Bitcoin em queda: entenda a desvalorização das criptomoedas

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O bitcoin atingiu mínimas em quase 1 ano. Na parcial do mês, a criptomoeda acumula queda de cerca de 15% e já perdeu mais da metade de seu valor desde que atingiu a marca histórica de US$ 69 mil em novembro do ano passado.

Nesta terça-feira (10), o bitcoin caiu abaixo de US$ 30 mil, chegando aos US$ 29.764, em sua sexta sessão consecutiva de baixa. O valor representa uma perda de 57% do valor na comparação com o seu recorde histórico.

As cotações das moedas digitais têm por natureza uma variação muito intensa das cotações. E outras criptomoedas, como Ethereum, Benence e Solana, também perderam valor nas últimas semanas.

Ativos de maior risco em queda

A cotação das criptomoedas tem acompanhado a queda de ativos de maior risco, como ações e papéis de empresas de tecnologia.

Os investimentos de maior risco e de renda variável estão sendo afetados pela perspectiva de inflação persistente nos Estados Unidos, o que pressiona o Federal Reserve a aumentar juros de forma mais agressiva.

O Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) elevou a taxa básica de juros para o intervalo entre 0,75% e 1% — na maior alta em 22 anos e a expectativa é que novas elevações serão feitas nos próximos meses.

Juros mais altos nos EUA tornam os investimentos em títulos do tesouro norte-americano (treasuries) mais rentáveis, o que reduz a procura por ativos de maior risco e estimula a migração de capital para ativos considerados mais seguros.

O próprio dólar tem ganhado força frente a outras divisas. E com o fortalecimento da moeda, as criptomoedas também tendem a enfraquecer.

A tendência afeta ainda os títulos das empresas de tecnologia, cujo desempenho foi beneficiado pelas políticas monetárias de juros baixos durante a pandemia. O índice Nasdaq, que reúne empresas do setor, caiu 1,5% na semana passada e perdeu 22% no acumulado do ano.

Criptoativos perdem US$ 800 bi em valor de mercado em 1 mês

De acordo com o site de dados CoinMarketCap, os criptoativos perderam quase US$ 800 bilhões em valor de mercado no mês passado. O valor total do mercado de criptomoedas estava em US$ 2,2 trilhões em 2 de abril. Em novembro do ano passado, atingiu o pico histórico de US$ 2,9 trilhões, destaca a agência Reuters.

“O Bitcoin permanece altamente correlacionado a condições econômicas mais amplas, o que sugere que o caminho a seguir pode, infelizmente, ser difícil, pelo menos por enquanto”, avaliou o provedor de dados blockchain Glassnode.

Baixa liquidez e sinais de fraqueza nas stablecoins

Em entrevista à agência Reuters, Matt Dibb, diretor de operações da plataforma de criptomoedas Stack Funds, apontou outros fatores para o declínio no fim de semana:

  • baixa liquidez do mercado de criptomoedas
  • sinais de fraqueza em stablecoins (moedas digitais geralmente apoiadas por dinheiro tradicional e outros ativos)

A Terra USD (UST), a quarta maior stablecoin do mundo perdeu um terço de seu valor na terça-feira ao perder sua atrelagem ao dólar.

A UST é observada de perto pela comunidade de moedas digitais, tanto por causa da nova maneira pela qual mantém sua indexação ao dólar em 1:1, quanto porque seus criadores estabeleceram planos para montar uma reserva de US$ 10 bilhões em bitcoins para apoiar a stablecoin. Isso significa que a volatilidade na UST poderia potencialmente se espalhar para os mercados de bitcoin.

Para onde o preço pode ir?

Com a volatilidade dos criptoativos é difícil projetar qual será a evolução do bitcoin. Em 2021, a criptomoeda ficou temporariamente abaixo dos US$ 30 mil em junho e julho, antes de voltar a ganhar força e atingir o máximo histórico em novembro, a US$ 69 mil.

Um indício da importância do setor: nos últimos anos dois países, El Salvador e a República Centro-Africana adotaram esta moeda como divisa oficial, apesar das críticas dos organismos financeiros internacionais. O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, anunciou que o país aproveitou a desvalorização para comprar mais criptomoedas, adicionando 500 unidades a seu fundo.

Paralelo a isso, grandes investidores e investidores institucionais, com medo de ficarem para trás, também tem incorporado criptomoedas em suas carteiras.

Desde sua criação em 2009, porém, o bitcoin se desenvolveu em um contexto de taxas de juros muito reduzidas. Agora, o Banco Central americano alertou sobre futuros aumentos da taxa básica de juros para conter a inflação.

Por que varia tanto o preço?

O que faz o bitcoin tão volátil é a busca por seu valor justo no mercado, já que não há lastro nem regulamentação por parte de bancos centrais. As operações são registradas por meio da tecnologia blockchain, que registra todas as quantias transferidas, quem transferiu para quem e qual o valor.

Se, por um lado, não há uma autoridade que dite regras ao mercado nem outra moeda que referencie seu preço, também não há uma proteção ao patrimônio. A segurança é calcada na tecnologia e na aceitação no mercado. Entra, portanto, na categoria de investimento de alto risco.

As criptomoedas são ativos como real, dólar e euro, mas que circulam apenas em ambiente digital. O bitcoin é o mais importante modelo, representando quase 40% do mercado de criptomoedas, mas há tantos outros, como Ethereum, Litecoin e Ripple.

Fonte: G1