivemos uma redução de 1/4 volume armazenado somente no inverno deste ano. O volume do Sistema Cantareira está se aproximando da Faixa de Restrição (que começa abaixo de 30%). Durante o inverno, tradicionalmente seco, houve uma redução significativa no volume de chuvas.”

Nesta terça-feira (21) o Sistema Cantareira, principal fornecedor de água na região e responsável por abastecer 7,2 milhões de pessoas diariamente, operava com 32,6% de seu armazenamento.

Em nota, a Sabesp diz que “não há risco de desabastecimento neste momento, mas a Companhia reforça a necessidade do uso consciente da água.” Leia a nota completa abaixo.

Inverno de 2021 foi mais seco do que a média — Foto: Arte/g1

Previsão é de mais seca

Com menos chuvas e menos água armazenada do que em 2013, ano pré-crise hídrica, a tendência é a de que falte água no ano que vem caso não chova o suficiente para a recarga dos mananciais, de acordo com Côrtes.

O problema é que a previsão continua a ser de poucas chuvas após o início de primavera, quando ainda chove um pouco.

“A partir de outubro, teremos a volta do fenômeno La Niña. Ele será do tipo Modoki que é um pouco diferente do La Niña convencional (ou canônico). Esse tipo de La Niña fará com que no início da primavera tenhamos mais chuvas. Isso poderá dar a impressão de que tudo está se normalizando. Entretanto, a estiagem volta com a aproximação do verão no final do ano e o cenário de alerta se mantém”, afirma Côrtes.

O La Niña é um fenômeno que, ao contrário do El Niño, diminui a temperatura da superfície das águas do Oceano Pacífico tropical central e oriental. Mas, assim como o El Niño, gera uma série de mudanças significativas nos padrões de precipitação e temperatura no planeta.

O que acontece é que o La Niña muda o padrão de ventos na região equatorial, que se tornam menos intensos, e isso muda a chegada das frentes frias da região sul em direção a São Paulo. Assim, o fenômeno reduz as chuvas na porção Sul do Brasil, e isso pode ter repercussão em São Paulo, dependendo de sua intensidade.

Em nota, a Sabesp disse que “a projeção para a Região Metropolitana de São Paulo aponta níveis satisfatórios dos reservatórios com as perspectivas de chuvas do final da primavera e início do verão, quando a situação será reavaliada.”

A Sabesp também salientou que nesta terça-feira (21), o Sistema Integrado (de todos os mananciais) opera com 40% da capacidade. “Nível similar, por exemplo, aos 41,8% de 2018, quando não houve problemas no abastecimento”, afirmou em nota.

Côrtes, no entanto, salienta que a diferença é que em 2018 tivemos El Niño, que trouxe chuvas suficientes para o abastecimento da população.

“Apesar de todas as obras e esforços realizados pela Sabesp, hoje temos menos água armazenada do que em 2013. A comparação com 2018 não é adequada, pois no segundo semestre daquele ano tivemos um El Niño, que trouxe mais chuvas para São Paulo. Este ano, teremos a volta do La Niña e uma situação de estiagem, especialmente no verão.”

Na segunda-feira (20), o SP1 visitou a cidade de Santa Isabel, onde fica a represa Jaguari, a segunda maior que compõe o Sistema Cantareira. Na ocasião, a represa operava com apenas 25% de sua capacidade, como mostra o vídeo a seguir:

Nível da represa Jaguari, do Sistema Cantareira, está abaixo de 25%

Nível da represa Jaguari, do Sistema Cantareira, está abaixo de 25%

“A Sabesp informa que a projeção para a Região Metropolitana de São Paulo aponta níveis satisfatórios dos reservatórios com as perspectivas de chuvas do final da primavera e início do verão, quando a situação será reavaliada. Não há risco de desabastecimento neste momento, mas a Companhia reforça a necessidade do uso consciente da água.

O sistema que abastece a RMSP, composto por 7 mananciais, é integrado e flexível, o que permite transferências de água entre regiões, conforme a necessidade. A capacidade de transferência de água tratada entre os diversos sistemas de abastecimento foi quadruplicada em relação ao período anterior à crise hídrica de 2014/15, passando de 3 mil litros/segundo em 2013 para 12 mil l/s em 2021. Ao mesmo tempo, a capacidade de reservação de água tratada saltou de 1,7 bilhão de litros em 2013 para 2,2 bilhões de litros em 2021.

Nesta terça (21/9), o Sistema Integrado opera com 40% da capacidade, nível similar, por exemplo, aos 41,8% de 2018, quando não houve problemas no abastecimento.

A Sabesp vem realizando nos últimos anos ações que dão mais segurança hídrica, como a ampliação da infraestrutura, integração e transferência entre sistemas, além de campanhas para o consumo consciente. ”

Toks para Economizar Água

A Sabesp está realizando mais uma campanha para engajar a população a usar a água de maneira consciente: “Toks para Economizar Água – Abriu, Usou, Fechou”. Veja o vídeo: https://youtu.be/rq8us_wEdo4.

Para engajar a sociedade no uso consciente da água, a Sabesp criou o hotsite www.sabesp.com.br/eucuidodaagua, que reúne informações e dicas em torno do assunto.”

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Fonte:G1